A vontade de dar uma segunda chance a um material tão nobre e descartado é a principal motivação do trabalho de Hugo França. Sua produção não esboça uma linha reta onde há um objetivo final. O conceito do seu trabalho é cíclico porque acredita na transformação criativa de usos dos objetos. E, principalmente, porque é dessa forma que a natureza funciona.

As peças criadas pelo designer são a conseqüência da sua preocupação com as possibilidades oferecidas pela matéria-prima: árvores centenárias mortas pela ação irresponsável do homem.

Tudo começa e termina na árvore. Ela é a sua inspiração inicial e suas formas, buracos, rachaduras, marcas de queimada e da ação do tempo são incorporadas à solução final.
Sua intenção não é produzir objetos funcionais, mas sim, levar a árvore de volta ao convívio humano harmoniosamente.

O trabalho de Hugo França alia preocupação com o meio ambiente e sensibilidade artística.
A natureza apresenta suas formas e ele as interpreta. A esse diálogo criativo, segue-se uma intervenção artesanal e sensível que dá origem a peças únicas e exclusivas.

 

O processo de produção das peças de Hugo França confunde-se com o conceito do seu trabalho: a preocupação com o desperdício da madeira e a crença em que há possibilidades infinitas de reaproveitamento deste material descartado por não possuir interesse comercial.

A utilização de resíduos florestais para a produção de peças demanda buscas constantes nas matas da região de Trancoso (BA). Nesses percursos feitos a pé, de jegue, de canoa, Hugo França conta com a ajuda dos indígenas e mateiros locais além do conhecimento da região que ele próprio adquiriu nos 15 anos em que morou no litoral sul baiano. Desde que não tenham sofrido danos irreversíveis, todas as partes da árvore encontradas podem ser utilizadas. Raízes desenterradas, troncos ocos, toras maciças e galhos são transformados pelo olhar de Hugo França em objetos únicos.

A dificuldade de transporte pelo peso da matéria-prima impõe que os primeiros cortes sejam realizados no local onde a árvore é encontrada.
E assim começam a surgir os primeiros sinais de mesas, bancos, cadeiras, aparadores… Nas etapas seguintes, a peça tem seu desenho final definido e recebe acabamento. Durante todo o processo, as formas e texturas naturais são valorizadas de modo que as esculturas mobiliárias remetam sempre àquela que lhes deu origem: a árvore.

 

Veja, abaixo, um pouco da história deste belo processo de criação:

http://www.youtube.com/watch?v=Z4L5e7ZzNiY

 

(Fonte: http://www.hugofranca.com.br/)