TETO - Arquitetura Sustentável

Reforma do escritório

 

FAZENDO A LIÇÃO DE CASA:

 

Para implantar o escritório TETO – Arquitetura Sustentável fez-se necessária uma reforma geral no imóvel, tanto para a renovação das condições gerais, como para atender às novas necessidades de espaço e organização.

Neste artigo, vamos ilustrar como soluções simples e de baixo custo podem minimizar o impacto ambiental das obras de construção civil. E como tais soluções podem melhorar o ambiente em que vivemos.

 

Fachada:

 

fachada antes

 

fachada depois

 

Devido ao baixo orçamento e o intuito de preservar a estrutura original da casa, optou-se por não alterar sua fachada criando platibandas, faixas ou outros volumes cujo único objetivo seria proporcionar uma falsa “modernização” do imóvel. Ao invés disso, a criação do jardim de acesso e o uso de materiais naturais dão as boas vindas aos clientes e amigos.

 

Criação dos jardins:

 

Jardim de acesso recém plantado (10-02-2011)

 

Jardim de acesso recém plantado (10-02-2011)

 

 

Jardim de acesso 2 meses após o plantio (07-04-2011)

 

Jardim de acesso 2 meses após o plantio (07-04-2011)

 

Mais do que embelezar a fachada do imóvel, a criação de pequenos jardins cria micro-climas que atraem pássaros e pequenos animais de volta para o nosso convívio próximo. Quem não gostaria de ser agraciado pelo cantar de pássaros ou de poder observá-los enquanto se banham da janela de onde trabalha? Conseguimos isso com nosso pequeno jardim!

Plantas aquáticas x Dengue: Vale destacar que na bacia de barro onde colocamos as plantas aquáticas e onde os pássaros bebem e se banham, habitam peixes da espécie “tricogaster”. Além da respiração branquial, esses peixes, assim como os “betas”, possuem a capacidade de retirar oxigênio do ar, dispensando o uso de motores para a oxigenação da água. Além de trazer mais vida ao jardim, os peixes contribuem para comer as larvas de mosquitos e pernilongos que eventualmente ali desovem, afastando o risco de o local de cultivo das plantas aquáticas se tornar um criadouro de dengue.

São os jardins, também, que contribuem para a absorção da água das chuvas que, ao caírem naturalmente ou vindas dos condutores dos telhados têm ali um local para percolar no solo, evitando-se assim seu despejo na rede de águas pluviais das cidades e contribuindo para a redução do risco de enchentes. Como sabemos, a impermeabilização da superfície das cidades pelas construções e a canalização das águas pluviais são grandes responsáveis por este problema. Respeitando os códigos de construção ao deixar a “área mínima vegetada” nos terrenos ou mesmo aumentando-as, criando jardins, ganhamos bem mais do que belas plantas.

No quintal da edificação, 30m² de piso impermeável foram removidos para dar lugar a um gramado. Com isso, praticamente toda a água de chuva captada pela cobertura que antes era conduzida a um ralo e então à rede de águas pluviais agora percola na terra. A solução ideal seria captar essa água e armazená-la numa cisterna, para depois ser utilizada na rega das plantas. Pretendemos implantar esta solução num futuro próximo.

Neste gramado plantamos árvores frutíferas e diversos tipos de trepadeiras que futuramente contrastarão seu verde com a pintura amarela do muro, dando o efeito de “muro vivo” que pretendemos.

 

Aumento da área permeável de piso:

 

Quintal antes – piso impermeabilizado

 

Quintal depois – piso permeável com gramado, seixos, árvores frutíferas e trepadeiras

 

Quintal antes – piso impermeabilizado com pedra portuguesa

 

Quintal depois – piso permeável com grama e vegetação


Com a criação destes jardins, a área vegetada do terreno passou de 8% (mínimo exigido) para 20% da área total, somando 50m².

 

A estrutura do toldo da cozinha foi reutlizada e agora serve como suporte por onde cresce um pé de maracujá


Reutilizando a terra:

A criação do relevo através pelos pequenos “morros” no jardim não foi apenas uma solução estética. Quando trocamos as pedras portuguesas da calçada pelos paralelepípedos de arenito vermelho, uma grande quantidade de terra foi retirada, uma vez que os paralelepípedos são peças de maiores dimensões. Toda esta terra seria descartada, mas optamos por utilizá-la no paisagismo, criando então os relevos.

 

Detalhe dos morros criados com a terra proveniente da calçada

 

Faixa de grama na calçada:

Ainda pensando na permeabilidade dos pisos, a solução de se fazer uma moldura com grama na calçada ajuda a captar a água utilizada na lavagem da frente do imóvel. Praticamente toda a água que correria para o meio-fio é captada pelas duas faixas de grama, evitando o desperdício e contribuindo para a rega.

 

Calçada com paralelepípedos de arenito vermelho


 

 

 

Reutilização de entulho:

 

Criação de uma rampa com o entulho gerado na obra

 

 

O entulho gerado na demolição das paredes foi reutilizado para criar uma rampa de acesso ao quintal, no local onde antes havia uma escada.

 

Escolha do tipo de cimento:

 

cimento CP II-E

 

O cimento utilizado na reforma é do tipo CP II-E, que incorpora adições de 35 a 70% de escória de alto-forno (um resíduo da indústria siderúrgica) e até 5% de material cabornático em sua composição.

Estas adições trazem melhorias ao cimento, como maior impermeabilidade e durabilidade, baixo calor de hidratação, alta resistência à expansão devido à reação álcali-agregado, além de deixá-lo mais resistente a sulfatos, podendo ser empregado em contato com líquidos agressivos, esgotos e efluentes industriais.

É considerado o cimento mais ecológico de todos os cimentos produzidos no Brasil, pois além da preservação das jazidas naturais e pelo menor lançamento de CO2 na atmosfera, aproveita o rejeito das siderúrgicas, a escória, evitando o descarte deste material na natureza ou em aterros.

 

Textura da fachada:

 

textura de tinta mineral

 

A antiga fachada com revestimento cerâmico imitando tijolo estava em bom estado. No entanto, ali era a oportunidade para testar a aplicação de um material muito interessante e de ótimo desempenho:

A “tinta mineral”.

Trata-se de um revestimento ecológico e sustentável desenvolvido com pigmentos de terra extraída de jazidas certificadas e à base d’água.

Veja as características apontadas pelo fabricante:

-Não tem em sua composição metais pesados encontrados em pigmentos sintéticos;

-É livre de COV’S– Compostos Orgânicos Voláteis – substâncias poluentes derivadas do petróleo que agridem a camada de ozônio;

-Não possui plastificante, não cria película ou bolhas;

-Atóxica, não causa alergias;

-Inodora;

-Resistente a intempéries;

-Longa durabilidade;

-Cor intensa, não desbota já que o pigmento é mineral;

-Permite a respiração da parede, pois a composição natural sem resina acrílica permite que a umidade interna ao substrato seja trocada com o ambiente externo;

-Gera economia de material, mão de obra e tempo. Em paredes de alvenaria regularizadas dispensa fundo preparador ou massa corrida. A produção da tinta se dá sem o uso de compostos químicos ou processos de transformação, induzindo o uso de energia natural;

 

Além da fachada, utilizamos a “tinta mineral” também na pintura do banheiro.

 

Banheiro:

 

Banheiro antes

 

Banheiro depois

 

Efeito das paredes com reboco sarrafeado e tinta mineral

 

 

Detalhe do reboco

 

Piso e revestimento do banheiro foram todos removidos e substituídos por ardósia. Material natural e de baixa demanda energética é uma pedra muito abundante e resistente, que proporciona grande naturalidade aos ambientes. Nas paredes, apenas a área de banho ganhou revestimento com as pedras, nas demais, foi feito o “reboco sarrafeado”. Esta textura é obtida quando o pedreiro “desempena” a parede com a régua de alumínio e os grãos maiores de areia que não foram peneirados “riscam” o reboco, proporcionando um efeito decorativo e natural.

Normalmente, é assim que se faz o “fundo para azulejo”, ou seja, um tratamento rústico e rápido que será posteriormente coberto com o revestimento das paredes. No entanto, esta textura pode fazer parte do efeito decorativo. Com isso, obtemos um aspecto decorativo e natural e ganhamos tempo e economia na execução das paredes.

 

Detalhe – Espelho Ecológico

 

Este tipo de espelho não utiliza metais pesados (cobre e zinco) em sua produção e na composição da tinta utilizada para o espelhamento, o teor de chumbo é infinitamente menor que nos processos galvânicos. A água utilizada em todo o processo de produção é tratada e reutilizada.

 

Válvula de descarga com duplo acionamento

 

Em reforma de banheiros, uma solução muito simples pode proporcionar a economia de água que os sistemas modernos oferecem, apenas substituindo o acabamento de sua válvula de descarga por um de acionamento duplo. Todos os maiores fabricantes já oferecem essa versão e você mesmo pode fazer a substituição utilizando uma chave de fenda.

 

 

Cozinha:

 

Cozinha antes

 

Cozinha depois = sala de apoio/copa com piso de bambu

 

A cozinha deu lugar a uma sala de apoio, utilizada para conversas informais ou para um café com amigos e clientes. É neste espaço, onde antes havia piso e revestimento cerâmico, que colocamos o piso de bambu, a fim de proporcionar mais aconchego ao ambiente.

A nova cozinha, menor e mais funcional, foi então transferida para onde antes ficava a área de serviço. Recebeu o mesmo tipo de acabamento do banheiro, com pedra ardósia.

 

Área de serviço – antes

 

Área de serviço depois = cozinha

 

Pergolado:

Voltada para a face oeste (sol poente), a cozinha tem grande exposição ao sol da tarde. Para minimizar o calor e a incidência de luz direta, criamos um pergolado (foto acima à direita) que sustenta uma trepadeira Jade-Vermelha. Quando crescida, a planta proporcionará uma visão muito bonita com seus cachos de flores ao mesmo tempo em que “filtrará” os raios de sol, evitando o excesso de calor na cozinha.

Utilizar a vegetação como barreira natural contra os raios solares pode auxiliar muito na diminuição da temperatura interna dos ambientes. Este tipo de recurso, conjuntamente com a criação de gramados e a ventilação cruzada, possibilita diminuir consideravelmente a necessidade do uso de condicionadores de ar.

Tais medidas, aliadas ao uso de equipamentos de baixo consumo energético e a iluminação com lâmpadas frias e LED’s, faz com que a demanda energética do escritório seja de apenas 4 Kwh/m²/ano.

 

Cozinha

 

Ampliação da sala principal:

 


Sala com sua configuração original

 

Sala integrada a um dos dormitórios

 

Comprida e estreita, a antiga sala de estar comportaria bem a grande mesa da sala de projetos, mas a sensação de confinamento e carência de luz natural incomodavam. A solução adotada foi a realização de aberturas nas paredes do dormitório que fazia limites com esta sala, criando uma integração visual e espacial. Com isso, também a luz proveniente da janela deste antigo dormitório agora penetra na sala e sua localização proporciona a ventilação cruzada nestes ambientes.

 

Sinteco Ecológico:

Todo o piso de taco de peroba-rosa foi restaurado, com lixamento e aplicação de Sinteco Ecológico – composto por resina Uréia-Formol, Solvente Orgânico, Plastificante e água.

Além de utilizar materiais menos tóxicos em sua composição, este tipo de Sinteco reduz drasticamente o cheiro incômodo do Sinteco tradicional durante e após a aplicação.

 

Sinteco composto por solventes orgânicos

 

Abertura das paredes e reforço estrutural utilizando madeira de demolição:

 

Abertura das paredes do antigo dormitório – integração com a sala

 

Estrutura com colunas e vigas de madeira

 

Salas integradas:

 

Sala principal

A parede verde ao fundo funciona como lousa para os croquis dos projetos

 

Integração do antigo dormitório à sala principal

Na decoração, a estante de fórmica da década de 1970

 

 

Por que usar madeira?

Depois de feitas as aberturas nas paredes, um reforço estrutural seria necessário. A solução mais imediata seria executar pilares e vigas de concreto, que depois de pintados, passariam despercebidos. No entanto, queríamos criar uma ambientação mais aconchegante e natural. E os batentes de madeira de demolição fizeram bem este papel. Feitas de eucalipto, essas peças que antes sustentavam um antigo galpão em uma serraria foram cortadas nas medidas necessárias sem ser “aparelhadas”, a fim de preservar as marcas provenientes da serra de corte, mantendo seu aspecto rústico e natural.

 

Detalhe dos batentes de madeira

 

 

Nesta reforma a madeira está presente nos usos mais diversos: seja na estrutura, no piso, no mobiliário, no paisagismo:

– A estrutura que reforça os vão abertos no antigo dormitório é de madeira de demolição;
– O piso geral do imóvel em peroba-rosa foi todo restaurado;
– A antiga cozinha recebeu piso de bambu;
– A mesa de trabalho e outra de apoio são peças de redescobrimento, ou seja, estavam abandonadas e foram recuperadas;
– Nos jardins, antigos dormentes ferroviários foram cortados e utilizados como pisadas.

 

Mesa de apoio – eucalipto de redescobrimento

 

Porta “finger joint”


A porta de entrada do escritório é produzida pela união de vários pedacinhos de madeira, retalhos da fabricação de móveis e que normalmente seriam descartados. Com dimensões variadas,  são compostos por diversos tipos de madeira, como Angelim, Eucalipto, Jequitibá e Tauari. Configurando a bonita paleta de cores. Através do processo de emendas finger joint é possível unir essas peças de tamanhos e densidades diferentes, resultando numa porta maciça, de excelente qualidade, preço baixo e com um visual único.

 

Diferentemente do que é disseminado em matérias sensacionalistas, o uso da madeira não caracteriza uma atitude anti-ecológica, pelo contrário. O que deve ser combatido é a exploração ilegal das florestas, bem como o uso de madeiras raras e nativas de difícil renovação.

Madeiras com certificação de manejo sustentável podem e devem ser utilizadas em nossas construções, afinal, este material tão nobre nos proporciona benefícios por toda a sua existência:

 

São as mesmas árvores que quando vivas embelezaram nossas paisagens, purificaram nosso ar, refrescaram nossas cidades, proporcionaram sombra e deram abrigo aos animais que podem continuar nos servindo quando as transformamos em objetos de madeira. Utilizadas como piso, móveis, estrutura, cobertura, decoração, ferramentas, utensílios e toda uma infinidade de serventias ao homem. A madeira não deve ser abolida da construção civil, mas sim explorada responsavelmente, seja através do manejo sustentável, ou a partir da exploração de novos recursos, como o caso do bambu para a construção e decoração, uma planta de rápido crescimento, fácil disseminação, grande consumidora de CO2 e com ótima durabilidade.

Abaixo, um trecho transcrito do livro “A Arquitetura da Felicidade”, do filósofo suíço Alain de Botton, ilustra bem a relação harmoniosa que este material nos proporciona.

“Pisos de madeira oferecem prazeres análogos de harmonia entre forças contrárias quando as tábuas, que um dia tiveram o pulsar da natureza fluindo dentro delas, submetem-se à vontade da serra e, no entanto, ainda guardam em si suficientes sinais de vida para se contraporem à geometria do carpinteiro. Podemos ver redemoinhos, rodopios e imperfeições, como se a madeira fosse um rio turbulento, porém, congelado. Irregularidades permanecem – um nó que não foi aplainado, uma depressão ou empenamento que não foi alisado -, mas ainda assim estas características são graciosas, e não lembranças de ameaçadora complexidade, pois estão cuidadosamente contidas dentro de uma série de calmas linhas paralelas e ângulos retos, fixada por longos pregos de ferro.”

 

 

 

TETO – Arquitetura Sustentável

 

Como vimos, práticas simples e critério na escolha de materiais podem melhorar significativamente a qualidade dos nossos espaços sem comprometer o meio-ambiente. É na construção civil, atividade humana maior geradora de resíduos e consumidora de materiais, onde justamente podemos fazer as maiores economias de recursos, seja com a utilização das novas tecnologias, seja com a racionalização dos processos. O desenvolvimento sustentável da construção não é modismo nem atividade impossível, mas, felizmente, um caminho sem volta.

 

Paulo Trigo

 

Instalação do piso de bambu no escritório

 

Neste caso, o material empregado foi o “Piso de Bambu de Alta Densidade Carbonizado Mesclado Fosco” da marca BambooFloor, que utiliza bambu da espécie MOSO em sua linha de produtos.

As peças têm dimensões de 1850 x 125 x 14mm e são entregues em caixas  com oito peças, pesando 25,9Kg.

Por que utilizar bambu?


Ecologicamente Correto:

O bambu é uma gramínea de crescimento rápido e auto-suficiente, ou seja, tem brotação espontânea após o corte. Cresce mais rápido que as árvores utilizadas comercialmente, estando pronto para a colheita após 4 ou 5 anos. Desta forma, com um ciclo de crescimento rápido e vigoroso, é uma planta que seqüestra grande quantidade de carbono durante seu desenvolvimento e o plantio controlado certificado pelo FSC garante o fornecimento de matéria-prima sem comprometer as florestas nativas.

Durabilidade e Estabilidade:

O bambu tem características semelhantes às da madeira, no entanto, sua alta taxa de fibras confere uma densidade maior que do Ipê, Cumaru e Carvalho, por exemplo, garantindo ótima resistência mecânica e grande estabilidade dimensional.

Instalação Rápida e Fácil:

Por ser um piso-pronto, já vem de fábrica com os encaixes tipo “macho-fêmea” nos 4 lados e com tratamento e acabamento de verniz para alto tráfego, resultando numa resistência grande a riscos e facilitando a montagem.

Uso de Cola e Verniz não Tóxicos:

Os produtos utilizados nos processos de fabricação e montagem – cola, resinas e vernizes – são à base de água, livre de combinações químicas prejudiciais ao meio ambiente e à saúde e obedecem à Normas de controle de formaldeídos com padrões internacionais.

Certificações de Qualidade e Selos Ambientais:

  • Selo FSC (Forest Sterwardship Council): garante que a madeira provém de florestas controladas com rigorosos critérios de manejo não predatório.
  • Selo GBC (Green Building Council): garante que o produto está de acordo com as práticas de construção sustentável internacionais.
  • Certificação ISO 14001 – Certificado de Sistema de Gerenciamento Ambiental (SGA): esta norma estabelece requisitos para as empresas gerenciarem seus produtos e processos para que não agridam ao meio-ambiente, que a comunidade não sofra com os resíduos gerados e que a sociedade seja beneficiada num aspecto amplo.
  • Certificação ISSO 9001 – Certificado de Sistema de Gestão de Qualidade (SGQ): esta norma tem como objetivo prover confiança de que o fornecedor poderá fornecer, de forma consistente e repetitiva, bens e serviços de acordo com a qualidade com que foi especificado.

Processo de fabricação:


 

 

Etapas da instalação:

  • Primeiramente, o contra-piso deve estar regularizado, ou seja, livre de relevos ou depressões acentuados. Como nesta reforma o antigo piso cerâmico foi removido sem grande dificuldade, não foi preciso fazer outra regularização;
  • Iniciamos, portanto, com a aplicação de uma camada de impermeabilizante (esse material azul nas fotos) para evitar que qualquer tipo de umidade vinda do solo venha a danificar as peças ou diminuir sua vida útil;
  • Feita esta etapa de preparação, a instalação propriamente dita consiste em espalhar a cola PU e ir “montando” as réguas do piso já previamente cortadas conforme as dimensões do ambiente em que será instalado.

 

A título informativo, a sala em questão tem 10m² e com dois técnicos trabalhando a instalação foi completada em duas horas.

Neste caso, as perdas de material durante a montagem foram extremamente reduzidas, pois optamos por utilizar todos os recortes de peças nas fileiras de piso subseqüentes.

 

Aplicação de cola PU sobre a resina impermeabilizante (azul)

 

 

Colagem das peças previamente cortadas

 

 

Colagem das peças

 

 

Piso acabado

 

Detalhe

 

Vista geral do ambiente finalizado

 

De instalação rápida e fácil, muito bonito e ecologicamente corretos, produtos derivados de bambu são um exemplo real de como podemos integrar a tecnologia com a preservação de nossos recursos naturais.

Arquitetos trazem a natureza à cidade por meio de jardins verticais

Por CicloVivo, reproduzido em Exame.com (com complementação de imagens)

São Paulo – Para lidar com a falta de vegetação em meio à cidade e ao crescimento urbano, arquitetos do mundo todo estão desenvolvendo projetos ambiciosos para trazer a floresta de volta, usando a tecnologia verde e colocando-as em estruturas verticais.

Projetos trazem a floresta de volta, usando a tecnologia verde e colocando plantas em estruturas verticais – Edifício Bosco Verticale, Milão

Há cem anos atrás, a resposta mais radical do mundo para a expansão da cidade moderna foi a construção de Letchworth, a primeira “Cidade Jardim” do mundo, em Hertfordshire, situada ao norte de Londres.

O criador do conceito de “Cidade-Jardim” foi Ebenezer Howard, que considerava Londres uma cidade poluída, lotada e um local desumano para se viver.

Ele imaginou uma comunidade utópica que poderia desfrutar o melhor da cidade e do campo: um jardim para cada casa e uma caminhada através de campos para os trabalhadores em direção a empregos nas fábricas. A ideia de “Cidade-Jardim” foi replicada em diversas localidades do mundo.

Na última década, porém, a ideia de Howard foi reinventada em conceitos pós-modernos para “cidades sustentáveis”, onde cada vez mais pessoas acreditam que acesso a um jardim é uma necessidade humana básica.

Para o escritório de arquitetura holandês MVRDV, a “Cidade-Jardim” de Howard já não pode ser uma resposta em um mundo com tantas pessoas.

Sua próxima ideia foi a provocativa Cidade dos Porcos, em 2001. Ele sugeriu que os porcos deveriam ser criados e abatidos em torres de vários andares. A empresa argumentou que os animais teriam uma vida melhor no alto do que no chão, e o campo seria liberado para as pessoas. Para eles a questão é a nossa relação com a comida, cidades e natureza.

Edifício Torre Huerta, Valência

A Torre Huerta, um projeto de habitação social de 96 apartamentos, em Valência, foi projetada também pelo escritório MVRDV, em parceria com o escritório MGAARQTOS, de Roterdã, Holanda.

Alguns dos 96 apartamentos terão uma varanda com árvores posicionadas de modo que ninguém ficará na sombra. Valencia costumava ser rodeada por pequenas lotes em que as famílias plantavam frutas e legumes, porém estes ambientes estão desaparecendo com a expansão da cidade para o campo. Esta foi a ideia dos arquitetos, transplantar esses locais em uma “colcha de retalhos” vertical.

Bosco Verticale – Milão, Itália

Stefano Boeri, arquiteto responsável pelo projeto Bosco Verticale – a primeira floresta vertical do mundo, em Milão, Itália, reconhece que existe um modelo alternativo de “arquitetura verde”. O movimento “arquitetura viva” vai além da legislação vigente: trata-se de como as cidades devem se sentir.

Estas torres de Milão são possíveis por causa de uma nova colaboração entre arquitetos, engenheiros e botânicos. Ao mesmo tempo, este novo movimento é uma recuperação visionária da natureza, que desapareceu de nossas cidades.

Edifício Harmonia 57, São Paulo

O “edifício verde” do momento, no Brasil, é o Harmonia 57, um bloco de escritórios construído há três anos em São Paulo pela Triptyque, quatro arquitetos franco-brasileiros criaram a prática no Brasil. Suas paredes são construídas de concreto poroso, com silos para que as plantas cresçam na superfície, regadas pela neblina coletada em um engenhoso sistema de tubulações. “É um edifício que respira e transpira”, dizem seus criadores.

O herói do movimento para dissolver as fronteiras entre arquitetura e natureza é Edouard François, que montou sua prática em Paris em 1998. Em um projeto inicial, ele encomendou uma “parede verde”, sistema de fixação de plantas em paredes, que se tornou um revestimento de moda para hotéis boutique e centros comerciais.

Joseph Williams, um arquiteto recém-formado, propôs em seu projeto de graduação, um conjunto de habitações no leste de Londres que seriam construídas com uma treliça externa de seis andares. A intenção é filtrar o ar e o ruído, mas também criar um “descolamento psicológico da selva de concreto”.

Vivemos em uma época em que as fronteiras entre ambientes internos e externos, a arquitetura e a natureza estão se dissolvendo. Como o naturalista John Muir escreveu: “Eu só saí para uma caminhada, e finalmente resolvi ficar fora até o pôr do sol, quando sai, eu encontrei o que realmente estava acontecendo”.

Fonte: Blog do Macêdo – Arquitetura e Sustentabilidade | Arquitetos trazem a natureza à cidade por meio de jardins verticais

 

Telhado Verde – perguntas e respostas

 

– Quais as vantagens do teto ecológico?

Além dos aspectos construtivos sustentáveis, a aplicação das Coberturas Verdes Leves – CVL (denominação técnica para o que conhecemos como “teto ecológico”, “telhado verde” ou “teto jardim”), tem por objetivo contribuir com a eficiência energética dos edifícios, melhorando o conforto interno, diminuindo a temperatura através do resfriamento evaporativo e aumentando a umidade do ar em dias quentes de verão, o que representa significativa economia de energia com sistemas de refrigeração.

As plantas também retiram partículas em suspensão no ar, o que torna muito mais agradável o ambiente, como se pode verificar em parques e espaços arborizados. Outro benefício diz respeito à fotossíntese, uma vez que a retirada de gás carbônico do ar ajuda no combate ao aquecimento global. Segundo o engenheiro agrônomo Sérgio Rocha, diretor técnico do Instituto Cidade Jardim, fabricante de telhados verdes com sede em Itu, SP, para cada 10 mil metros quadrados desses elementos instalados é possível sequestrar cerca de 50 toneladas de carbono¹.

A eficiência energética e conforto ambiental, por sua vez, aspectos do Desenvolvimento Sustentável, igualmente contribuem para reduzir problemas de saúde (respiratórios) e para o aumento da produtividade, intelectual ou não, por meio da promoção de condições adequadas no trabalho (escolas, fábricas e escritórios, hospitais e postos de saúde), sobretudo, para edifícios que procurem reduzir os seus custos de operação.

Além disso, provê um hábitat para plantas, insetos e outros pequenos animais; assegura efeito visual e estético aos edifícios, bem como conforto ambiental e saúde aos habitantes.

 

¹Fontes:
-Departamento de Hidráulica e Saneamento da EESC-USP:
http://www.shs.eesc.usp.br/pessoal/docentes/pesquisas/14/tetoverde/materiais_metodos.html
-Ecocasa:
http://www.ecocasa.com.br/


– Essa idéia é aplicada desde quando?

A utilização de telhados verdes não é recente. Ao contrário, há registros de sua presença desde a antiga Mesopotâmia. Quem nunca ouviu falar dos jardins suspensos da Babilônia, criados no século VI a.C.? Considerados uma das sete maravilhas do mundo antigo, eles tinham, antes de beleza paisagística ou contemplativa, o objetivo de atenuar as temperaturas elevadas dessas regiões. Ao longo do tempo, o uso desse sistema foi sendo aperfeiçoado e se propagou pelo mundo, constituindo elemento fundamental da arquitetura de países da Europa Central e da Escandinávia. Nos anos 1960, as pesquisas foram intensificadas na Alemanha e novas tecnologias introduzidas, tais como materiais drenantes, membranas impermeabilizantes, agentes inibidores de raízes, substratos de baixa densidade e espécies adequadas de plantas. Atualmente, a Alemanha tem cerca de 15% do total das construções com telhados verdes.

Exemplo da importância dos telhados verdes é o fato de em algumas regiões dos Estados Unidos ser obrigatória a execução de coberturas com alto índice de refletância. Em Nova York, a municipalidade oferece estímulos para as construtoras que implantarem telhados verdes em pelo menos 50% de suas obras e ainda prevê desconto no imposto predial desses imóveis.

 

 

– O teto ecológico tem aplicação em todos os tipos de imóveis?

Sim. O sistema pode ser aplicado tanto em coberturas planas (lajes), como em estruturas inclinadas, semelhantes às de uma cobertura convencional, desde que seja considerada a sobrecarga do sistema na estrutura, que é equivalente àquela de uma cobertura convencional (até 80kg/m²). Esta solução pode ser utilizada em residências, edifícios comerciais, públicos ou corporativos. Esta vem sendo, inclusive, a solução mais procurada para a cobertura de sedes empresariais em países desenvolvidos, com expressiva aplicação em edifícios públicos em Nova Iorque, Canadá e Alemanha, devido ao caráter do melhoramento da eficiência energética e grande apelo ecológico, bem como de promoção do bem estar às pessoas.

 

 

– O valor é maior?

Não necessariamente. Se considerarmos o valor dos módulos de plantas que serão acrescidos numa laje que seria deixada nua, sem nenhum tipo de tratamento, sim. Mas quando o sistema de CVL é utilizado para substituir uma cobertura convencional com telhas cerâmicas ou de concreto, o valor dos módulos é menor que do madeiramento e telhas, por exemplo.

O metro quadrado para a execução de uma cobertura com madeiramento e telhas de concreto ou cerâmicas, incluindo-se a mão-de-obra, varia entre R$160 e R$200. Já o sistema de cobertura leve comercializado pela Ecocasa custa entre R$60 (somente os módulos vazios) e R$150 (módulo completo com substrato e plantas já cultivadas) por metro quadrado.

 

 

– Ele pode diminuir os gastos com ar condicionado?

Certamente. A título informativo, sabe-se que o sol incidindo ao longo do dia sobre uma laje provoca um aumento crescente da temperatura, transferindo parte desse calor para o interior dos ambientes, que então devem ser resfriados de alguma forma, desde as mais naturais como uso de ventilação cruzada e ventiladores, até as mais dispendiosas, como é o caso do ar-condicionado.

Baseado em tabela de valores gerais de absorbância da Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003), estima-se que uma cobertura pintada de branco a absorbância seja de 20%, enquanto na cor preta esse índice alcança 97%. Já na cobertura verde, cerca de 27% da radiação solar incidente é refletida, 60% é absorvida pelas plantas e apenas 13% é transmitida à superfície inferior.

Esses dados ilustram bem a eficiência térmica das coberturas verdes.

 

 

– Quais os cuidados que devem ser adotados por quem faz a opção pelo teto ecológico para a manutenção?

Visto que o sistema utiliza plantas rústicas, resistentes ao vendo e à insolação direta e com baixa demanda por água (sendo praticamente auto-suficiente através dos reservatórios internos), a manutenção necessária se resume na inspeção e retirada de plantas invasoras a cada 6 meses e na adubação de reforço a cada 12 meses.

 

 

– Existe mais de um tipo de teto ecológico? Se sim, quais são os tipos?

Sim, o desenvolvimento das CVL’s trouxe uma grande variedade de sistemas e tipos de coberturas, mas todas seguem o mesmo princípio – são módulos que abrigarão o substrato para as plantas e uma quantidade de água, com espécies diferentes de vida vegetal, dependendo do orçamento, propósito da cobertura, região em que se encontra e objetivos finais do cliente.

Em geral, os diferentes tipos de sistemas variam entre a utilização de plantas forrageiras, suculentas ou gramíneas.

32 ideias e atitudes para uma vida sustentável

 

Texto Marilena Dêgelo (colaborou Julia Benvenuto) Repórter de imagem Nuria Uliana Fotos Marcelo Magnani

A separação do lixo reciclável em casa e o abandono do uso de sacolas plásticas descartáveis no supermercado são as primeiras, mas não as únicas, medidas de consciência ecológica. Existem muitas iniciativas simples, e de baixo custo, na construção, na decoração e no paisagismo, que contribuem para a preservação do meio ambiente

Fotos Marcelo Magnani

Respeito à natureza e ser feliz com o que se tem


Contra o desperdício e o consumo desenfreado, a artista plástica Isabelle Tuchband preserva as peças antigas, herdadas da família e compradas em viagens. “Tenho boas recordações quando olho para elas e isso me faz feliz”, afirma. No jardim de sua casa, a mesa de ferro, dos anos 1950, que sua sogra trouxe de Nova York, está sempre posta para um chá com vasos de flores embaixo da centenária sibipiruna, preservada no terreno. “Esta árvore protege minha casa e dá boas energias”, diz Isabelle. Os assentos das cadeiras de ferro têm almofadas com tecidos naturais, algodão e linho, da Tecelagem Francesa, confeccionadas por Rita Tapeceira. “Restauro e mudo de lugar os móveis, valorizando o que tenho. Ser ecológico é ter esta consciência: fazer o máximo com o que se tem por perto”, afirma ela. Ao fundo, pintura de sua autoria.

1- Há um movimento mundial pelo reuso do que temos em casa ou do que é descartado por empresas ou outras pessoas. Assim, um móvel que não serve mais para os pais pode ser útil na casa do filho. Com um novo olhar sobre os objetos, é possível descobrir outros. Basta uma pintura ou um tecido novo para as peças ganharem destaque na decô.

2 – O improviso é bacana. As caixas de frutas e legumes, jogadas no lixo de entrepostos e supermercados, podem ser empilhadas e virar uma estante para guardar livros. Há anos na Europa, os paletes de madeira, usados para o transporte de máquinas e eletrodomésticos, são aproveitados na produção de mobiliário e pisos. A ideia já tem vários adeptos no Brasil.

3 – Um freio no consumismo. Outro movimento que ganha força entre arquitetos e designers é o low-tech, em oposição ao high-tech. Nada de trocar a geladeira ou outro eletro em uso somente porque lançaram um modelo novo. Se não tem um, vale pegar os aparelhos que estão velhos para outras pessoas, mas ainda funcionam. Mas fique de olho: se for muito antigo, pode consumir energia demais. Melhor usar como armário ou bar na sala. Dá um ar vintage ou retrô ao ambiente.

4 – Reaproveite embalagens. Caixas de papelão, latas de chá e de leite em pó e vidros de geleia esvaziados podem ser muito úteis. Para organizar fotos ou peças de roupa pequenas no quarto, use as caixas forradas com tecido ou papel. No escritório, as latas pintadas ou revestidas servem de porta-lápis ou porta-treco. Os vidros viram vasinhos para decorar as mesas nas festas. Até uma lata grande de tinta tem potencial para ser um banco com assento estofado.

5 – Do tempo da vovó. Nada aquece mais a alma e o corpo do que uma boa manta de patchwork feita com retalhos de tecidos até mesmo aproveitados de roupas em desuso. Além de cobrir o sofá ou a cama, podem ser adaptadas como belas cortinas ou revestir paredes. Vale fazer o mesmo com restos de tapetes. Mesmo de estilos e cores diferentes, rendem um moderno modelo.

 

Fotos Marcelo Magnani

Para jogar pingue-pongue ou fazer as refeições


No mundo contemporâneo, os móveis flexíveis ou com dupla função são as melhores alternativas para as casas e os apartamentos com espaços cada vez mais reduzidos. Nesta casa onde moram três amigos no bairro do Pacaembu, em São Paulo, a metade da mesa de pingue-pongue é usada na sala de jantar. Encostada na parede, tem lugar para as quatro cadeiras compradas em lojas de usados. As de madeira revestida de Formica vermelha e com pés palito são dos anos 1950. As giratórias e estofadas com corino azul- -turquesa e friso dourado têm design dos anos 1970. A outra metade fica na cozinha e é colocada junto desta quando dá vontade de jogar ou para receber mais pessoas em torno da mesa. Garrafas e vaso da loja Teo. Quadro com fotos de Felipe Morozini.

6 – Na falta de móveis herdados de família, recorra a lojas de usados ou entidades beneficentes que recebem doações. Lá dá para comprar peças de época, com design clássico e moderno, a bons preços. Alguns desses locais oferecem o serviço de restauro. Mas também é interessante usar móveis detonados, com a marca do passado e de sua história.

7 – Existe um teste chamado pegada ecológica no site da WWF (www.wwf.org.br) que determina se a pessoa é consciente pela quantidade de metros quadrados que ela utiliza para morar. Leva em conta que se cada um habitar uma grande casa, não haverá lugar para todos no planeta. “De acordo com essa premissa, um espaço multiuso é uma atitude sustentável”, segundo o arquiteto Gustavo Calazans.

8 – Compre a produção local. De modo geral, as verduras e as frutas disponíveis nos supermercados viajam longas distâncias até chegar a seu destino final. Imagine a emissão de gás carbônico decorrente dessas longas travessias. Em relação aos produtos importados, prefira os transportados por navio, que causa cinco vezes menos impacto na emissão de poluentes em comparação ao frete rodoviário. Logo, ir à feira é uma atitude sustentável.

9 – Na reforma de apartamentos, a demolição de paredes para eliminar o excesso de cômodos integra os ambientes. Além da amplitude, isso melhora a circulação de ar, o que deixa o clima mais fresco no verão, e proporciona maior insolação, aquecendo os ambientes no inverno. “Assim não é necessário instalar sistemas de aquecimento ou de ar-condicionado, minimizando o consumo energético”, diz Calazans.

10 – Em grandes cidades, como São Paulo, os centros têm prédios de apartamentos antigos, incríveis e históricos, abandonados por falta de interesse imobiliário. Para um desenvolvimento urbano sustentável, arquitetos defendem a realização do retrofit nesses edifícios para que voltem a ser habitados em vez de se continuar a construir novos prédios. O princípio do retrofit é restaurar as fachadas e adequar os espaços internos às necessidades atuais, como nova instalação elétrica e hidráulica e acesso à internet.

 

Fotos Marcelo Magnani

Bancada de trabalho vira aparador no quarto


Em um canto de seu quarto, o designer de produtos e diretor de arte Ilan Wainstein colocou a bancada de trabalho descartada por um artista plástico. “Está toda manchada de tinta, mas funciona bem aqui”, diz ele sobre o móvel de madeira maciça que mede 1,70 m x 0,75 m x 0,50 m. “Era mais alta. Serrei 20 cm dos pés para ficar na proporção certa”, afirma Ilan. Em cima da bancada, ele expõe os perfumes na bandeja de prata, que herdou da avó. Embaixo, ficam o som e livros. O quadro é uma montagem com a capa de um livro e um porta-retrato antigo. Na parede, IIan pendurou o cabide com camiseta dos anos 1980 comprada em brechó.
Sobras de tapetes orientais resultaram no patchwork, da Século, que cobre tacos. Cadeira de Philippe Starck.

11 – Em reforma, o reaproveitamento de revestimentos evita a geração de entulhos, que precisam de caçamba para ser removidos, encarecendo a obra. Muitas vezes, esses resíduos são lançados em rios e córregos da cidade, o que causa enchentes. Por isso, o ideal é restaurar os tacos, que costumam ser de madeira nobre. É melhor do que comprar um assoalho, cuja origem pode ser de florestas devastadas ilegalmente. No caso dos azulejos e pisos cerâmicos, em vez de removê-los, aplique em cima um novo acabamento.

12 – Os móveis de madeira maciça e nobre estão virando artigos de luxo ou de antiquário. A marcenaria caminha para o uso apenas de matéria-prima feita de compostos madeirados, tipo MDF, na fabricação de mobiliário, que será apenas revestido com folhas das madeiras nobres.

13 – Mesmo o tronco de árvore derrubada por tempestade pode ter melhor aproveitamento do que virar somente a base de uma mesa. “Recortado em pranchas ou ripas, rende muitos móveis, projetados com o dimensionamento mais adequado da madeira”, na opinião dos arquitetos Marcelo Ferraz e Francisco Fanucchi, da Marcenaria Baraúna.

14 – Há uma retomada pelos revestimentos simples, como piso de cimento e de ladrilhos hidráulicos, que são materiais de baixo impacto ambiental. Não consomem energia na produção, porque não são queimados em fornos. “O melhor cimento é o CP III, que emite menos poluentes porque é feito 70% de resíduos de siderúrgicas”, diz a arquiteta Adriana Yazbek. Outras opções sustentáveis são os pisos de bambu e de madeira de origem certificada.

15 – As grandes janelas ou panos de vidro, fechando os vãos entre os pilares da estrutura das construções, garantem a entrada de grande quantidade de luz natural nos interiores, dispensando acender lâmpadas durante o dia. Para iluminar o centro da casa, a solução está nas claraboias.

16 – Para a iluminação artificial, existem as lâmpadas de baixo consumo de energia elétrica, como as fluorescentes. Atualmente, há modelos que emitem luz de tom amarelado, mais aconchegante para salas e quartos. Outra opção é a luz de led, que consome dez vezes menos energia do que, por exemplo, as lâmpadas dicroicas.

 

Fotos Marcelo Magnani

Cores alegres e materiais menos poluentes


O patchwork de ladrilhos hidráulicos e o acabamento de cimento queimado refletem a preocupação com o uso de produtos sustentáveis na reforma do banheiro de casal, feita pela arquiteta Adriana Yazbek para a prima dela, Ana Paula, e o marido, Marcos Santos Mourão. “Eles pediram que fosse bem colorido. Fui à fábrica Dalle Piagge e escolhi entre as sobras de ladrilhos os mais alegres”, diz a arquiteta, que cobriu a bancada com as peças. “Montei o patchwork no chão da fábrica e comprei apenas os ladrilhos que iria usar para não ter desperdício.” Do mesmo local, são as massas de cimento natural, que reveste as paredes, e colorido de azul para o piso. Na aplicação, usou mão de obra da Delta Plan Engenharia. Toalha da Mundo do Enxoval.


17 – A ventilação cruzada
nos ambientes evita o uso de aparelho de ar-condicionado. Para obtê-la, é necessário ter janelas em paredes opostas, de preferência uma em frente à outra. O modelo basculante é útil porque pode ficar aberto mesmo nos dias de chuva.

18 – Nos últimos anos, a produção de placas de captação de energia solar cresceu 19% no Brasil, segundo a Abrava, Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-condicionado, Ventilação
e Aquecimento. Isso levou à redução do preço
do produto. Na Soletrol, um sistema de aquecimento solar para quatro banhos diários custa
R$ 1.400 e representa economia de 2 mil kW/h no consumo de energia elétrica por ano. Estima-se que haja 250 mil aquecedores solares instalados em lares brasileiros.

19 – Quem mora em casa pode instalar um sistema de captação de água de chuva por calhas e tubulações para ser armazenada em caixa com tampa ou cisterna enterrada no terreno. Sem tratamento, o líquido é canalizado para as caixas de descargas no banheiro e para as torneiras da área externa usadas na irrigação do jardim. Há kits pré-montados com reservatório – de 100 a 300 litros de capacidade – à venda nas lojas de material de construção.

20 – Cada um pode contribuir para aumentar as áreas com vegetação na cidade. Na construção ou reforma da casa, o telhado tradicional pode ser substituído pelo teto verde. Empresas especializadas, como a Ecotelhado, fazem a instalação das coberturas com terra, grama, sistemas de irrigação e drenagem em lajes. Além de melhorar o clima na cidade, deixa agradável a temperatura nos ambientes.

21 – Os aparelhos eletrônicos, como TV e carregadores de celulares, não devem ficar o tempo todo plugados nas tomadas porque consomem energia mesmo quando não estão sendo usados. Para economizar eletricidade, dispense os acessórios de cozinha de pouca utilidade no dia a dia, como facas elétricas e processadores de alimentos.

22 – Não precisa morar em casa para cultivar plantas. Em apartamento, dá para ter espécies em um painel na parede, como os criados pela paisagista Gica Mesiara, da Quadro Vivo. “Estudos mostram que áreas de 12 m² com plantas já influenciam no microclima: atraem pássaros, diminuem o calor em até 4ºC, melhoram a oxigenação do ar e reduzem a poluição sonora”, diz ela.

23 – Há diversas tecnologias modernas de adubação e de aplicação de defensivos orgânicos para proteger as plantas, oferecidas por empresas como a EcoJardim. Na irrigação, os equipamentos garantem a utilização racional da água, em benefício da preservação dos recursos naturais do planeta.

24 – As calçadas devem ser drenantes para que a água de chuva retorne aos mananciais. Para isso, deve-se evitar a aplicação de massa de cimento e de cerâmica entre os canteiros do jardim. O melhor caminho é espalhar pedriscos ou pôr pedras sobre uma base de areia diretamente no solo. Outra opção é colocar dormentes, descartados por estradas de ferro, ou cruzetas de postes antigos de eletricidade.

 

Fotos Marcelo Magnani

Humor aplicado em peças do cotidiano renovadas


As instalações, que o fotógrafo e artista plástico Felipe Morozini cria para eventos com peças de lojas de usados, acabam em seu apartamento, no centro de São Paulo. “Dou utilidade a móveis antigos sempre pensando em levar bom humor à decoração”, afirma Morozini, que vende algumas criações na Micasa. “Tenho a questão ecológica como pensamento de vida. Procuro produzir em cima do que existe”, diz. Para um evento de moda, ele pintou a mesa com a estampa pied-de-poule e a máquina de costura com a cor da roupa presa nela. Também customizou o relógio cuco. O cão com flores artificiais é da China. Quadro com cabeças de coração de Yuri Pinheiro.

25 –Escolha os vasos de materiais naturais, como barro, cerâmica e madeira. São mais duráveis e menos ofensivos ao meio ambiente do que os feitos de compostos plásticos.

26 – Prefira espécies nacionais. As plantas nativas já são adaptadas às condições climáticas do país. Além de exigir menos cuidados, cultivá-las contribui para a preservação da flora brasileira. Algumas sugestões de árvores: jatobá, pitangueira, jabuticabeira, ipê, uvaia e cupuaçu.

27 – Não tem coisa melhor do que comer hortaliças e legumes da própria horta. A principal vantagem é que os alimentos ficam livres de agrotóxicos. Para ter uma em casa, siga as instruções: as plantas de raízes são cultivadas em vasos ou canteiros de 20 cm de profundidade. Já as folhas, mais a abobrinha e o tomate precisam apenas de 15 cm.

28 – Assim como o lixo reciclável, os resíduos orgânicos podem ser aproveitados. Com a técnica da compostagem, dá para produzir adubo orgânico em casa para o canteiro de ervas. Separe cascas de frutas e legumes em um recipiente com tampa (não coloque grãos ou restos de comida, que causam mau cheiro e propagam insetos). Por cima, coloque
uma camada fina de serragem. Depois de cheio, deixe apurar por quatro meses, longe de lugares úmidos.

29 – Evite combater as pragas do jardim com fumo, que não é ecológico.
A agrônoma Marília Lima sugere outra receita caseira: bata no liquidificador 100 g de alho e a mesma quantidade de pimenta-do-reino. Ponha a mistura em garrafa escura com 1 litro de álcool e deixe curtir por
sete dias. Dilua 100 ml a cada 10 litros de água com uma colher de chá de detergente neutro. Pulverize na planta.

30 – Mesmo nas metrópoles, é possível receber a visita de pássaros. Para atraí-los, basta colocar um comedouro com frutas frescas, alpiste e sementes de girassol na varanda ou no terraço. Árvores como a amoreira ou a flor de hibisco causam o mesmo efeito. Lembre-se também de trocar a água todos os dias e jamais acrescente açúcar ou mel.

31 – Já existem vários materiais de construção fabricados com lixo reciclado.
O mais conhecido é a telha ondulada da Ecotop. A peça é produzida a partir da moagem e prensagem de tubos de creme dental, que são compostos de alumínio e plástico. São mais duráveis e resistentes do que a de outros materiais, além de reduzirem o volume de detritos lançados em aterros sanitários.

32 – A decoração pode agredir menos a natureza. Há muitas opções de tecidos naturais, como algodão, linho e seda, para confeccionar cortinas e revestir estofados. Na pintura da casa, podem ser usadas as tintas ecológicas à base de terra, como as da marca Solum, que possui uma cartela de 15 cores. Ou, ainda, vale recorrer à velha e boa pintura com cal.

 

Acredito que as atitudes compiladas acima são realmente importantes e aplicáveis. Algumas, como dar preferência para comprar verduras de produtores locais, ou utilizar espécies nativas no paisagismo chegam a ser óbvias, mas muitas vezes nos esquecemos de fazer. Outras, como reutilizar móveis antigos ou peças de demolição, são exemplos de como com criatividade é possível economizar e obter ótimos resultados na decoração. Aqui no escritório várias dessas atitudes foram aplicadas durante a reforma, e mesmo no cotidiano, como a compostagem das folhas e restos de alimentos para utilizar como adubo orgânico, diminuindo a geração de resíduos e cooperando para um paisagismo ainda mais verde!

Arquiteto Paulo Trigo

Artigo original:  http://revistacasaejardim.globo.com/Revista/Common/0,,EMI215524-16940,00.html

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