Artigo original: Engenharia e Arquitetura | Town Hall Hotel enriquece a paisagem do East End londrino

Um revestimento externo em alumínio ajuda o edifício a conservar energia

Um revestimento externo em alumínio ajuda o edifício a conservar energia

Concluído em novembro de 2010, o Town Hall Hotel é um novo hotel luxuoso de 98 apartamentos, restaurante e bar, localizado no antigo Bethnal Green Town Hall, no coração do renascido East End londrino. Além de ganhar novo andar e nova ala, o projeto também incluiu a restauração e a renovação de um edifício existente catalogado como Grade II (logo após a Segunda Guerra mundial a Inglaterra passou a catalogar e classificar seus edifícios com algum interesse histórico).

O edifício, em estilo eduardiano, foi construído em 1910 na Cambridge Heath Road, tendo recebido uma ampliação em 1937 que o fez avançar até o Patriot Square, onde fica, agora, a entrada do novo hotel. Durante anos o edifício de 7500 metros quadrados alojou a administração municipal da área, tendo sido vítima de numerosas modificações que em nada auxiliaram a sua preservação. Em 1993, tendo se tornado obsoleto, ele foi desocupado, passando a ser usado apenas para locações de cinema e televisão, até ser comprado, em 2007, por Peng Loh, empresário cingapuriano do ramo hoteleiro.

A rare architecture foi contratada para desenvolver o projeto de um hotel contemporâneo e luxuoso, amigavelmente adaptado ao edifício existente e trabalhando não só pela sua restauração, como também pela sua ampliação, com a adição de mais um volume. A rare enxergou o projeto como a terceira idade do edifício, depois das fases de 1910 e 1937, e uma oportunidade de reinventar, bem como restaurar, um tesouro arquitetônico esquecido no East End de Londres.

O edifício eduardiano ficou relegado a cenário de filmes nos anos 1990

O edifício eduardiano ficou relegado a cenário de filmes nos anos 1990

Numa abordagem ousada, a rare misturou técnicas e motivos tradicionais com um corte contemporâneo. Mesmo assim o English Heritage , órgão que protege o patrimônio histórico no país, aprovou o projeto. Com a aprovação, a administração de Tower Hamlets, bairro onde localiza-se o edifício, deu sua pemissão para o início das obras em 2008.

A ampliação do edifício veio através de uma nova ala atrás da estrutura original de 1910 e um andar adicional assentado sobre a ampliação de 1937, o que aumentou a área total em 1500 metros quadrados para novas acomodações. Totalmente revestido externamente por uma tela de alumínio cortada a laser, que impede a visão de portas e janelas e cria, ao mesmo tempo, um efeito abstrato rebatido ao fundo da estrutura original, mesclando o antigo e o contemporânero.

O interior reflete a sensibilidade de design do edifício clássico pela restauração esmerada de detalhes arquitetônicos e mobília eclética

O interior reflete a sensibilidade de design do edifício clássico pela restauração esmerada de detalhes arquitetônicos e mobília eclética

Os moldes para os cortes das telas foi desenvolvido pela própria rare especialmente para o projeto. A inspiração para os moldes paramétricamente definidos veio de características art deco originalmente encontradas no Council Chamber. A intervenção da rare aparece no design de várias outras peças do hotel, que vão das coberturas de radiadores e ar condicionado, até os painéis decorativos das paredes. A aplicação das telas de alumínio tem não só um efeito decorativo, mas principalmente no desempenho do edifício, ao permitir a iluminação natural nos quartos sem a perda da necessária privacidade.

A lapidação da tela que reveste a ampliação e o telhado foi definida pela necessidade da manutenção da iluminação e vista dos edifícios vizinhos. Tais formas são observadas em outras situações, como o balcão de latão da recepção e os tetos dos corredores da ampliação, novamente conciliando charme e funcionalidade.

A nova fachada também reduz o ganho de calor no hotel enquanto permite a infiltração da luz natural pelas janelas

A nova fachada também reduz o ganho de calor no hotel enquanto permite a infiltração da luz natural pelas janelas

As dimensões de cada um dos 98 apartamentos são diferentes, algo ditado pela natureza do edifício e a sua condição de catalogado, por isso a rare trabalhou com layouts e projetos exclusivos para todos eles. A rare buscou um re-planejamento total do espaço interno, inserindo zonas de conforto contemporâneo, cujos apartamentos contam com o que ela chamou de ‘mobília espacial’. Estes contam com discretas camas, escrivaninhas, espaços de armazenamento, cozinhas e banheiros, fabricados em materiais especiais. O uso de um design específico para cada apartamento mantém o charme e a funcionalidade, delineando claramente o espaço entre o restaurado e o novo.

Cada um dos 98 apartamentos é único quanto a detalhes e tamanhos, mas eles compartilham o mesmo detalhamento de marchetaria

Cada um dos 98 apartamentos é único quanto a detalhes e tamanhos, mas eles compartilham o mesmo detalhamento de marchetaria

A reinvenção e a restauração do edifício existente foram guiadas por intensiva pesquisa da rare sobre os elementos originais de design e realizadas por numerosos profissionais altamente experientes, o que permitiu devolver o edifício à sua antiga e gloriosa grandeza, recuperando pisos de mármore, tetos ornamentalmente moldados, detalhes eduardianos e em art deco. Além das acomodações a rare também projetou uma piscina de 14 metros, revestida com titânio, no sub-solo, e restaurou as antigas Conference Room e Mayor’s Room para cumprir as funções de bar e restaurante na ala eduardiana do edifício. O bar e restaurante, chamado Viajante, é acessado pela Cambridge Heath Road, e mobiliado com peças exclusivas encomendadas pela rare e decorado com tapeçaria e lustres injetados com silicone, especialmente projetados em colaboração com o desenhista têxtil Tzuri Guetta.

rare architecture

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