TETO - Arquitetura Sustentável

O uso da madeira em tempos de sustentabilidade

Quando o tema da sustentabilidade entrou na pauta dos arquitetos mais conscientes, a utilização da madeira na arquitetura passou a ser encarada com certa desconfiança. Afinal de contas, poderíamos estar indiretamente contribuindo para o desmatamento de nossas reservas, indo enfim de encontro às agendas progressistas relacionadas com o nosso ecossistema.

Centro Cultural Jean-Marie Tjibaou. Nova caledônia. 1991-98. Arquiteto Renzo Piano.

Esta desconfiança, entretanto, é absolutamente injustificável. A madeira possui excelentes qualidades ambientais. Tem baixa energia incorporada, se comparada com o aço, alumínio e concreto. È, ainda, dentre os materiais utilizados na construção, o único renovável. Isto quer dizer, com a utilização do manejo florestal sustentável, a floresta de origem continuará oferecendo suas riquezas para as gerações futuras. O mesmo não se poderá dizer do concreto, pois seus componentes agregados, a areia e a pedra britada, são retirados da natureza e transformados de tal maneira que a ela não poderão voltar. Isto sem falar do cimento, grande consumidor de combustíveis fósseis, responsável por grande parcela das emissões de gás carbônico. Isto quer dizer, altíssima energia incorporada.

Casa Helio Olga, São Paulo, 1990. Arquiteto Marcos Acayaba.

Entretanto, talvez seja o fantasma do desmatamento de nossas reservas florestais, da exploração irracional, predatória e ilegal que assusta aqueles que desejam especificar a madeira em seus projetos. Afinal, o desmatamento é um dos grandes inimigos da sustentabilidade. Tem graves conseqüências além da perda direta dos recursos naturais, como a alteração climática, a extinção da biodiversidade, degradação do solo, influência nas águas, alterando o regime das enchentes, secas e erosões, provocando o deslocamento das culturais locais.

Casa Conversey. Grachaux, França. Arquitetos B. Quirot e O. Vichard.

Afinal de contas, historicamente, o Brasil tem o próprio nome ligado à extração predatória da madeira. Lembremos que ainda no primeiro século de vida, o país viu serem extintas as suas reservas de pau brasil, na Mata Atlântica, para fornecer corante para tecidos na Europa.

Casa Bandeira de Mello, Itu SP, 2003. Arquiteto Mauro Munhoz.

Um primeiro controle nos vem dos tempos do Império. A conhecida expressão “madeira de lei”, que em sentido amplo designa madeiras que, por sua qualidade e resistência, principalmente ao ataque de insetos e umidade, são empregadas em construção civil, naval, confecção de móveis de luxo, instrumentos musicais e artigos de decoração, tem origem remota, em uma lei imperial que, apesar de muito conhecida, não tem definição técnica. A Carta de Lei de 15 de outubro de 1827, incumbia aos juizes de paz das províncias a fiscalização das matas e zelar pela interdição do corte das madeiras de construção em geral, por isso chamadas madeiras de lei. A circular de 5 de fevereiro de 1858 designa as madeiras cujo corte era reservado, mesmo em terras particulares. Portanto, o corte de madeiras de construção, comumente denominadas madeiras de lei, estava interditado quer em terras particulares, quer em terras devolutas. A expressão madeira de lei chegou até nossos dias ainda como sinônimo de madeira de construção, civil e naval, ou seja, conforme o dicionário Aurélio: “madeira dura ou rija, própria para construções e trabalhos expostos às intempéries”. Madeira de lei pode, ainda, se referir àquelas madeiras de alto valor no mercado.

Casa Loblolly. Ilha Taylors, Maryland. Arquiteto Kieran Timberlake.

Há que considerar, porém, que a madeira utilizada para construção, seu uso mais nobre, é apenas uma parte das árvores abatidas nas nossas florestas, aproximadamente 30% do total de toras. 37% são consumidas como carvão vegetal e 17 % como lenha industrial, o uso mais servil. Lâminas e compensados são responsáveis por 7%.
Pode entretanto o arquiteto se precaver contra a utilização de madeira ilegal especificando, recomendando, exigindo, dependendo da etapa do empreendimento, madeira certificada, isto é, oriunda de processos sustentáveis de extração.
Mas o que é madeira certificada? É a madeira que possui um atestado de um órgão reconhecido que garante ser oriunda de um processo produtivo manejado de forma correta. A certificação serve também para orientar o consumidor ou empresário a escolher um produto diferenciado e com grande valor agregado, que contribui para o desenvolvimento social e econômico das comunidades florestais.

Casa Solare, Vale do Aosta, Itália, Estúdio Albori

Dentre os vários sistemas de certificação, o FSC (Forest Stewardship Council– Conselho de Manejo Florestal) é hoje o selo verde mais conhecido e aceito em mais de 75 países de todos os continentes. Este conselho foi criado como resultado de uma iniciativa para a conservação ambiental e desenvolvimento sustentável das florestas do mundo inteiro. Seu objetivo é difundir o uso racional da floresta, garantindo sua existência no longo prazo e certificar que o produto foi resultado de um manejo florestal sustentável.

Casa Península Vitória. Austrália. Arquiteto Sean Godsell.

Por sua vez, “manejo florestal sustentável” consiste em um controle rigoroso do processo extrativo da madeira. Começa com a seleção árvores a explorar: somente as árvores sadias, de diâmetro igual ou superior a 45 cm podem ser abatidas. As árvores remanescentes são reservadas para o ciclo de corte seguinte. Durante o corte, a queda da árvore é ajustada de maneira a evitar que ela venha a danificar outras. Estabelece-se também os ramais de arraste para levar as árvores extraídas até o pátio.
O tratamento pós-exploratório consiste nos cuidados com a área de onde foi retirada a árvore. São chamados tratamentos silviculturais. Consistem em limpeza, desbaste de árvores não comerciais, plantio de enriquecimento com espécies comerciais. Estes tratamentos podem aumentar significativamente o crescimento e valor das árvores, podendo mesmo até ser o crescimento duplicado. È avaliado também o impacto sobre a floresta remanescente e sobre o solo, o desperdício, e aplicadas medidas de proteção florestal, proibindo a caça, pesca e qualquer atividade extrativa. Incluem também o controle de incêndios e invasões. A infra estrutura estabelecida para o manejo, pátios, estradas primárias e secundárias, bueiros, pontes etc. fica como um acervo da região.

Escola Preparatória Elleray, Reino Unido, Rob Gaukroger

Parafraseando a anedota pecuária, que diz que do boi somente se perde o berro, da madeira não se perde nada. É um excelente material estrutural, que durante séculos foi o único que admitia o serviço de flexão, versatil e resistente material para acabamentos externo, utilizável em toras, tábuas, “shingles” e réguas; pode ser utilizado como material de cobertura, e é ainda é o mais belo e utilizado material de revestimento interno, em lambris de réguas e folheados. Com os devidos cuidados, pode o arquiteto desfrutar deste material, de sua beleza, de suas propriedades estáticas e de sua versatilidade, sem nenhuma culpa.

Observatório astronômico Kielder, Inglaterra, Charles Barclay

Fonte: http://ambientalistasemrede.org/o-uso-da-madeira-em-tempos-de-sustentabilidade/

“Floresta vertical” de Stefano Boeri se aproxima da conclusão em Milão

 

Notícias: um par de arranha-céus de Milão escritório Boeri Studio são em fase de conclusão na cidade italiana, com o maior número de árvores que podem ser plantadas em um hectare de floresta.

"Floresta vertical" de Stefano Boeri se aproxima da conclusão, em Milão

O estúdio liderado pelo arquiteto italiano Stefano Boeri surgiu com o conceito de Bosco Verticale, ou Floresta Vertical, como uma maneira de combinar de alta densidade desenvolvimento residencial, com o plantio de árvores em centros urbanos.

"Floresta vertical" de Stefano Boeri se aproxima da conclusão, em Milão

O projeto nasceu a partir deste conceito e está agora em fase de conclusão na área de Isola de rápido desenvolvimento do distrito de Porta Nuova, em Milão. Duas torres, com 80 e 112m de altura estão previstas para serem inauguradas ainda este ano e abrigarão cerca de 900 árvores.

"Floresta vertical" de Stefano Boeri se aproxima da conclusão, em Milão

“O projeto está definido para criar um novo padrão para a habitação sustentável”, disse a empresa de engenharia Arup, que está trabalhando ao lado de Boeri Studio para entregar o projeto.

“Como um novo modelo de crescimento para a regeneração do ambiente urbano, o projeto cria um habitat biológico em uma área total de 40.000m².”

"Floresta vertical" de Stefano Boeri se aproxima da conclusão, em Milão

Uma mistura de grandes e pequenas árvores foram plantadas em varandas em todos os quatro lados das torres, acompanhado por 5.000 arbustos e 11.000 plantas florais. O argumento da equipe de design é que estes irão absorver a poeira no ar, ajudando a despoluir a cidade.

“Este é um tipo de arquitetura biológica que se recusa a adotar uma abordagem estritamente tecnológica e mecânica para a sustentabilidade ambiental”, disse Boeri Studio, em um comunicado.

"Floresta vertical" de Stefano Boeri se aproxima da conclusão, em Milão

A vegetação diversificada irá fornecer habitats urbanos para pássaros e insetos, e também irá criar um micro-clima úmido que produz oxigênio enquanto sombreia as residências da luz solar direta.

“A criação de um número de florestas verticais na cidade será capaz de proporcionar uma rede de corredores ambientais que vão dar vida aos principais parques da cidade, trazendo o espaço verde de avenidas e jardins e conectar vários espaços de crescimento da vegetação espontânea “, disse o estúdio.

"Floresta vertical" de Stefano Boeri se aproxima da conclusão, em Milão

A fotografia é por Daniele Zacchi.

Aqui está uma descrição do projeto de Boeri Estúdio:


Bosco Verticale / Vertical Floresta

O projeto Floresta Vertical pretende construir torres de blocos de alta densidade de árvores dentro da cidade. O primeiro exemplo de uma floresta vertical está em construção em Milão, em área de Porta Nuova Isola, parte de um projeto de renovação maior desenvolvido pela Hines Italia com duas torres que estão a 80 metros e 112 metros de altura, respectivamente, e que será capaz de realizar 480 árvores de tamanho grande e médio, 250 árvores de pequeno porte, 11.000 plantas groundcover e 5.000 arbustos (o equivalente a um hectare de floresta).

A Floresta Vertical tem no seu cerne um conceito de arquitetura que desmineralize áreas urbanas e utiliza como forma de mudança o uso de folhas para suas fachadas, assim, a vegetação tem em si a tarefa de absorver a poeira no ar, e de criar um micro-clima adequado, a fim de filtrar a luz solar. Este é um tipo de arquitetura biológica que se recusa a adotar uma abordagem estritamente tecnológica e mecânica para a sustentabilidade ambiental.

"Floresta vertical" de Stefano Boeri se aproxima da conclusão, em Milão

Proposta de renderização

Habitats biológicos

Floresta Vertical aumenta a biodiversidade. Ela ajuda a criar um ecossistema urbano, onde diferentes tipos de vegetação criar um ambiente vertical, que também pode ser colonizada por pássaros e insetos, e, portanto, torna-se tanto um ímã para e um símbolo da recolonização espontânea da cidade por vegetação e pela vida animal . A criação de um número de florestas verticais na cidade será capaz de criar uma rede de corredores ambientais que vão dar vida aos principais parques da cidade, trazendo o espaço verde de avenidas e jardins e conectar vários espaços de crescimento da vegetação espontânea.

Atenuações

Floresta Vertical ajuda a construir um micro-clima e para filtrar partículas de poeira que estão presentes no ambiente urbano. A diversidade das plantas ajuda a criar umidade, e absorver CO2 e pó, produz oxigênio, protege as pessoas e as casas dos raios solares e da poluição acústica.

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Proposta de renderização

Anti-expansão

Floresta Vertical é uma medida anti-expansão que visa controlar e reduzir a expansão urbana. Se pensamos em termos de densificação urbana, cada torre da Floresta Vertical é equivalente a uma área de expansão urbana de casas de família e edifícios de até 50.000 metros quadrados.

Árvores

As árvores são um elemento-chave na compreensão de projetos de arquitetura e sistemas de jardim. Neste caso, a escolha dos tipos de árvores foi feita para se ajustar com o seu posicionamento sobre as fachadas e em termos da sua altura, e levou dois anos para concluir a par de um grupo de botânicos. As plantas utilizadas neste projeto serão produzidas especificamente para este fim e será pré-cultivada. Durante este período, essas plantas lentamente se acostumaram com as condições em que serão colocados com um micro-clima adequado, a fim de filtrar a luz do sol.

Floresta Vertical é um marco na cidade, que é capaz de lançar novos tipos de paisagens variáveis ​​que podem mudar sua forma em cada estação, dependendo dos tipos de plantas envolvidas. As florestas verticais vão oferecer uma visão de mudança da cidade metropolitana logo abaixo.

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Seção – clique para ampliar a imagem

Gestão

A gestão dos potes das árvores está sob regulação edifício, bem como a manutenção da vegetação e do número de plantas de cada pote.

Irrigação

Para entender a necessidade de água da planta para estes edifícios levou em conta a distribuição de plantas em vários andares e seu posicionamento.

Arquitetura: Boeri Estúdio (Stefano Boeri, Gianandrea Barreca, Giovanni La Varra)
Paisagem: Bosco Verticale Paisagismo (Emanuela Borio e Laura Gatti)
Desenvolvedor: Hines Italia

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Seções Concept – clique para ampliar a imagem

Supervisão de obras: Francesco De Felice, Davor Popovic
desenvolvimento do projeto: Gianni Bertoldi (coordenador), Alessandro Agosti, Andrea Casetto,
Matteo Colognese, Angela Parrozzani, Stefano Onnis
desenho esquemático e PII: Frederic de Smet (coordenador), Daniele Barillari, Marco Brega ,
Julien Boitard, Matilde Cassani, Andrea Casetto, Francesca Cesa Bianchi, Inge Lengwenus,
Corrado Longa, Eleanna Kotsikou, Matteo Marzi, Emanuela Messina, Andrea Sellanes

Estruturas: Arup Italia Srl
Instalações de design: Deerns Italia SpA
Projeto detalhado: Tekne spa
Espaço Aberto design: Terra srl
projeto Infra-estrutura: Alpina SpA
administração do contrato (DL): MI.PR.AV. srl

Projeto de residência unifamiliar na espanha recebe prêmio de eficiência energética

Autossuficiência energética, respeito ao meio ambiente e reciclabilidade

Residência foi dividida em duas alas para melhor aproveitamento energético

(crédito: Divulgação)

 

Os Prêmios Eficiência Energética Isover têm como objetivo principal contribuir diretamente pela promoção da aplicação de técnicas de economia energética nos projetos de reformas e novas construções. Partindo deste objetivo, na edição do ano de 2009, segunda edição destes prêmios, três obras arquitetônicas foram reconhecidas e premiadas. Ainda que fossem completamente diferentes em suas propostas arquitetônicas, compartilhavam de um mesmo denominador comum: a consideração dos critérios de eficiência energética na hora de planejar seus trabalhos.

O projeto de Javier Crespo Ruiz de Gauna, de ARKE Arquitectos, foi uma das obras premiadas. A residência unifamiliar se localiza em Lasarte, no setor 39 A de Vitoria-Gasteiz, na Espanha. O arquiteto tinha, no projeto, alguns requisitos iniciais que deram forma à sua ideia.

Por um lado tinha que satisfazer as necessidades de uma família com três crianças pequenas: com espaços para estudo e lazer, e a previsão de quartos individuais conforme forem crescendo, todos com saída direta para o jardim. Por outro lado, buscava-se uma fácil manutenção e mínima dependência energética, por meio de um bom isolamento e um sistema altamente eficiente e respeitoso com o meio ambiente. Além disso, a localização especial da residência, junto aos Montes de Vitoria, implicava em um projeto que respeitasse de forma especial o entorno.

 

Discreta, a casa não altera o perfil das colinas que a cercam (Javier Crespo Ruiz)

Neste sentido conseguiu-se um edifício com um alto grau de autossuficiência energética, onde os critérios de respeito ao meio ambiente, reciclabilidade e otimização dos recursos naturais para o conforto dos habitantes marcaram seu projeto e foram a base de sua construção. É uma residência discreta, que não altera o perfil das colinas que a cercam e respeita a paisagem.

Referente às soluções e estratégias técnicas adotadas para aumentar a eficiência energética do projeto, poderíamos falar de três considerações principais: a primeira é a orientação e disposição da construção no terreno. A casa se abre para o Sul buscando o sol e a paisagem. O terreno possuía, em seu centro, um poço agrícola, e por isso o projeto foi feito em forma de U, em volta deste poço. Assim formaram-se duas alas, Leste e Oeste, que permitem uma separação clara entre as zonas de dia e noite, tão importante no funcionamento diário de uma família com três crianças pequenas.O segundo quesito foi criar um edifício com a menor dependência energética possível. O sistema geotérmico permite o não uso de gás natural ou outros combustíveis fosseis, resultando em uma solução limpa e eficiente.

O terceiro aspecto foi o projetado propriamente dito da residência. A casa se abre para o Sul, o que possibilita uma maior proteção de suas fachadas mais expostas ao sol durante os meses do verão. Um amplo alpendre protege da incidência direta dos raios solares. Na janela da sala, vidros de baixa emissividade contribuem para diminuir o salto térmico entre o exterior e o interior, persianas com lâminas graduáveis preservam os dormitórios do sol direto e a cobertura vegetal contribui inercia e proteção térmica a toda a residência.

Na sala, vidros de baixa emissividade contribuem para reduzir os ganhos de calor (Javier Crespo Ruiz)

Por fim, foram utilizados materiais como a madeira, na fachada do volume principal (ala Leste) e nas esquadrias, com o cuidado referente à sua procedência e ao sistema de gestão florestal, certificações de origem e acabamentos com materiais naturais que a protegem da fotodegradação (a termoargila), que junto com os 9 cm de lã mineral em seus extradorsos conferem à fachada um bom coeficiente de transmissão térmica; além disso, o emprego de polietileno reticulado em vez do PVC e outros plásticos nas instalações do edifício, a recuperação das águas pluviais e a drenagem do terreno que, junto com a água do poço, são utilizadas para a irrigação do jardim e para as cisternas dos vasos sanitários.

Em relação ao tipo de construção da residência, a fachada ventilada é feita de madeira de cedro canadense tratada com vernizes naturais, uma câmara de ar, termoargila de 24 cm, o isolamento, painéis de dry-wall e pintura.

Painéis drywall e isolamento térmico (Javier Crespo Ruiz)

A cobertura plana é feita com plantas do tipo sedum, substrato vegetal, o isolamento, impermeabilização, o forjado de concreto, o isolamento perimétrico do forjado de cobertura, falso teto e pintura. As esquadrias de madeira são de lariço laminado tratado com vernizes naturais, com vidros de baixa emissividade.

O piso é feito de parquet flutuante de madeira de bordo, sobre manta acústica, colocado sobre o piso radiante e isolamento.

As fachadas foram revestidas com lã mineral da ISOVER ECO 90 e os tapumes interiores foram preenchidos com lã mineral da ISOVER arena 60. O forjado da cobertura foi isolado em seu perímetro, por sua face inferior, com uma camada deste mesmo produto com o intuito de minimizar a ponte térmica do canto do forjado.

Para concluir, nada melhor do que os comentários dos usuários da residência: “tendo passado um verão na casa, pudemos desfrutar de uma diferença de temperatura de 10° (31° no exterior/21° no interior) devido a sistemas passivos: inércia térmica da cobertura vegetal, isolamento das fachadas, vidros de baixa emissividade e lâminas de proteção solar. Ainda que no começo tenhamos cogitado a possiblidade de dispor do sistema HPAC, que mediante a inversão da bomba proporciona frio no verão, pela experiência deste ano não parece que isso será necessário.

 

Dados do projeto:

-Residência unifamiliar em Lasarte, setor 39 A de Vitoria-Gasteiz (Espanha)

-Arquiteto: Javier Crespo Ruiz de Gauna, ARKE Arquitectos

-Colaboradores: Nerea Olazabal Iriondo (promotora), CALESA Ingenieros (estrutura), NAPARTEC (instalação geotérmica), BELABIA (construtora), INTEMPER (cobertura vegetal), ISOVER (isolamento)

-Oscar Fernández García, aparelhador: direção da execução da obra

-Data de construção: março 2007 – abril 2008

-Superfície total: 290 m2 /350 m2

-Número de andares: térreo+semisotão

EMPREENDIMENTO PROJETADO POR AFLALO/GASPERINI ARQUITETOS TEM GENEROSA ÁREA VERDE COMO DIFERENCIAL

 

Aflalo/Gasperini arquitetos:  Morumbi Corporate, São Paulo

DUAS TORRES CORPORATIVAS DE ALTO PADRÃO DEFINEM O MORUMBI CORPORATE, EMPREENDIMENTO PROJETADO POR AFLALO/GASPERINI ARQUITETOS. O DESENHO LANÇA MÃO DE VAZIOS QUE GARANTEM A PERMEABILIDADE VISUAL E, INTEGRADO, O PAISAGISMO DE UMA GENEROSA ÁREA VERDE, AGRADÁVEL PARA QUEM TRANSITA PELA RUA

Em meio de um conjunto de torres de escritórios, a permeabilidade visual entre os edifícios permite enxergar além dos embasamentos e avistar cenários que ultrapassam a margem oposta do rio Pinheiros. Essa é uma das principais características do Morumbi Corporate, empreendimento de alto padrão e vizinho do Rochaverá, também projetado por aflalo/gasperini arquitetos (leia PROJETODESIGN 350, abril de 2009). Além da autoria arquitetônica, as duas obras compartilham conceitos de urbanidade, tais como calçadas largas, ausência de gradis no limite com as vias urbanas e áreas externas de caráter semipúblico.

De início, a intenção da incorporadora era construir um edifício corporativo para locação e um prédio com escritórios de cerca de 50 metros quadrados para venda. “Porém, as demandas de mercado apontaram para as grandes lajes e a proposta foi revista, dando origem a duas torres corporativas”, afirma Luiz Felipe Aflalo Herman, um dos autores do projeto. A mais baixa, a Diamond Tower, tem 17 pavimentos e lajes quadradas de 48 x 48 metros, resultando em 2,3 mil metros quadrados de área bruta e 2 mil metros quadrados de área locável. A Golden Tower tem 25 pavimentos e lajes retangulares com 46 x 35 metros, o que significa 1,6 mil metros quadrados de área total e 1,4 mil metros quadrados para locação. Ambas são interligadas pelo embasamento elevado que forma uma praça de convivência com 11,8 metros de altura, 900 metros quadrados de área verde, teto retrátil e fachadas envidraçadas com face frontal suavemente curva. Há ainda quatro subsolos e três sobressolos de garagens.

A torre mais baixa está disposta perpendicularmente à rua, assim como o vizinho Rochaverá, enquanto a mais alta está alinhada com a via. As fachadas em sistema unitizado combinam diferentes vidros transparentes para definir as texturas de cada prédio. Ambos possuem faces que se destacam para formar os pórticos que respondem pelo coroamento e pela moldura dos volumes, e apresentam marcação horizontalizada em granito com a finalidade de, mais uma vez, buscar o diálogo direto com o Rochaverá. Para acentuar a verticalidade, a fachada do tipo cortina de vidro emprega um material em versão ainda mais transparente e com brilho diferenciado, permitindo a visualização dos interiores e contribuindo para dar mais leveza e elegância às construções. “Trabalhamos com vidro de alta performance e menos espelhado da nova geração low-e, que deixa entrar mais luz e menos calor”, detalha a arquiteta Grazzieli Gomes, diretora do projeto.

 

Na torre maior, o recorte da fachada marca exatamente a altura do edifício mais baixo, estabelecendo um referencial. Recurso semelhante já havia sido utilizado pelos arquitetos para identificar os dois níveis de baldeação dos elevadores no prédio que concentra os escritórios da Odebrechet em São Paulo (leia PROJETODESIGN 405, novembro de 2013). Uma grande marquise com estrutura metálica e fechamento de vidro protege os acessos, em especial contra a água da chuva que escorre pela superfície das fachadas.

Sob a praça estão um porte-cochère, o hall do espaço de convenções e a escada rolante que leva à área de convivência, onde estão distribuídos pontos de alimentação, cafeteria e um pequeno auditório de uso coletivo que pode ser subdividido em até três salas de reuniões. Dois pavimentos de cada prédio têm janelas voltadas para essa praça e desfrutam da vista para as árvores. Como o espaço utiliza ar-condicionado, foi previsto o teto retrátil, aberto durante a noite para que a vegetação receba ar natural. Além disso, há a irrigação automatizada das plantas ao longo do dia.

Os halls de acesso dos dois edifícios repetem o pé-direito da praça e possuem fechamento envidraçado autoportante, sem estrutura metálica. O projeto especificou o uso de vidro clear, de extrema transparência, característica que o torna quase invisível e dissolve os limites entre áreas internas e externas, dando a ideia de um espaço único. A madeira, mesclada ao granito no piso, é utilizada também em composições com luminárias lineares no forro e nas paredes.

A altura piso a piso é de 3,96 metros nas duas torres, com 2,80 metros de pé-direito. O empreendimento possui pré-certificação Leed Gold e atende aos requisitos sustentáveis da categoria, como reúso de águas pluviais em bacias, mictórios e irrigação, válvulas dual flush, torneiras econômicas, aproveitamento de energia dos elevadores e iluminação de baixo custo.


aflalo/gasperini arquitetos
Gian Carlo Gasperini é formado pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil (atual UFRJ) em 1949 e doutor pela FAU/ USP em 1973. Roberto Aflalo Filho graduou-se pela FAU/USP em 1976 e concluiu mestrado na Universidade Harvard em 1980. Luiz Felipe Aflalo Herman formou-se na Faculdade de Arquitetura da Universidade Brás Cubas em 1978. Os três são titulares do escritório aflalo/gasperini arquitetos, sucessor de Croce, Aflalo & Gasperini Arquitetos, fundado em 1962

Ficha TécnicaMorumbi Corporate
Local São Paulo, SP
Data do início do projeto 2008
Data da conclusão da obra 2014
Área do terreno 19.700 m2
Área construída 135.200 m2
Arquitetura aflalo/gasperini arquitetos – Luiz Felipe Aflalo Herman, Roberto Aflalo e Gian Carlo Gasperini (autores); Grazzieli Gomes (diretora); Milene Sabbag Abla e Tânia Yang (coordenadoras); Ana Carolina Neves Pinheiro, André Navarro, Arnaldo Razzante, Arthur Moniz, Caio Vinícius Corrêa, Cristiana Rodrigues, Daniel Braz de Medeiros, Daniela Mungai, Danielle Gomes, Eder Fábio, Eduardo Babadopulos, Eduardo Mizuka, Fábio de Bem, José Messias da Silva, Lígia Meirelles, Marcelo Yukio Nagai, Marina Mermelstein, Mário de Bem, Mônica Rodrigues, Natasha Taylor, Natércio Cortês, Patrícia N. Rodrigues Peselli e Yuri Vital (arquitetos)
Estrutura JKMF
Paisagismo Soma+Arquitetos
Construção Racional
Consultorias Teknika (ar condicionado); ­Soeng (instalações); Studio Ix (luminotécnica); QMD (caixilharia); Conam (ambiental)
Incorporação Multiplan
Fotos Ana Mello

FornecedoresEngemix (concreto)
Gerdau (aço)
JB (blocos de concreto)
Holcim, Nassau, Lafarge (cimento)
Votorantim (argamassa)
Eliane (revestimentos cerâmicos)
Granos, Michelangelo (mármores e granitos)
Restaura 10 (piso de basalto)
Knauf (painéis de fechamento)
Heloyn (portas)
Forteferr (janelas de ferro)
Glassec (vidros)
Coral, Suvinil (tintas e vernizes)
Phelps Dodge (fios e cabos)
Tigre, Saint-Gobain, Alvenius (tubos e conexões)

6 ESPÉCIES DE PLANTAS IDEAIS PARA UM TELHADO VERDE

O telhado verde é uma técnica arquitetônica antiga que consiste no uso de vegetação nas coberturas de casas e edifícios. Esses jardins suspensos são importantes e trazem diversos benefícios para toda a comunidade. Dentre eles: Melhoria na temperatura local, diminuição da poluição do ar, sonora e visual e manutenção da biodiversidade urbana.

Se você já possui seu telhado verde, confira as dicas de espécies para sua cobertura ficar ainda mais bonita e sustentável.

1. Capim-chorão (Eragrostis curvula)
Gramínea muito rústica e quase sem exigências de cultivo, deve ser mantida com até 50 cm de altura.

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2. Erva-gorda (Sedum multiceps)
Todas as plantas do gênero “sedum” são boas para teto verde. Suculentas, resistem a solos rasos.

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3. Capuchinha (Tropaeolum majus)
Herbácea comestível sem exigência quanto ao solo: pode se comportar como forrageira.

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4. Rabo-de-gato (Acalypha reptans)
Rasteira leve e ornamental que suporta bem o sol, mas não é aconselhada para locais onde ocorre geadas.

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5. Mal-me-quer (Wedelia paludosa)
Excelente para dar estabilidade a telhados muito inclinados: resistente a extremos de umidade.

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6. Esmeralda (Zoysia japonica)
Grama de efeito atapetado com baixa necessidade de poda; e contém o avanço de ervas daninhas.

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Fontes: Revista Construir Mais por Menos n.20 JUL/2012 e Ideias Green

http://arquiteturasustentavel.org/6-especies-de-plantas-ideais-para-um-telhado-verde/

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