Artigo original: Engenharia e Arquitetura | Sede de empresa de engenharia sustentável obtém o LEED Platinum

A larga fachada exibe uma profusão de materiais

A larga fachada exibe uma profusão de materiais

No projeto da nova sede da Enermodal Engenharia, chamada A Grander View, o objetivo principal foi criar um escritório com certificação LEED Platinum para ser o mais energeticamente eficiente do Canadá. Desde a sua inauguração, no final de 2009, o consumo de energia do edifício de 2150 m2 é de 69 kWh/m2 por ano. Isto está muito próximo da previsão de modelagem de energia de projeto que foi de 65 kWh/m2. Comparando-se com a média canadense, de quase 400 kWh/m2, o resultado é altamente satisfatório. O consumo de água tem sido 82% mais baixo do que o de um edifício convencional – excedendo as previsões iniciais que eram de 9%. O desempenho alcançado foi basicamente graças a um sistema mecânico integrado, embora forma construtiva, orientação e materiais tenham, todos, desempenhado importante papel.

Luz e ar

O sítio está às margens do rio, no histórico distrito de Kitchener, em Bridgeport. O edifício foi projetado para oferecer a todos os empregados uma visão do exterior, além de acesso a luz e ventilação naturais. As grandes janelas têm vidro triplo, de baixa emissividade, e espaços isolados com enchimento de argônio. Cada uma inclui um pequeno vidro operável. As armações de fibra de vidro são melhores isolantes do que alternativas tradicionais.
As economias de energia são maximizadas pelo uso de instalações de voltagens mais baixas, tais como lâmpadas de eficiência premium T8, fluorescentes compactos controlados por sensores de ocupação e de luz natural.
O desejo do máximo de luz natural determinou três características determinantes do edifício. Uma característica é a estreita pegada de largura (12 m), que permite a cada área de trabalho receber a luz natural de duas direções. A segunda é o uso de divisórias interiores de vidro para salas de reuniões e escritórios fechados. O terceiro é uma grande clarabóia acima do átrio central, escadas e corredores.

O edifício é estreito, para permitir a luz e ventilação naturais, e seus ocupantes têm vista para o exterior e controle das janelas

O edifício é estreito, para permitir a luz e ventilação naturais, e seus ocupantes têm vista para o exterior e controle das janelas

Conservação de água

A água da chuva é captada no telhado e dirigida, por um dreno, a um tanque subterrâneo de armazenagem de 30 m3. Esta água não-potável é usada para a descarga nos banheiros. A água de chuva é complementada, no verão, pela água do condensado do sistema de ar condicionado, que chega a cerca de 20 litros por hora nos períodos de resfriamento máximo.

Persianas externas automatizadas controlam a luz natural

Persianas externas automatizadas controlam a luz natural

Um significativo consumo de energia, na maior parte dos sistemas de cisterna, é com os filtros que retiram sedimentos da água para que ela seja usada. Para eliminar estes filtros, três medidas foram tomadas:
• A água da chuva passa por um filtro de vórtice para usar a inércia da queda na eliminação de contaminantes;
• A água é despejada na cisterna com uma velocidade reduzida para não movimentar os sedimentos depositados no fundo;
• A água da cisterna é levada para o edifício por uma linha flutuante de sucção, em vez de uma linha tradicional, localizada perto do fundo da cisterna, onde o sedimento está depositado.

Painéis fotovoltaicos fornecem boa parte da energia necessária

Painéis fotovoltaicos fornecem boa parte da energia necessária

Eficiência energética

O edifício tem um envelope extremamente hermético e bem isolado, permitido em parte pelas paredes de placas de concreto isolado. O sombreamento exterior é automaticamente ajustado para reduzir luminosidade e ganho de calor não desejados.
Contudo, a maior contribuição vem dos sistemas mecânicos.
Antes de ser introduzido no edifício, o ar exterior passa por tubos concretados na terra, absorvendo a temperatura do solo. Isto diminui o montante da energia que teria de ser usada para trazer o ar à temperatura interna desejada.
Durante o inverno, o calor e a umidade recuperados do ar de escape são transferidos para o ar de entrada por unidades ventiladoras de recuperação de energia.

O aquecimento e o resfriamento são fornecidos por três bombas de calor localizadas no telhado – uma bomba destinada a cada andar. As bombas de calor estão ligadas a 60 pequenas unidades de tratamento do ar (fan coils) distribuidas por todo o edifício, fornecendo-lhe o aquecimento e o refriamento necessários, de acordo com a estação do ano. Este uso de várias pequenas unidades de fan coils permite aos ocupantes controlarem a temperatura e umidade de acordo com a ocupação do edifício.
Os fan coils estão interligados pela rede de tubulação que transporta o refrigerante. O sistema trabalha com compressores de fluxo variável que operam com velocidades muito baixas. Estes compressores permitem ao sistema um reduzido consumo de energia. O sistema inteiro é controlado por sensores de ocupação e termostatos que enviam sinais de infravermelho (wireless) ao sistema de automação integrado nos fan coils.

O aquecimento da água usada nos banheiros e cozinha é recuperado do excesso de calor gerado na sala do servidor de informática, usando um sistema de bomba de calor ar-água. Sensores de ocupação controlam ventilação, aquecimento e resfriamento. Se uma área for desocupada, ventilação e aquecimento/resfriamento são reduzidos. Os controles de iluminação incluem sensores de parede e de forro, temporizadores e controladores liga/desliga, para a luz natural.
A densidade medida da energia de iluminação é 4.6 W/m2 para controles automáticos de iluminação, que é aproximadamente 65% abaixo do padrão especificado pela ASHRAE 90.1-1999 para edifícios de escritórios. Além disso, os sensores de CO2 nas paredes da sala de reunião principal asseguram o correto montante de ar de renovação (bom tanto para eficiência de energia como para o conforto dos ocupantes).

Vinte e quatro painéis fotovoltaicos instalados no telhado fornecem 5.5 quilowatts ao edifício. Para manter o revestimento impermeável do telhado, os painéis são montadas em almofadas de concreto.

O custo do edifício foi aproximadamente 10% mais alto do que um equivalente convencional, mas as economias de energia resultarão em uma recuperação de investimento em menos de 10 anos.

Stephen Carpenter, é presidente da Enermodal Engineering

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