TETO - Arquitetura Sustentável

Isay Weinfeld fala sobre o envolvimento entre arquiteto e cliente

Apesar da fama e dedicação intensa à profissão, Isay Weinfeld diz que a arquitetura tem importância relativa em sua vida
De tudo, um pouco: sem fórmulas prontas, Isay Weinfeld está sempre em busca de projetos que o desafiem – o que justifica um currículo diversificado com programas que vão de discoteca a hotéis e livrarias, passando pelas residências. Diversidade que também extrapola a arquitetura, e permite que seu talento esteja registrado no cinema, na cenografia e em exposições

Enveredou-se também pela cenografia e assinou exposições na capital paulista. Mas é na arquitetura que hoje se expressa com mais frequência, e busca cotidianamente seus desafios e sua felicidade. Sim, porque como Isay mesmo diz, “estou aqui, momentaneamente nessa vida, como todos nós estamos, para tentar ser feliz”. E é o que tenta fazer com seu trabalho: tirar a sisudez característica de uma arquitetura que se pretende ser importante, e oferecer um pouco de humor e surpresa a quem habita seus projetos. Não um humor sinônimo de sorriso escrachado, “mas o riso que provoca reflexão”, adverte.

 

 

Como é o processo de concepção de projeto em seu escritório? Você está presente em todos os projetos?

Não pego trabalho para outras pessoas fazerem. Aceito o trabalho porque tenho prazer em fazer e porque as pessoas estão querendo que eu faça. Então, nada mais natural do que eu atender essas pessoas. Faço o projeto com minha equipe, evidentemente, mas é assim que começa e segue. Por isso, também, não posso pegar muitos projetos. Esse é o escritório que quero.

É comum haver escolha de clientes? Como unir a arquitetura que se quer fazer com a arquitetura que o cliente quer -principalmente em início de carreira?

Aí são duas coisas diferentes. Você vai se formando. A arquitetura é uma profissão que demora muito para pegar no tranco e a maturidade é muito importante. É uma profissão que você precisa realmente de muito tempo de trabalho – e isso não quer dizer que você vá exercer melhor o seu ofício -, mas irá dominar seus instrumentos de trabalho. Claro que o jeito de lidar com a seleção de clientes é diferente de quando se começa. Mas o escritório já tem um jeito de ver as coisas, e as pessoas que chegam aqui procuram esse jeito de ver. Têm afinidades com essa maneira de ver o mundo e principalmente com meus valores. Acho que isso talvez venha muito antes do gosto ou da capacidade criativa ou de qualquer outra coisa: as afinidades éticas mais do que as estéticas. Assim não há antagonismo entre o que quero fazer e o que cliente quer. A escolha é natural. Pode ser que haja uma seleção de projetos, não tenho porque negar. Mas não é por arrogância ou prepotência. É por honestidade, não tenho dúvidas. Pego um trabalho para que possa ter prazer, e para que possa dar prazer ao cliente. Não tem outro motivo que faça com que eu aceite um trabalho. E, claro, se eu acho que tenho condições de resolver o problema dele. Porque quando acho que não é para mim, que não vou saber fazer, não pego. Há várias razões que me fazem não pegar um trabalho. A primeira é isso: o jeito de ver a vida. Não é uma bobagem, é óbvio.

Até porque é um relacionamento…

De três anos em uma casa. Não é brincadeira. Não há dinheiro no mundo que me pague para fazer isso. Tenho de estar a fim de fazer, procuro aqui o meu prazer diário. Meu, do cliente e da equipe, penso muito em todo mundo, em trazer alguma coisa que dê prazer a todos nós aqui no escritório. Às vezes também é o tema, não gosto de me repetir, de fazer coisas que já fiz. Não tenho vontade. E se não tenho vontade vai ser ruim para o cliente ter um arquiteto por três anos sem vontade de fazer. Não tem sentido. São três anos de vida, isso não é pouca coisa.

Eu quero fazer a casa que tenha a cara do cliente, mas  vista através do meu olhar. Isso está ligado ao respeito que tenho por quem me procura para fazer um trabalho.

 

Veja a entrevista completa no site da AU:

http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/209/flerte-com-os-prazeres-226526-1.asp

As cidades como casas. As casas como cidades. (Vilanova Artigas)

Para Alvaro Puntoni, a arquitetura habitacional deve ser pensada de forma integrada à cidade para gerar espaços urbanos de qualidade

As cidades são feitas de casas.

A cidade é constituída majoritariamente por uma arquitetura habitual, entremeada por objetos não ordinários sobre uma base infraestrutural. É essa arquitetura dos espaços da vida, do cotidiano, aquela que não é extraordinária, que configura e conforma os espaços da vivência.

Como arquitetos, acabamos relevando mais os equipamentos e a infraestrutura, por sua excepcionalidade ou singularidade, negligenciando por vezes o desenho da casa. O projeto de cada habitação é um elemento que se insere em um contexto mais amplo. Cada casa, por menor que seja, é parte do todo e, por isso, capaz de modificá-lo.

É notável como a arquitetura cotidiana e anônima é – em média – de qualidade superior nas grandes cidades sul-americanas, em comparação com as brasileiras. Talvez isso ocorra em função de normas e legislações mais inteligentes e coerentes, que privilegiam um desenho urbano prévio, o qual praticamente inexiste em nosso caso.

Talvez, também, em função da forma pela qual se organiza a profissão do arquiteto e a valorização do projeto que esses profissionais qualificam, o processo de educação e as escolas de arquiteturas nesses países.

Ou talvez, ainda, pela constatação de que há de fato a construção de um gosto, a necessidade de busca de um prazer estético que, em nosso caso, muitas vezes pode ser questionado, como bem exemplifica a onda de neoclássico que nos assolou na última década e seu assombroso sucesso mercadológico.

No âmbito dos espaços internos da habitação, o que vemos por aqui é uma insistência na reprodução ad nauseam da casa burguesa (ou da casa grande) em áreas diminutas e, em função de um preconceito de partida, não nos permitimos experimentar ou ensaiar novas formas de viver. Por que não admitir espaços de asseio que assimilem a famigerada área de serviço, desconectando-a da cozinha (resquícios de um passado escravista e, depois, de uma sociedade que oprimiu a mulher)? Ou repensar a exagerada presença de áreas de banho multiplicadas pelo número de dormitórios, acrescidas ainda de um banheiro social que remonta às casas bandeiristas, nas quais o visitante ficava do lado de fora ou apartado da família? Ou rever ou diminuir a excessiva compartimentação dos espaços que separam a vida, mesmo dentro do universo familiar?

 

 

 

Sabemos que a casa deve admitir as atividades de quem mora e, desta forma, conformar-se continuamente com a vida deste habitante. Mas não pode olvidar do seu compromisso coletivo com o todo e com os demais. Tem de ser parte integrante da cidade. A casa contemporânea, cada vez mais, deve envolver os espaços abertos do viver no mundo. Não podemos pensar somente em uma casa que se fecha, mas devemos crer em uma casa que se abre. A casa deve – e pode – construir a cidade que imaginamos e o mundo em que vivemos e ainda viveremos.

A casa deve fazer as cidades que desejamos.

 

Trecho transcrito da Revista AU – 208 (julho 2011)

Artigo original:

http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/208/artigo224378-1.asp

Copenhagen – a cidade das bicicletas

A relação dos moradores de Copenhagen com as bicicletas mostra como podemos aprender com seu exemplo e aplicá-lo às cidades brasileiras.

Obviamente, temos desafios enormes pela frente, para adequar nossas vias e educar nossos motoristas. Mas é exatamente esse o principal obstáculo: A MUDANÇA DA CULTURA DO AUTOMÓVEL.

Antes de começarmos a criticar a idéia de fazer alguns dos nossos trajetos diários com esse fabuloso meio de transporte devemos nos questionar:

Eu respeito os ciclistas?

Tenho vergonha de usar minha bicicleta como meio de transporte e não apenas para o lazer?

Durante uma viagem didática com a faculdade de arquitetura de Paris, tivemos a oportunidade de passar uma semana nessa incrível cidade, e conhecer de perto sua realidade e a saudável relação entre automóveis e biciletas. Copenhagen atingiu um nível de respeito e consciência de vida em sociedade realmente louvável. Isso pôde ser constatado não somente ao transitarmos pedalando pela cidade, mas também, e principalmente, ao visitarmos seus conjuntos de habitação coletiva. Aquelas pessoas conseguem viver harmoniosamente em comunidade de uma maneira que impressionou mesmo aos franceses, um povo bem acostumado com esse tipo de habitação.

Mas voltando ao assunto das bicicletas, Copenhagen inaugurou o movimento mundial Cycle Chic – de gente que pedala arrumadinha. A ideia é: “esse é o meu meio de transporte, então vou utilizá-lo com minha roupa de trabalho mesmo”. Daí que mulheres com vestidos e saltos enormes e homens de terno e gravata pedalam em direção ao escritório todos os dias. Também pudemos perceber esse tipo de consciência ao nos depararmos com os ciclistas nas ruas.

 

 

 

 

E a prefeitura faz questão de garantir que continue sendo assim. Não só porque as pessoas ficam mais felizes pedalando, mas porque é economicamente melhor para a cidade. Um carro emite poluentes (o que causa danos de saúde pública), gera mais acidentes e precisa de uma manutenção mais cara na infraestrutura. As ciclovias, por outro lado, são mais baratas, atraem mais turistas, fazem com que as pessoas se exercitem e fiquem mais saudáveis diminuindo os gastos com saúde pública. A prefeitura colocou todas essas variáveis em uma equação e concluiu que, a cada quilômetro pedalado, a cidade GANHA o equivalente a R$ 0,40, enquanto que a cada quilômetro percorrido por um carro, a cidade PERDE R$ 0,20.

Guardemos as diferenças entre a realidade de vida na Dinamarca e no Brasil, Copenhagen com seus 1,2 milhão de habitantes e São Paulo com 12 milhões. Mas será que não conseguimos substituir alguns trechos dos nossos deslocamentos diários utilizando uma bicicleta? Conversar com os administradores de comércio e condomínios que frequentamos para ver a possibilidade de disponibilização de bicicletários já seria um bom começo.

 

¿Cuál es la arquitectura del futuro?

Confira o vídeo no link abaixo.

Cinco personalidades em urbanismo e arquitetura contemporâneos analisam a atual vida em sociedade e respondem à pergunta:

¿Cuál es la arquitectura del futuro?

Nas respostas, uma unanimidade: A arquitetura do futuro é sustentável. Felizmente, um caminho sem volta.

 

MAD Architects : Urban Forest


 

 

Novos rumos do mercado imobiliário paulistano

MUDANÇA DE ARES

 

Edifício Sete Sete Dois

O edifício Sete Sete Dois, o segundo desenhado por Andrade Morettin para a Movimento Um, ficará na rua Fidalga

Alguns pequenos edifícios de apartamentos prometem mudar positivamente a paisagem urbana da zona oeste de São Paulo. Os projetos são de arquitetos contemporâneos, de linguagens tão díspares como Andrade Morettin, Triptyque e Isay Weinfeld. Mas quem está por trás dessa iniciativa?

Na manhã da última quinta-feira de maio passado, o sol brincava de esconder-se atrás das nuvens com o fotógrafo de arquitetura, que tentava captar o melhor ângulo dos raios sobre um edifício de apartamentos na rua Aimberê, zona oeste paulistana. Esse esconde-esconde particular não distraiu os funcionários de uma construtora que trabalhavam dentro de uma unidade do sexto andar, concentrados em finalizar a obra. Ao meio-dia o apartamento seria entregue à proprietária, a primeira moradora do prédio. Publicitária, Isabela tem 33 anos. Há dois anos, pensava em comprar um apartamento antigo e espaçoso, com pé-direito alto, no bairro de Higienópolis, onde morava. A procura começou com uma lista de “objetos de desejo” e terminou numa segunda-feira de abril de 2007, quando navegava no site da Axpe, imobiliária que vende imóveis especiais. A novidade ali era o lançamento de um prédio – até então, a Axpe só comercializava usados. E o nome da novidade era edifício Aimberê 1749, desenhado pelo escritório Andrade Morettin, que ela conhecia de fama, autor da casa de campo de um amigo em Brotas. Três dias depois, ela estava na imobiliária para conhecer detalhes. Mais quatro e o negócio estava fechado.

Que a Axpe ocupa um nicho de mercado especial fica evidente já na mesa da sala de espera, onde livros sobre a obra de Herzog & De Meuron e Norman Foster substituem as entediantes revistas de distribuição gratuita ou de dois meses atrás. A empresa ocupa o décimo andar de um edifício na avenida 9 de Julho desenhado por Rino Levi Arquitetos Associados e tem interiores criados por Marcos Cartum. Um vidro adesivado com desenhos de azulejos antigos divide o acesso do restante do escritório, onde trabalham 30 corretores de imóveis, todos vindos de outras áreas. “Nenhum deles era corretor antes de vir para cá. A maioria são arquitetos e publicitários, mas também há engenheiros e economistas. Tentei trazer alguns corretores que eu achava que tinham o perfil da empresa, mas nunca deu certo. O último ficou aqui duas semanas”, conta José Cazarin, idealizador e proprietário da Axpe, enquanto vai dobrando uma folha de papel, formando uma pequena sanfona.

Apesar disso, uma das condições impostas por Cazarin é que todos tirem a licença que permite exercer regularmente a atividade. Eles ainda passam por um treinamento interno, com mais de duas dezenas de cursos, que vão de aulas de história da arquitetura e do design ao destrinchamento da legislação na área. “Nossos vendedores possuem o mesmo nível cultural dos compradores. É por isso que dá certo”, gaba-se Cazarin. Os preços dos imóveis oferecidos pela Axpe são um pouco mais altos do que normalmente se encontra no mercado. A justificativa é que, se eles têm algo que os diferencia – a arquitetura, a vista panorâmica, um jardim especial -, isso deve ser somado aos metros quadrados que o mercado contabiliza. É o famoso valor agregado. Todos os corretores trabalham em grandes pranchas, num escritório panorâmico espalhado por toda a metade da frente do andar. Cazarin não tem sala isolada, fica no meio do staff, em uma das extremidades do prédio.

Além de estar num edifício com grife arquitetônica, a imobiliária desfruta de outro atributo que vende: a vista panorâmica da cidade. A paisagem que se vê através das janelas de ferro pintadas de vermelho é o Jardim Europa. Mas Cazarin nasceu na Pompéia, filho de professor universitário. Formado em economia, fez carreira no mercado publicitário: foi presidente de grandes agências e trabalhou em quatro países. Cansado das grandes corporações e temeroso quanto às curtas carreiras do setor, resolveu tomar as rédeas de sua vida profissional: aos 45 anos, avisou a direção da empresa em que trabalhava que iria parar dali a dois anos. Cumpriu o combinado (assim como sua mulher, também publicitária) e, com tempo livre, iniciou um ano sabático.

Na ocasião, ele estava terminando de construir uma casa de veraneio num condomínio fechado em Itu. O refúgio tinha os pés sobre um campo de golfe de 18 buracos e fora projetado por Henrique Reinach e Maurício Mendonça, escolhidos com o auxílio de uma coleção da revista Arquitetura & Construção emprestada por um amigo. Depois de pronta, e apesar do envolvimento de Cazarin na obra, a casa foi colocada à venda: ela não combinava mais com o estilo de vida pretendido nem com o dinheiro disponível para sua manutenção, já que a poupança acumulada não era o mesmo que os gordos salários da carreira publicitária. Seis meses depois Cazarin não tinha mais a casa, mas havia descoberto que gostava de construção e de arquitetura.

Com tempo sobrando e em busca de uma nova atividade, inscreveu-se em cursos de gerenciamento de obra na Poli. Odiou. Em paralelo, construiu outra casa sofisticada, no Jardim Guedala, “para vender”, também projeto de Reinach e Mendonça. A conclusão do negócio deixou claro que aquilo não daria dinheiro. Mas a luz se acendeu com a venda de um apartamento diferenciado, em que os três dormitórios originais tinham sido transformados em apenas um: todos os amigos gostavam muito do imóvel, mas os corretores consultados achavam impossível vendê-lo, e sugeriam mesmo que ele revertesse o apartamento para a planta original. Cazarin acabou negociando a unidade diretamente com um conhecido.

Em busca de outro apartamento, Cazarin visitou mais de 120 unidades e confirmou: nenhum corretor entendia o que ele queria. Daí para a ideia de criar uma empresa de venda de imóveis especiais bastou um estalo. “Você pode perder dinheiro aplicando em construção, mas ninguém perde todo o patrimônio fazendo isso, porque sempre existe o valor de mercado”, explica, com fala pausada, articulando todas as sílabas. Em abril de 2003, aos 47 anos, ele colocou no ar o site da Axpe. A sede física tinha alguns poucos móveis usados num espaço pequeno e sem charme, na avenida Francisco Morato – que era feia, mas ficava perto de sua casa. Cazarin era o dono e único funcionário. Muitos meses depois, conseguiu alugar o primeiro imóvel de sua cartela. Em janeiro do ano seguinte fez sua primeira venda. As coisas começaram a caminhar, a Axpe foi ganhando fama e, pelo boca a boca e pela imprensa, se consolidou.

O encontro

Há cinco anos, no escritório de Reinach e Mendonça, na rua Santonina, Cazarin foi apresentado a Otávio Zarvos. Dez anos mais jovem que o expublicitário, ele tem agora 43. É filho de Tito Zarvos, que durante anos dirigiu a construtora que leva o nome da família, eternizado por batizar um dos empreendimentos que ele construiu entre o final dos anos 1950 e o início da década seguinte. Com apartamentos, escritórios e galeria comercial, o conjunto Zarvos fica na esquina da avenida São Luís com a rua da Consolação, em frente da Biblioteca Mário de Andrade, e é o mais significativo trabalho arquitetônico de Júlio Neves. Ao contrário do pai, com quem nunca trabalhou, Otávio Zarvos não é engenheiro: formou-se em administração de empresas pela Faap. Com o irmão – este sim engenheiro civil -, criou, no início da década de 1990, sua própria construtora. Aproveitando a lei que liberou a construção de vilas, eles ergueram diversas obras do gênero em Cidade Jardim – um bairro de casas grandes, junto ao Morumbi -, com alto padrão mas estilo arquitetônico duvidoso, “inglesinho ou italianinho”, como ele mesmo define. Mas o tempo sofisticou seu gosto. E uma dessas vilas, localizada no Morumbi, foi desenhada por Marcos Acayaba.

Zarvos resolveu concentrar seus negócios na Vila Madalena. “Interessei-me pela diversidade que há aqui”, ele conta, sentado em uma sala de reuniões ao ar livre, em seu escritório. O irmão, desanimado com a instabilidade do mercado, havia deixado a sociedade. Zarvos mesmo estava cansado de construir e queria só incorporar, mas construiu ainda o prédio em que está instalado, que não se parece em nada com um edifício de escritórios. “Queria colocar em prática coisas em que acredito e que trazem qualidade de vida, como morar perto do trabalho e exercer suas atividades em locais agradáveis e informais. Visitei algumas empresas na Califórnia, principalmente do setor pontocom, em que os ambientes de trabalho já se transformaram. Fiz este prédio com base nisso”, conta. De fato, se a edificação não tem exatamente uma arquitetura de vanguarda, também não lembra em nada os espaços corporativos costumeiramente oferecidos pelo mercado imobiliário. Com tijolos aparentes, vigas metálicas pintadas de verde, unidades com mezaninos e um grande átrio central, o espaço desenhado por Valter Gola inspira-se nos lofts. Construído para locação, foi todo alugado pela Axpe.

Depois da bem-sucedida operação imobiliária de locação, Zarvos sugeriu a Cazarin a parceria numa nova incorporadora. Na união de forças, os papéis estavam bem definidos. Cazarin ficou responsável pela criação da marca, direção da imagem, conceito da empresa e das vendas. Nada de estandes, nem apartamento decorado. Ele contratou publicitários independentes para fazer as campanhas, baseadas em prospectos. “Os bons publicitários estão em agências grandes, que podem pagar seus salários. Como a verba do mercado imobiliário só dá acesso a agências de pequeno e médio portes, ele acaba assessorado por profissionais não tão qualificados. A alternativa é buscar os free-lancers, que estão fora do circuito”, ensina.

A direção da incorporação e o acompanhamento das obras ficariam na mão de Zarvos. Dois outros sócios foram chamados: Rafael Canto Porto, dono da CP3 – uma construtora de imóveis sofisticados – e um dos melhores amigos de Cazarin (aquele que emprestou a coleção de revistas); e Tonico Canto Porto, sobrinho de Rafael e oriundo do mercado financeiro. A empresa foi batizada com o nome de Movimento Um.

Os mandamentos

Os empreendimentos da Movimento Um seguem alguns mandamentos. Um deles é a variação no tamanho das unidades dentro do mesmo empreendimento. “Não vejo nenhum problema em ter apartamentos de 80 metros quadrados em um mesmo prédio com outro de 300”, exemplifica Zarvos. É uma determinação que surpreende. “Quando fazemos as primeiras reuniões com os arquitetos, eles logo perguntam qual o tamanho das unidades. Ninguém está acostumado com essa falta de parâmetro”, ele lembra.

Outra característica desse manifesto imobiliário são os edifícios com poucas unidades. Esse, aliás, foi o mote que fez Zarvos procurar Cazarin. Ele percebeu a oportunidade de mercado: de um lado, os grandes terrenos estavam acabando, disputados pelas grandes incorporadoras; de outro, a cidade ofertava inúmeros lotes pequenos, ideais para prédios de escala reduzida e imagem diferenciada. Há empreendimentos em terrenos de 650 metros quadrados em que o valor geral de vendas (VGV) não ultrapassa 10 milhões de reais.

Apartamentos individualizados são outro mandamento. A partir de algumas premissas técnicas que Zarvos impõe aos projetos, o comprador tem completa flexibilidade para rearranjar o espaço interno, predefinido pela proposta arquitetônica. Por uma questão de facilidade, honorários e especialização, Zarvos mantém na empresa uma equipe de arquitetos que dão assistência ao futuro morador. Em outras palavras, são eles que definem mudanças internas, claro que informando os autores, porque alterações podem trazer impacto, por exemplo, nas fachadas. Na união com Cazarin, a flexibilidade foi uma insistência de Zarvos, convencido de que as unidades deveriam ser adaptadas a necessidades atuais ou futuras. As áreas molhadas não possuem canos de esgoto posicionados sobre o forro do apartamento de baixo, como é comum. Elas são sempre resolvidas com a suspensão do piso na área do boxe. Em alguns edifícios, shafts vazios levam a liberdade a graus extremos: um banheiro, por exemplo, pode estar em qualquer lugar. Na maioria dos casos, a tubulação aparente na fachada adquire contornos interessantes. O único elemento não flexível é a varanda.

Outro fator que baliza a Movimento Um é a localização dos terrenos: são todos muito próximos, no entorno da Vila Madalena. “Em algumas coisas eu sou conservador, e a localização é uma delas. Na Vila Madalena eu já sou conhecido e tenho credibilidade. Isso ajuda a comprar terrenos e vender apartamentos. Eu morro de medo, por exemplo, do centro da cidade”, confessa Zarvos.

Outra diretriz da incorporadora é apostar na valorização do investimento, ou seja, utilizar a arquitetura contemporânea para criar um objeto de desejo para aqueles consumidores que, no futuro próximo, pagarão mais pelas unidades – aliás, a mesma lógica de trabalho da Axpe. Zarvos já havia construído na Vila Madalena uma vila com Cristina Xavier, além de um prédio de apartamentos com Luiz Fernando Rocco. Mas Cazarin propunha procurar arquitetos mais jovens, exatamente aqueles cuja obra desafia o mercado. Zarvos nunca tinha ouvido falar em Andrade Morettin e Álvaro Puntoni, por exemplo. Qualidade arquitetônica – outro ponto na cartilha – deriva, naturalmente, do anterior. Eles se propõem a realizar edifícios acessíveis (o preço médio do metro quadrado é 6,5 mil reais) e viáveis através da economia de custos que consideram desnecessários. Algumas edificações, por exemplo, possuem só um elevador. Não há área de lazer, salões de festas nem espaço gourmet. Garage band, nem pensar. As áreas comuns são reduzidas ao máximo. No térreo, por exemplo, há um apartamento-casa, um dúplex que ocupa com jardins privativos todos os recuos laterais e de fundo. A execução fica a cargo de pequenas e médias construtoras, acostumadas à maior sofisticação arquitetônica.

Qualidade de vida é outro item da lista. Isso implica desde o tamanho das aberturas das unidades e a localização até a gentileza urbana. “Eu me envergonho de um edifício que fiz: o terreno tinha duas ruas e aquela que não dava acesso à edificação ficou com um muro enorme. Para mim, era o fundo, mas hoje sei que é parte da cidade. Quando passo por lá, até viro a cara”, recrimina-se Zarvos.

O debutante

O terreno da rua Aimberê foi escolhido para o primeiro prédio da Movimento Um, entregue este semestre. O projeto foi objeto de um concurso fechado com escritórios que nunca haviam desenhado algo do gênero, mas se destacavam em concursos e apareciam em “revistas como a sua”, diz Zarvos. Concorreram Andrade Morettin, Una e Triptyque. Este último ganhou a preferência dos empreendedores e imediatamente começou a desenvolver o projeto. Zarvos costuma ter reuniões semanais com os projetistas nas quais lança desafios, e espera respostas para dali a sete dias. Problemas no andamento do desenho levaram os incorporadores a rever sua decisão e repassar o projeto para Andrade Morettin. “Não há nenhum problema nisso”, diz Cazarin. “Na época, o Triptyque não estava organizado para dar as respostas no ritmo que esperávamos. Mas acreditamos no trabalho deles, tanto que foram chamados na sequência para criar outro edifício.”

“Não estou interessado naqueles especialistas em prédios de apartamentos, que aprovam rápido e fazem o que o mercado quer. Aliás, tenho horror a isso”, relata Zarvos. “O que eu quero é uma resposta de arquitetura contemporânea, que esses jovens conseguem dar. Como eles nunca trabalharam com o mercado imobiliário, dou todo suporte de legislação e construção para que criem com segurança. É isso que eles sabem fazer”, conclui, enquanto veste um agasalho com a inscrição “King of Hemp”. Antes de iniciar um projeto, Zarvos esmiúça todas as possibilidades de legislação, analisa as vistas importantes, os vizinhos etc. Na primeira reunião com os arquitetos, apresenta um briefing preciso.

No prédio de Andrade Morettin, o destaque são as unidades intercaladas, que remetem à análise do Downtown Athletic Club feita por Rem Koolhaas em Delirious New York. Trocando em miúdos, ele concluiu que um prédio em altura, independentemente do volume blocado externo, pode atender a organizações internas variáveis. É o fim do andar-tipo. Antes de aportar na Aimberê, a diversidade de soluções nos pavimentos rodou o mundo civilizado, sob a inspiração do intrépido arquiteto holandês. Em São Paulo, ganhou o toque de Vinícius Andrade e Marcelo Morettin no volume com recortes, que aparecem no acesso de pedestres e, sobretudo, na grande fenda da lateral do prédio. O cruzamento entre os acessos de pessoas e de veículos resulta num movimento interessante, criando uma topografia artificial.

 

 

Edifício Fidalga

O edifício Fidalga 727, do Triptyque, com seus pilares em X à la Koolhaas, despertou a atenção de Nouvel na Bienal de Veneza
Estrutura da construção

Fidalga 727-Estruturas da construção
Maquete
Maquete do Fidalga 727 sendo observada pelo arquiteto francês Jean Nouvel
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Harmonia e Simpatia

A Movimento Um não tem sede, mas tem fôlego. Em seguida ao edifício Aimberê 1749, realizou mais três incorporações. A primeira foi encomendada diretamente ao Triptyque. O prédio fica num trecho sem saída da rua Harmonia, na Vila Madalena. Em frente da construção, sobrados antigos e discretos exibem marquises das garagens com apoios em V, réplicas vulgares da liberdade estrutural do modernismo brasileiro. Em uma tarde chuvosa da última semana de maio, os operários desformavam a laje do primeiro piso e no térreo já era possível ver as colunas em X, uma das marcas do projeto – e que também remete a Koolhaas, particularmente ao projeto que ele submeteu ao concurso da Biblioteca de Paris, vencido por Dominique Perrault. Quando os arquitetos do Triptyque apresentaram a ideia, os clientes se entreolharam. Iriam construir um edifício preto? A cor vingou, mas o uso de bambus nos parapeitos não foi aprovado. “Aceitamos materiais diferentes. No Aimberê, por exemplo, o guarda-corpo é de alambrado. Mas ainda não estamos preparados para o bambu”, recua Cazarin. Exposta na Bienal de Veneza, a maquete do prédio chamou a atenção de Jean Nouvel.

O edifício na rua Simpatia foi encomendado ao escritório Grupo SP, dirigido por Álvaro Puntoni. O arquiteto havia procurado o grupo espontaneamente, pedindo opinião sobre um projeto residencial que imaginara para um terreno à venda na região. Eles não compraram o lote que Puntoni tinha em vista, mas chamaram-no para desenhar outro edifício, que está em fase de movimentação de terreno. O projeto prevê dois blocos de massa semelhante interligados por passarela central, onde está também a circulação vertical. De todos os empreendimentos da Movimento Um, este é o de linguagem mais modernista: ênfase estrutural (os pilares do Triptyque buscam mais efeito do que causa) e empenas laterais contrapostas às fachadas envidraçadas, por exemplo. E também a aplicação do painel artístico – de Andrés Sandoval – e a busca do prisma puro.

Com inspiração no modernismo, o edifício Simpatia 236, do Grupo SP (de Álvaro Puntoni), alterna empenas e vãos envidraçados
Fachada do edifício Simpatia 236

Fachada do edifício Simpatia 236
Terraço

Simpatia 236-Terraço
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Sem falar expressamente do prédio de Puntoni – muito pelo contrário, Cazarin exibe orgulhoso uma reportagem que destaca o arquiteto na revista Monocle (“a mais bacana do mundo”) -, as duas cabeças da Movimento Um parecem buscar a contemporaneidade e esperam mais inovação nos desenhos dos edifícios. “Perto do que acontece lá fora, estamos ainda muito atrás”, diz Zarvos, agora um atento leitor da revista Dwell. “Chega de USP, não?”, ele diz, provavelmente se referindo indiretamente aos preceitos modernos da escola de Artigas.

Ainda em relação aos arquitetos escolhidos, Cazarin e Zarvos concordam: em geral, esse tipo de profissional não sabe se fazer visível. “Falta o marketing da arquitetura”, observa com experiência o expublicitário, que exclui dessa avaliação o Triptyque. “Nesse ponto, a Carol é ótima”, diz referindo-se a Carol Bueno, a única brasileira que integra o escritório, com mais três franceses. Com a divulgação, Cazarin e Zarvos passaram a ser assediados por vários arquitetos. “Agora, com a crise, começaram a aparecer até estrangeiros”, diz Zarvos. Cazarin não descarta a contratação de alguém de fora. “Mas como é que eu vou fazer minhas reuniões semanais com um estrangeiro?”, contrapõe Zarvos.

O mais recente empreendimento da incorporadora é o Girassol, projeto do escritório Frentes Arquitetura, de José Alves e Juliana Corradini, com início das obras previsto para julho. Sabendo que a Movimento Um buscava profissionais, a dupla de arquitetos procurou Zarvos diretamente. O prédio que propuseram apresenta desenho forte, que deve se destacar ainda mais pela implantação de esquina e pela cor intensa, que mescla tons avermelhados.

 

 

Edifício Girassol tem tons avermelhados

Em lote de esquina, o edifício Girassol 1206, do escritório Frentes Arquitetura (José Alves e Juliana Corradini), tem tons avermelhados
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Movimento Dois?

Um pouco antes de integrar a Movimento Um, Zarvos já estava trabalhando individualmente em um edifício do gênero. Batizado de 4 x 4, ele ajudou a formar os parâmetros posteriormente adotados e foi desenhado por Gui Mattos – que não está no rol da vanguarda arquitetônica local, mas é amigo do empreendedor de longa data. Depois, Zarvos passou a seguir preceitos semelhantes aos da empresa em que é sócio de Cazarin. Reformatou sua imagem – com o auxílio dos mesmos publicitários – e criou a Idea!Zarvos. O time de arquitetos originais sofreu acréscimos, os empreendimentos são um pouco maiores, a empresa enveredou também no segmento de edifícios de escritórios e, na maioria das vezes, faz as vendas com equipe própria, treinada para tal. No grupo de 20 funcionários há arquitetos que comercializam ou desenham os interiores. “Eles ajudam também a escolher os profissionais que contratamos”, lembra Zarvos. O ritmo ideal para o jovem empreendedor, que tem grande estoque de terrenos na região, é lançar um prédio a cada três meses. Em média, os projetos demoram um ano e a obra é finalizada 30 meses depois do início do projeto.

Entre os projetos de prédios de apartamentos em andamento na Idea!Zarvos, há um de Andrade Morettin e outro de Puntoni e equipe (em Higienópolis). Gui Mattos é o campeão de encargos: dois residenciais e um comercial. As novidades são o SIAA (um residencial com comércio no térreo), Nitsche Arquitetos (um comercial e uma vila), FGMF (comercial) e Isay Weinfeld (um comercial). Weinfeld destoa um pouco do restante dos escolhidos: é mais famoso e cobra honorários bem mais elevados. Logo no início da Movimento Um, ele chegou a falar com Cazarin sobre os honorários da moçada: “Se for esse o problema, posso concorrer com o mesmo preço”, teria proposto. Para os incorporadores, ele desenvolveu uma vila de casas, que não foi adiante.

Edifício Ourânia, de Gui Mattos
Edifício Ourânia
Edifício Super 8, de Gui Mattos
Edifício Super 8
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É também de Isay a cereja do bolo nesse processo. Zarvos comprou um terreno na zona oeste, mas um pouco fora do eixo da Vila Madalena, instigado pelo preço e pela possibilidade de vista panorâmica. “Eu não podia errar: teria que contratar um arquiteto acima de qualquer suspeita. Isay era o nome”, conta. Por causa do porte, ele contatou outras incorporadoras: ficou com 15% do negócio e vendeu o resto. Isso não seria um modelo para empreendimentos maiores? Zarvos acredita que não. “Dá muito trabalho em relação ao retorno”, pondera. O projeto, que recebeu o nome de 360°, parte de uma estrutura regular que apoia as muitas lajes. Dentro de cada andar, apartamentos-contêineres de tamanhos diferentes são intercalados por varandas no limite da planta regular. Inscrito no prêmio Future Projects Award, da revista inglesa Architectural Review, o projeto ganhou na categoria residencial e foi escolhido o grande vencedor. A mídia paulistana ficou de olhos cheios e se apressou a divulgar o feito. De fato, o prédio será capaz de mudar, mesmo que em uma pequena parte, um pouco da lógica do mercado imobiliário paulistano, que, de um lado, é bastante profissional em relação ao produto que desenvolve, mas, de outro, é muito tacanho com a cidade e sua arquitetura.

Isay Weinfeld está entre os contratados para desenvolver prédios comerciais para Zarvos
Isay Weinfeld – Edifício 360°

Isay Weinfeld – Edifício 360°

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Nesse ínterim, outros produtos diferentes foram lançados pelo mercado imobiliário, que prepara novidades de interesse arquitetônico. Por enquanto, quem mais fez barulho foi a MaxHaus, proposta lançada por um ex-executivo da Rossi e baseada em três pilares: campanha de mídia forte, ênfase em interiores (arquitetura em último plano) e recursos externos de banco de investimentos norte-americano. Com a quebra do sistema financeiro internacional, as ambições foram revistas e o que sobrou para o público é a noção de flexibilidade dos espaços internos. A ideia parece fazer sentido: apesar da Movimento Um, Zarvos acredita que os clientes percebem muito mais facilmente a compra no espaço interno. Em outras palavras, não possuem a real percepção da arquitetura que estão adquirindo. Mesmo assim, ele vai continuar insistindo. “As pessoas vão perceber que moram em um Andrade Morettin daqui a uns dez anos”, aposta.

No último sábado de maio, a primeira moradora se mudou para o edifício na Aimberê. A mudança transcorreu sem transtornos, conta Isabela. “Coube tudo no elevador”, brinca. Uma semana depois, a publicitária continuava entusiasmada: “É muito bom morar em um lugar em que a luz entra no lugar certo e tudo é pensado. Estou aqui há pouco tempo e não quero mais sair de casa, quero que todos os meus amigos venham me visitar. Um deles veio fazer um jantar para mim”, conta. Quanto à arquitetura, ela arrisca uma previsão: “Daqui a alguns anos, as mesmas pessoas que admiram um prédio de Artigas em Higienópolis vão apontar com orgulho para este edifício”.

Texto de Fernando Serapião
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 353 Julho de 2009
Edifício Sete Sete Dois
Edifício 772, de Andrade Morettin
Ambiente interno
Edifício 772
Edifício Itacolomi Maquete
Edifício Itacolomi 445, do Grupo SP. A primeira incursão de Zarvos em Higienópolis
Edifício Itacolomi 445
Edifício Itacolomi 445
Edifício Itacolomi 445

Edifício Itacolomi 445
Maquete da FGMF

FGMF está entre os contratados para desenvolver prédios comerciais para Zarvos
Edifício F484
Edifício F484, do SIAA, ainda em estudo. O aluguel das lojas no térreo deve reverter em recursos para o condomínio
Fachada do edifício F484
Edifício F484
 

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