Especialistas destacam importância do projeto de automação
Artigo original: Engenharia e Arquitetura | Especialistas destacam importância do projeto de automação
Sistemas como iluminação interna e externa, ar condicionado, controle de acesso, gerenciamento de energia elétrica, elevadores, captação e distribuição de água e gás são as principais “vítimas” da automação. Ao investir nesta ferramenta, o usuário tem a possibilidade de colher frutos como a melhoria da qualidade do ar dentro do edifício, maior conforto térmico para os ocupantes, redução na conta de energia elétrica, maior eficiência nos processos elétricos e hidráulicos, maior rapidez no diagnóstico e reparação de falhas dos equipamentos (motores, ventiladores, compressores) e reaproveitamento de água pluvial.
Na teoria, a automação é a alternativa ideal para garantir esses benefícios. Na prática, no entanto, os resultados podem ser desagradáveis. Para que isso seja evitado, é imprescindível seguir algumas etapas para implantação do sistema. Em resumo, é necessário inicialmente buscar um bom projeto detalhado através de um projetista, integrador de sistemas ou consultor, dependendo do tamanho e complexidade da instalação.
De acordo com Eduardo Lopes, gerente de engenharia da Smart – SLG, a implementação correta de um sistema de automação compreende a aquisição de três fatores imprescindíveis:
– Projeto de implementação: seria necessária a contratação de empresa especializada que promova um estudo técnico e consequente projeto de forma a adequar expectativas, com resultados e principalmente orçamento.
– Produto: segundo Lopes, existe atualmente uma infinidade de marcas e fabricantes e, portanto, seria importante informar-se sobre a confiabilidade, recursos e robustez dos equipamentos. “Marcas novas e/ou desconhecidas podem trazer problemas futuros com assistência técnica” diz.
– Serviços Técnicos: para Lopes, esta etapa deveria ser a mais valorizada, “já que de nada adianta um bom produto sob a responsabilidade de instalação de uma mão de obra pouco qualificada”. A base do sistema de automação, afirma o profissional da Smart, são rotinas de programação em que os técnicos e engenheiros envolvidos devem conhecer não somente os códigos de software, mas principalmente os sistemas elétricos e mecânicos controlados. “É necessária a pesquisa entre as empresas que implementam sistemas de automação predial, para conhecer seu portfólio, visitar obras similares, conhecer a opinião dos usuários de empreendimentos feitos por ela, tempo de experiência da equipe técnica, etc”, opina.
O engenheiro Paulo Coviello, diretor de operações da Targget Tecnologia Ltda., também destaca a implementação do projeto, fase em que todos os pontos devem ser definidos a partir das necessidades e requisitos do proprietário, assim como a interface com todos os sistemas de utilidades. “A partir de uma boa conceituação do sistema, o fornecedor do sistema de automação deverá apresentar um projeto executivo, adequando o projeto básico às necessidades especificas dos equipamentos a serem utilizados”, diz. “A partir da execução do projeto executivo, deve-se executar toda a infraestrutura necessária à interligação do sistema e, posteriormente, a passagem de cabos, instalação dos equipamentos, testes e comissionamento, e finalmente o treinamento dos usuários do sistema”, complementa.
Exemplo de histórico de consumo proporcionado por medidor. Divulgação Smart-SLG
Coviello ressalta que todos os conceitos utilizados para o desenvolvimento do projeto de automação predial devem ser discutidos e apresentados aos projetistas dos sistemas de ar condicionado, elétrica e hidráulica, de forma que façam prever em seus projetos todas as necessidades de interface necessárias a perfeita integração dos sistemas. “O que se vê na prática é que muitas vezes os projetos são contratados em momentos diferentes, o projetista do sistema de automação não recebe as informações dos sistemas de utilidades e vice-versa, e cada projeto parte com um conceito diferente, gerando um alto índice de retrabalho e consequentemente um acréscimo de custos, quando da implantação do sistema de automação predial”, afirma.
A qualidade dos outros sistemas envolvidos, por sinal, é destacada por João Paulo Gomes Botelho, gerente de contas da Honeywell do Brasil. Para ele, é fundamental, ao implantar um sistema de automação, que o sistema a ser automatizado esteja em seu perfeito funcionamento. “Sistemas de ar condicionado, elétrica e hidráulica em más condições não permitem que a automação faça seu papel. Seria como colocar um delicioso molho de tomate num macarrão estragado”, compara.
Eduardo Lopes afirma que essa integração deve ocorrer na fase inicial de projeto dos sistemas de automação, elétrico e ar-condicionado, dentre outros. Segundo ele, na fase de projeto, o projetista do sistema de automação deverá conhecer as necessidades dos demais sistemas, como: número de pontos, objetivos, performances necessárias, tipos de sensores, modelos de atuadores, etc. “Caso os equipamentos dos demais sistemas tenham algum tipo de controle eletrônico já integrado, é necessário exigir que possuam protocolos abertos e comuns no mercado como: BACnet, Modbus ou LonWorks, com preferência em comunicação TCP/IP. Isso irá possibilitar conectá-los na rede de automação predial do edifício”, explica.
Exemplo de consumo de energia de pavimentos. Divulgação Smart-SLG
Do lado dos controladores de automação, Lopes diz que a tendência hoje é optar por um sistema com protocolo aberto, sustentado em uma rede de comunicação que ele considera simples eeficiente: Ethernet TCP/IP.
Além disso, ele ressalta que os controladores devem atuar de forma distribuída, de forma que cada processo tenham seus pontos atendidos por controladores locais, com processamento local, interligados à uma rede com protocolo aberto – como por exemplo o BACNet.
Por último, a sugestão é que o projeto especifique uma interface gráfica robusta, mas ao mesmo tempo fácil e interativa, que não necessite de grandes treinamentos para sua compreensão e manuseio. “Uma interface gráfica que permita expansão futura e que aceite acessos remotos pela rede corporativa do edifício, bem como através da Internet”, conclui afirma o gerente da Smart-SLG.
Controle de demanda de energia
Um sistema de controle de demanda faz o gerenciamento de cargas elétricas a fim de o consumo instantâneo não ultrapassar o limite contratado com a concessionária distribuidora de energia elétrica. Ao exceder o limite contratado, o usuário paga uma multa com valor bastante desgradável. “Com essa preocupação, os sistemas de gerenciamento de energia ganharam seu espaço na automação predial. Existem sistemas dedicados a gerenciar a demanda elétrica e há também sistemas de automação com módulos completos de gerenciamento de energia. Ambos fazem a mesma função, com igual desempenho”, diz João Paulo Gomes Botelho. Os maiores benefícios, afirma Botelho, são alcançados quando o gerenciamento de demanda elétrica faz parte do próprio sistema de automação, assim o sistema, ao detectar que a tendência de consumo está se aproximando do limite contratado, tomaria ações como desligar um equipamento não crítico para operação do sistema, elevar os setpoints dos ambientes com ar condicionado, desligar iluminação externa, revezar corte/acionamento de cargas de forma que essa operação se torne imperceptível ao usuário.
Para Mario Ribeiro, gerente comercial da CCN Automação, o controle de demanda hoje é um dos maiores otimizadores operacionais que uma edificação pode ter. “Os controladores atuais, junto com sistemas pensados e projetados para buscar uma melhor eficiência energética, trabalham em conjunto buscando o menor consumo de energia possível, priorizando a utilização de recursos naturais, como por exemplo o prévio resfriamento da edificação no período noturno, ou mesmo usando o ar exterior durante o dia, desde que as condições térmicas sejam favoráveis”, exemplifica.