TETO - Arquitetura Sustentável

Arquitetos e o mercado imobiliário

Artigo escrito por Eduardo Andrade de Carvalho  tem como tema o papel dos arquitetos diante do mercado imobiliário.

Publicado na revista AU n.205/abril 2011.


O futuro dos edifícios residenciais e comerciais e o papel dos arquitetos em seu desenho


O mercado imobiliário brasileiro, desde meados dos anos 2000, está em boa fase. Foram lançadas no município de São Paulo, segundo a Embraesp, em estudo apresentado pelo Secovi-SP, 24,2 mil unidades residenciais por ano, em média, na primeira metade da década; de 2006 a 2010, essa mesma média subiu para 33,6 mil unidades. Ou seja: são 40% mais unidades residenciais por ano em São Paulo na segunda metade dos anos 2000, em comparação com a primeira. Com maior ou menor intensidade, o fenômeno se repetiu pelo País.

O mercado imobiliário costuma ser conservador e em geral é muito prático com relação à arquitetura. Não foi – ou não está sendo – diferente nesse período de expansão. Existem alguns motivos. Um empreendimento imobiliário é um negócio de capital intensivo, submetido a uma regulamentação complexa e que corre contra o tempo. Um pequeno erro no projeto pode inviabilizar uma obra; a interpretação errada da legislação pode atrasá-la indefinidamente. O incorporador precisa controlar todos os riscos do projeto que desenvolve: e uma forma de controlar riscos é centralizar trabalhos terceirizados em fornecedores com experiência no ramo e em que confia.

Isso foi o que aconteceu, de certa forma, com os projetos arquitetônicos contratados pelas incorporadoras nesse período. Antes de 2006, quando essa retomada começou, alguns arquitetos já estavam acostumados a atender o mercado imobiliário: entendiam a legislação, tinham uma equipe organizada e relativamente grande, conheciam pessoalmente os donos das construtoras. Ou seja: supostamente estavam mais bem preparados para atender as incorporadoras, que não paravam de crescer. Em alguns escritórios, foram montadas praticamente linhas de produção de projetos, que se repetiam e se espalharam por cidades como São Paulo.

O volume do que o mercado imobiliário produziu nos últimos cinco anos foi alto; qualitativamente, porém, pouca coisa interessante apareceu. Viu-se muita fachada neoclássica nitidamente fora de escala, inclusive em empreendimentos de alto padrão; acabamentos se esforçando para parecer ser o que não são; muros enormes fechando ruas, que dessa forma tendem a ter problemas de segurança; para não falar em guaritas fora do lugar, vagas mal-distribuídas, detalhes mal- encaixados. O incorporador evitou alguns riscos; e outros problemas – não só estéticos – apareceram.

Estamos passando por um momento, acredito, de transição. Com empreendimentos prontos, está mais fácil separar a boa arquitetura do que foi feito sem cuidado, simplesmente para fazer volume, nesse período. Porque há exceções.

Em um mercado dominado por produtos parecidos, com nomes parecidos, alguns incorporadores e arquitetos trabalharam para desenvolver projetos inteligentes, com senso estético e preocupação com o entorno. São empreendimentos que agora, prontos, são inclusive alugados ou vendidos por preços consideravelmente mais altos do que seus concorrentes.

Um bom exemplo é o Brascan Century Plaza, no Itaim, projetado por Königsberger Vannucchi, que abriu uma parte do terreno para a cidade, criou uma praça na região e é um sucesso comercialmente. Os dois empreendimentos Arte Arquitetura, do Rocco & Associdados, um no Itaim e outro nos Jardins, que abrigam, respectivamente, uma escultura dos Irmãos Campana e um painel do Antônio Peticov, são extremamente bem vendidos ou alugados hoje. E os edifícios incorporados pela Idea Zarvos/Movimento Um – que desenvolvem projetos com escritórios como Nitsche Arquitetos, Isay Weinfeld e FGMF – são concorridos nos lançamentos.

De um lado, portanto, parece que os clientes mais educados estão cansados de projetos fracos e repetidos – e estão dispostos a pagar mais por um projeto melhor pensado. De outro, uma nova geração de arquitetos brasileiros – muitos com passagens pelas melhores universidades e escritórios do mundo – está perdendo o preconceito com relação ao mercado imobiliário (que não é sinônimo de especulação imobiliária) e se dedica a entender como ele funciona. Um empreendimento economicamente rentável não precisa de um projeto fraco nem agressivo urbanisticamente. Aliás, é a cada dia mais inimigo deles.

Entender que um edifício desenvolvido por uma incorporadora precisa ser necessariamente viável do ponto de vista financeiro é, portanto, o primeiro passo para que o bom arquiteto estreite a conversa com o incorporador. A verdade, que às vezes dói, é que – como o skyline das maiores cidades brasileiras atesta – um edifício com excelente arquitetura pode deixar de ser construído por ser inviável financeiramente, mas certas aberrações arquitetônicas não deixaram de ser construídas se financeiramente fecharem a conta.

De 2005 para cá, com algumas exceções, o mercado imobiliário brasileiro não se destacou por ter trabalhado ao lado dos melhores arquitetos brasileiros. Mas cada vez mais os clientes viajam, estudam e reconhecem o valor da boa arquitetura contemporânea – que tem novos e bons representantes no Brasil. Com o mercado em expansão, edifícios serão exigidos e construídos de qualquer forma. Que seja então da melhor forma.

Eduardo Andrade de Carvalho é sócio da Moby Incorporadora e administrador de empresas formado pela EAESP/FGV.

Leia aqui uma matéria publicada na revista PROJETODESIGN (Edição 353 Julho de 2009) discorrendo sobre a nova cara dos empreendimentos residenciais em São Paulo.

Colégio Portinari Limeira – Laboratório Natural

 

Projeto: Christiane Pompeo e Paulo Trigo

Trabalho realizado para uma escola privada em Limeira, trata-se de um complexo arquitetônico-paisagístico que fará parte do processo pedagócico do colégio, denominado “Laboratório Natural”.

Na proposta pedagógica desse espaço, os alunos têm contato com um ambiente natural projetado, incitando a curiosidade e compreensão do meio-ambiente. Esta metodologia, já aplicada no colégio, agora conta com um espaço arquitetado especialmente para este fim, em que serão trabalhadas questões ambientais e sócio-ambientais, utilizando-se como referência a convivência entre animais e plantas, e a atuação do homem neste meio.

 

O projeto, feito em co-autoria com a arquiteta-paisagista Christiane Pompeo, conta com:

  • 3 lagos, para contemplação e abrigo de quelônios, patos e peixes;
  • um viveiro de aves;
  • um templo ecumênico;
  • um teatro de arena, que servirá de palco para reuniões, apresentações e aulas de sociologia em ambiente aberto.

 

No tratamento da pavimentação do percurso foram empregados materiais com tato e características distintas. O intento é fazer com que os usuários do espaço vivenciem não apenas uma experiência visual, mas também sensorial, ao fazerem o percurso descalços. O tratamento paisagístico faz sempre alusão ao tipo de piso do percurso:

Para ilustrar, ao caminhar sobre mosaico de pedras portuguesas – pavimento utilizado no calçamento de áreas urbanas – existem árvores e postes de iluminação típicos de nossas praças;

Onde existem pedras pontiagudas, que causam desconforto ao caminhar, estão as cactáceas e plantas desérticas;

Logo em seguida, se caminha sobre um manto de grama, com plantas aquáticas e tropicais no seu entorno. Então tem-se um “choque”, do trecho seco e desconfortável para o úmido e agradável.

Esta exploração sensorial está aplicada em todos os percursos. A organização dos espaços, recantos, vegetação e fauna auxiliam na proposta pedagógica do Colégio. O Laboratório Natural é palco para aulas de ciências, biologia, sociologia e ecologia.

 

 

 

 

Visita à FIMMA-Bento Gonçalves/RS

Visita à FIMMA-Bento Gonçalves/RS

(Feira Internacional de Máquinas, Matérias Primas e Acessórios para a Indústria Moveleira)

Realmente, minha visita a esse evento merece ser compartilhada aqui.

Primeiramente por se tratar de um grande encontro da indústria, mas também para poder, sucintamente, descrever o quanto aquela região é próspera e como fiquei impressionado com a vida daquela gente.

Bento Gonçalves, uma cidade de pouco mais de 100mil habitantes carrega uma cultura, história e prosperidade de causar admiração.Tive a sorte de acompanhar um amigo do ramo moveleiro nessa visita, e pude ver de perto como esse setor se desenvolve.

Vale lembrar que hoje, com a evolução dos equipamentos, a indústria moveleira move muito mais que madeiras e seus derivados. Vidro temperado, perfis de alumínio, sistemas de correr, dobradiças e uma infinidade de peças altamente desenvolvidas compõem esse conjunto de itens que equiparão nossas cozinhas, dormitórios, escritórios, enfim.

Mas o que realmente me chamou a atenção foi a paixão com que essa gente toca seus negócios. Negócios muitas vezes familiares, mas conduzidos com afinco, respeito e dedicação. Sabemos que essa cultura é corrente no povo do Sul, pois são quase bairristas. E talvez precisemos de um pouco desse orgulho para sermos mais responsáveis com nossas coisas. Voltei desta viagem comovido com as pequenas cidades, as casas de pedra e madeira, a natureza exuberante que comporta o pólo de desenvolvimento Gaúcho. Incrustadas na Serra, existem empresas de onde brota orgulho e desenvolvimento.

Experiências de intercâmbio-Paulo Trigo Ferreira

Experiências de intercâmbio

Como estudante do quinto ano do curso de Arquitetura e Urbanismo na École Nationale Supérieure d’Architecture de Paris-Belleville, tive a oportunidade de cursar as disciplinas que permitem o ingresso ao PFE (Project Fin d’Études), ou “diploma francês”. Estas disciplinas são o “Studio” (ou projeto) e o “Séminaire” (monografia).

Assim, escolhi os temas de “La Tour Métropolitaine” e “Pérennité et Obsolescence du Mouvement Moderne” como temas, respectivamente. Interessante observar como nas disciplinas de Studio o nome do professor toma mais destaque que o próprio tema do projeto, evidenciando o peso que o educador tem como verdadeiro orientador nestes casos. Assim, o Studio que cursei era simplesmente conhecido como “Studio Michel Kagan”. Uma figura polêmica e muito forte nas suas posições, criando por diversas vezes incompreensão por parte dos alunos na medida em que não entendiam o claro posicionamento pessoal deste ao avaliar os projetos. Particularmente, alunos brasileiros foram muito bem vistos nesta disciplina, uma vez que nossa forte influência do modernismo na graduação por aqui estava em acordo com o gosto pessoal e linha de projeto deste professor, Michel Kagan.

O método projetual baseado em estudos através de modelos ou maquetes desde o início foi algo totalmente novo e enriquecedor para mim, verificando-se a importância que nossa intervenção criaria na volumetria da escala urbana do projeto. Evidenciando a forte preocupação dos franceses com a co-relação das intervenções urbanas contemporâneas na cidade de Paris.

Para a monografia, tive a oportunidade de estudar o edifício sede do Partido Comunista Francês, projeto de Oscar Niemeyer e Jean-Maur Lyonnet, em Paris. Na ocasião, pude entrevistar o arquiteto francês em seu escritório em Paris, conversando sobre sua colaboração com o mestre brasileiro, a aceitação do público para um edifício tão distinto formalmente ao padrão parisiense e as implicações construtivas, como ocupação do terreno e relação com os edifícios residenciais vizinhos. Ainda nesta disciplina de séminaire, fizemos uma viagem didática à Copenhagen, onde pudemos ver em campo o emprego de alta tecnologia e pré-fabricação dos edifícios residenciais contemporâneos dinamarqueses. Também nesta ocasião, tive a sorte de poder visitar, juntamente de um morador, o edifício “Turning Torso”, projeto do arquiteto e engenheiro catalão Santiago Calatrava. Poder ver de perto uma obra monumental como esta, e tento como guia alguém que realmente habitava aquela realidade foi fundamental para entender a magnitude de uma obra do tipo. Seja em seus aspectos positivos, seja em suas carências.

Paralelamente à estas disciplinas integrantes ao PFE, também cursei a optativa “atelier bois”, em que pudemos construir pequenos mobiliários em madeira, técnica que julgo de grande importância para o “tato” do arquiteto com os materiais construtivos. A técnica de execução de maquetes, diga-se de passagem, é algo que trabalha-se muito bem na EESC-USP, apesar da escassez de maquinário e precariedade de materiais que dispomos no laboratório de maquetes. No entanto, essa escassez de recursos, tão divergente à riqueza e abundância no caso francês, não deixa de maneira alguma a desejar na qualidade extraordinária dos trabalhos que realizamos no Departamento de Arquitetura e Urbanismo.

Ainda no primeiro semestre, e durante toda minha participação no intercâmbio, realizei o “stage de formation pratique”, no atelier de Nicolas Bual, um jovem arquiteto parisiense com quem tive a enorme felicidade de muito mais que estagiar, criar grandes laços de amizade que me permitiram não só conhecer sobre arquitetura, construção e mercado imobiliário, mas da verdadeira cultura vernacular francesa, ocasião em que visitei o que chamam de “France profonde”, o interior agrícola francês.

Já no segundo semestre, além de continuar com o estágio, fui aluno ouvinte para o PFE, conciliado com meu TGI do Brasil. Tive a oportunidade de visitar e estudar o Fórum de Lyon, projeto de Yves Lion e Alan Levitt, onde passei três dias e obtive importantes referências que muito me auxiliaram no projeto de Fórum de meu trabalho final de graduação no Brasil, intitulado “Requalificação do Paço Municipal-Fórum de Limeira”.


Em suma, o que posso dizer desta experiência acadêmica vivenciada por nós, intercambistas, é que o aprendizado formal cumpre apenas parte da de nossa formação. O cotidiano, as influências culturais que obtemos através das novas amizades e as oportunidades de viagem são um regalo de valor inestimável. Em meu caso, ilustro como exemplo minha participação no “Congresso Mundial de Arquitetura de Turin”, ocasião em que precisei escolher entre entregar meu PFE ou ir à Itália. E somente naquela semana, imerso entre referências mundiais de arquitetura, nomes que estudamos na faculdade e seus projetos mais recentes apresentados ali, diante de nossos olhos, ao vivo, aprendi coisas que anos de leitura não seriam capazes de instruir.

Paulo Trigo Ferreira

Arquitetura da felicidade

Por Luis de Garrido
doutor em Arquitetura e Informática e mestre em Urbanismo, além de
presidente da Asociación Nacional para la Arquitectura Sostenible (ANAS), da
Espanha.

Em
http://www.anabbrasil.org/artigos.asp?id_art=27&action=v_art

…esse teste mostra a importância que os nossos pensamentos têm no nosso comportamento. Assim, pensamentos positivos fazem com que nós nos comportemos de uma forma que, como resultado, permita-nos ter mais êxitos na busca pelos nossos objetivos. Ou seja, nós podemos atrair aquilo que pensamos continuamente. Se pensarmos em felicidade, temos felicidade. Se
pensarmos em riqueza, obtemos riqueza. Se pensarmos em saúde, teremos saúde. Simples assim.
Mas eu sou um arquiteto, entre outras coisas, e, portanto, não posso evitar vincular qualquer experiência que tenho com Arquitetura. E ao relacionar “ley de la atracción” com a arquitetura, devo admitir que me senti extremamente preocupado. Mas, ao mesmo tempo, orgulhoso. Fiquei muito preocupado, pois me dei conta que a arquitetura comumente utilizada em nossas casas não estimula a adoção de pensamento positivos e alegria.
Pelo contrário, por várias razões muitas pessoas não se sentem confortáveis, saudáveis ou felizes nas casas que compram. Os seres humanos gastam uma média de 98% do tempo em ambientes fechados. Portanto, aquilo que sentimos e pensamos sobre estes espaços será o que condiciona nossos objetivos vitais. Neste sentido, a Arquitetura se torna uma caixa ressonante dos nossos pensamentos, desejos e emoções. Portanto, o tipo de habitação atual
(creio não ser necessário uma listagem das muitas deficiências e reclamações que todos fazem) não é o mais conveniente para promover nossos objetivos, incluindo a nossa saúde e felicidade. Quando compramos uma casa ou encomendamos a um arquiteto, normalmente, somos pouco exigentes. Realmente pouco. E o mais engraçado é que o que estamos comprando tornar-se-á a caixa de ressonância que nos permitirá alcançar objetivos, saúde e felicidade. Compramos como se fosse um negócio, e só olhamos para trivialidades de pouco valor (cor das portas, bancada da cozinha, tipo de solo etc). No entanto, não temos conhecimento das características que devem ter nossas casas e locais de trabalho, para que nos sintamos realmente bem, e assim gerar uma grande quantidade de pensamento positivo que nos levará a alcançar nossos objetivos acalentados. É evidente que, em apenas algumas linhas, não é possível enunciar e contrastar as funcionalidades que deve ter uma verdadeira “arquitetura da atração” (“arquitectura para la felicidad”). No entanto, me atrevo a apontar um conjunto de qualidades essenciais para isso. Poderíamos encontrar mais algumas, mas, sem dúvida, estas são indispensáveis:

1. Iluminação natural

Existe uma extensa literatura mostrando que um ambiente de iluminação natural produz muito mais bem-estar e saúde. Por isso, as casas devem ser concebidas de tal forma que a luz natural atinja todos os ambientes (sem exceções), enquanto haja luz solar, possa se desenvolver qualquer tipo de atividade em qualquer lugar da casa, sem necessidade de iluminação artificial.

2. Transpirabilidade (ventilação natural continuada)
Quando alguém examina todos os agentes patogênicos de uma casa (causadores da síndrome do edifício doente), percebe-se que um dos métodos mais eficazes para alcançar um maior bem-estar é a ventilação natural. Pois bem: a melhor maneira de obter uma ventilação natural contínua (sem perdas energéticas) é adotando paredes porosas. Tal como a nossa pele ou nossas roupas, os seres humanos devem transpirar pela pele dos seus lares para garantir saúde, bem-estar e felicidade. Por isso, todos os materiais empregados devem ser transpiráveis, permitindo a passagem do ar, mas não da água. Infelizmente, a grande maioria dos materiais normalmente utilizados nas paredes exteriores não é respirável (tinta plástica, isolamentos habituais, argamassas com resinas etc). Isso manifesta uma sensação de “afogamento”, que nos obriga a abrir janelas continuamente (com o consequente desperdício de energia e perda de bem-estar) ou simplesmente fugir de casa.

3. Simplicidade tecnológica
Após 20 anos de experiência profissional e de ter utilizado as mais altas tecnologias em casas, percebi que quanto mais dispositivos na casa, pior nos sentimos. E se os dispositivos tiverem necessidade de manutenção mais cedo
ou mais tarde eles quebram. Com isso, chegam alterações de caráter, instabilidade e perturbações nervosas. Ou seja: quanto mais simples, quanto menos tecnologia tiver um edifício, menor serão os problemas e melhor nos sentiremos. Os únicos dispositivos que tenho na minha casa são: uma geladeira, uma máquina de lavar roupa, um fogão (não tenho forno pois quando usado consome muita energia), um telefone, duas torneiras eletrônicas, computador e uma TV. Não tenho mais nada e nunca terei mais.

4. Alto nível de “naturalidade” nos materiais
Outra coisa que aprendi com a minha experiência é que todos os componentes de uma casa devem ter tido o mínimo de manipulação possível. Isto garante a melhor utilização dos recursos, diminuição da produção de resíduos e menor consumo energético. Mas, além disso, proporciona bem-estar. Um exemplo ajuda a explicar esta regra geral: é bem melhor utilizar tábuas de madeira serrada e embebidas em óleo vegetal que usar madeira com todos os tipos de tratamentos, proteções e vernizes. Este segundo tipo de madeira pode conter muitas substâncias tóxicas, não tem capacidade de auto-regulação da umidade e não cheira nem é percebida como madeira. Cada material tem sua particularidade, e essa natureza (natureza dos materiais) deve ser respeitada

5. Desenho arquitetônico simples e não monótono
Nos últimos cinco anos, a minha linguagem arquitetônica tem evoluído muito e isso me permite deixar as casas muito mais interessantes. O objetivo global é obter alguns espaços e formas simples, mas que mudem constantemente, à medida que se movem seus ocupantes (dentro da casa e em torno dela). Assim, as casas têm sempre reservada uma surpresa para os moradores, uma vez que eles podem encontrar um jogo de formas diferentes, dependendo do ponto de vista. As casas não devem aborrecer e sim convidar os ocupantes para que desfrutem dela.

6. Cores adequadas
As cores (radiação solar polarizada) têm enorme importância na saúde e bem-estar dos indivíduos. Portanto, as nossas casas deveriam parar de adotar a monotonia do branco nas paredes e tetos e os monótonos azulejos de banheiros e cozinhas. As cores e os materiais utilizados devem ser escolhidos com muito cuidado. Isto nos fará muito mais felizes em cada momento da nossa existência.

7. Sensação de segurança e intimidade
Cada dia esse ponto se faz mais importante para alcançar nossa felicidade, porque cada dia temos mais ataques à nossa privacidade e à nossa segurança. Nas aldeias rurais se alcançou um equilíbrio entre liberdade-privacidade e liberdade-segurança, mas nas cidades, muitas vezes, ganha-se a liberdade e a privacidade em troca de não ter vida social (não queremos que ninguém interfira em nossas vidas) e não ter segurança (o nosso vizinho não está interessado). Como resultado, temos uma felicidade perdida. Bem, já algum tempo tenho conseguido fazer um tipo de habitação em que seus ocupantes podem desfrutar plenamente da natureza e podem se sentir muito seguros. Tudo isto faz com que meus clientes atinjam o equilíbrio desejado e o ambiente certo para alcançar a felicidade.

8. Variabilidade térmica sazonal
A nossa sociedade de novos-ricos nos torna cada vez mais longe dos ciclos vitais da natureza. Saímos das nossas casas com ar condicionado para entrarmos em um carro com ar condicionado, ir ao trabalho com ar condicionado, comer num restaurante com ar condicionado e ir ao cinema com ar condicionado… Resumindo, chegamos em casa à noite sem saber que dia tem feito (o homem do tempo precisa nos dizer). Este modo de vida ridículo é responsável por grande parte do nosso mal-estar porque cada vez mais toleramos menos as variações térmicas naturais, nos tornamos mais irritados, prejudicando gravemente a nossa felicidade. Por isso recomenda-se viver numa casa bioclimática. Uma casa bioclimática nos mantém frescos no verão sem prejudicar a nossa saúde e quente no inverno (sem calefações caras e com pouca energia consumida) de uma forma natural. Ao sair da casa, nós podemos simplesmente remover o vestuário ou colocá-lo. Devemos notar algo frio no inverno e calor no verão para nos sentirmos ligados à natureza. Então seremos mais felizes (e teremos economizado 90% dos custos).

9. Manutenção mínima
Estou bem ciente de que uma casa está a serviço do homem e os homens devem apreciá-la. Por isso, é importante que se tenha alguma cumplicidade nas tarefas de limpeza, cuidados com o jardim, pequenas reparações, nada mais que isso. Algumas casas têm tanta tecnologia experimental que mantêm seus ocupantes em um estado de semi-escravidão
ou simplesmente não funcionam (todas as casas domóticas fazem isso e ironicamente vendem essa tecnologia de automação com a desculpa de dar liberdade). É importante utilizar materiais sem manutenção (esqueçamos de
uma vez os vernizes nas madeiras), reduzir a quantidade de tecnologia nas nossas casas e estudar cuidadosamente sua concepção e design. Desta forma, seremos mais livres e felizes.

Posso assegurar que cumprir todos os pontos acima é uma tarefa simples desde que se tenha os conhecimentos adequados, e, naturalmente, vontade de fazer. Se a sua escolha for correta, você terá uma maravilhosa
caixa ressonante que irá gerar pensamentos positivos que permitirão a você conseguir aquilo que quer na vida e ser feliz.

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