TETO - Arquitetura Sustentável

Instalação do piso de bambu no escritório

 

Neste caso, o material empregado foi o “Piso de Bambu de Alta Densidade Carbonizado Mesclado Fosco” da marca BambooFloor, que utiliza bambu da espécie MOSO em sua linha de produtos.

As peças têm dimensões de 1850 x 125 x 14mm e são entregues em caixas  com oito peças, pesando 25,9Kg.

Por que utilizar bambu?


Ecologicamente Correto:

O bambu é uma gramínea de crescimento rápido e auto-suficiente, ou seja, tem brotação espontânea após o corte. Cresce mais rápido que as árvores utilizadas comercialmente, estando pronto para a colheita após 4 ou 5 anos. Desta forma, com um ciclo de crescimento rápido e vigoroso, é uma planta que seqüestra grande quantidade de carbono durante seu desenvolvimento e o plantio controlado certificado pelo FSC garante o fornecimento de matéria-prima sem comprometer as florestas nativas.

Durabilidade e Estabilidade:

O bambu tem características semelhantes às da madeira, no entanto, sua alta taxa de fibras confere uma densidade maior que do Ipê, Cumaru e Carvalho, por exemplo, garantindo ótima resistência mecânica e grande estabilidade dimensional.

Instalação Rápida e Fácil:

Por ser um piso-pronto, já vem de fábrica com os encaixes tipo “macho-fêmea” nos 4 lados e com tratamento e acabamento de verniz para alto tráfego, resultando numa resistência grande a riscos e facilitando a montagem.

Uso de Cola e Verniz não Tóxicos:

Os produtos utilizados nos processos de fabricação e montagem – cola, resinas e vernizes – são à base de água, livre de combinações químicas prejudiciais ao meio ambiente e à saúde e obedecem à Normas de controle de formaldeídos com padrões internacionais.

Certificações de Qualidade e Selos Ambientais:

  • Selo FSC (Forest Sterwardship Council): garante que a madeira provém de florestas controladas com rigorosos critérios de manejo não predatório.
  • Selo GBC (Green Building Council): garante que o produto está de acordo com as práticas de construção sustentável internacionais.
  • Certificação ISO 14001 – Certificado de Sistema de Gerenciamento Ambiental (SGA): esta norma estabelece requisitos para as empresas gerenciarem seus produtos e processos para que não agridam ao meio-ambiente, que a comunidade não sofra com os resíduos gerados e que a sociedade seja beneficiada num aspecto amplo.
  • Certificação ISSO 9001 – Certificado de Sistema de Gestão de Qualidade (SGQ): esta norma tem como objetivo prover confiança de que o fornecedor poderá fornecer, de forma consistente e repetitiva, bens e serviços de acordo com a qualidade com que foi especificado.

Processo de fabricação:


 

 

Etapas da instalação:

  • Primeiramente, o contra-piso deve estar regularizado, ou seja, livre de relevos ou depressões acentuados. Como nesta reforma o antigo piso cerâmico foi removido sem grande dificuldade, não foi preciso fazer outra regularização;
  • Iniciamos, portanto, com a aplicação de uma camada de impermeabilizante (esse material azul nas fotos) para evitar que qualquer tipo de umidade vinda do solo venha a danificar as peças ou diminuir sua vida útil;
  • Feita esta etapa de preparação, a instalação propriamente dita consiste em espalhar a cola PU e ir “montando” as réguas do piso já previamente cortadas conforme as dimensões do ambiente em que será instalado.

 

A título informativo, a sala em questão tem 10m² e com dois técnicos trabalhando a instalação foi completada em duas horas.

Neste caso, as perdas de material durante a montagem foram extremamente reduzidas, pois optamos por utilizar todos os recortes de peças nas fileiras de piso subseqüentes.

 

Aplicação de cola PU sobre a resina impermeabilizante (azul)

 

 

Colagem das peças previamente cortadas

 

 

Colagem das peças

 

 

Piso acabado

 

Detalhe

 

Vista geral do ambiente finalizado

 

De instalação rápida e fácil, muito bonito e ecologicamente corretos, produtos derivados de bambu são um exemplo real de como podemos integrar a tecnologia com a preservação de nossos recursos naturais.

Arquitetos trazem a natureza à cidade por meio de jardins verticais

Por CicloVivo, reproduzido em Exame.com (com complementação de imagens)

São Paulo – Para lidar com a falta de vegetação em meio à cidade e ao crescimento urbano, arquitetos do mundo todo estão desenvolvendo projetos ambiciosos para trazer a floresta de volta, usando a tecnologia verde e colocando-as em estruturas verticais.

Projetos trazem a floresta de volta, usando a tecnologia verde e colocando plantas em estruturas verticais – Edifício Bosco Verticale, Milão

Há cem anos atrás, a resposta mais radical do mundo para a expansão da cidade moderna foi a construção de Letchworth, a primeira “Cidade Jardim” do mundo, em Hertfordshire, situada ao norte de Londres.

O criador do conceito de “Cidade-Jardim” foi Ebenezer Howard, que considerava Londres uma cidade poluída, lotada e um local desumano para se viver.

Ele imaginou uma comunidade utópica que poderia desfrutar o melhor da cidade e do campo: um jardim para cada casa e uma caminhada através de campos para os trabalhadores em direção a empregos nas fábricas. A ideia de “Cidade-Jardim” foi replicada em diversas localidades do mundo.

Na última década, porém, a ideia de Howard foi reinventada em conceitos pós-modernos para “cidades sustentáveis”, onde cada vez mais pessoas acreditam que acesso a um jardim é uma necessidade humana básica.

Para o escritório de arquitetura holandês MVRDV, a “Cidade-Jardim” de Howard já não pode ser uma resposta em um mundo com tantas pessoas.

Sua próxima ideia foi a provocativa Cidade dos Porcos, em 2001. Ele sugeriu que os porcos deveriam ser criados e abatidos em torres de vários andares. A empresa argumentou que os animais teriam uma vida melhor no alto do que no chão, e o campo seria liberado para as pessoas. Para eles a questão é a nossa relação com a comida, cidades e natureza.

Edifício Torre Huerta, Valência

A Torre Huerta, um projeto de habitação social de 96 apartamentos, em Valência, foi projetada também pelo escritório MVRDV, em parceria com o escritório MGAARQTOS, de Roterdã, Holanda.

Alguns dos 96 apartamentos terão uma varanda com árvores posicionadas de modo que ninguém ficará na sombra. Valencia costumava ser rodeada por pequenas lotes em que as famílias plantavam frutas e legumes, porém estes ambientes estão desaparecendo com a expansão da cidade para o campo. Esta foi a ideia dos arquitetos, transplantar esses locais em uma “colcha de retalhos” vertical.

Bosco Verticale – Milão, Itália

Stefano Boeri, arquiteto responsável pelo projeto Bosco Verticale – a primeira floresta vertical do mundo, em Milão, Itália, reconhece que existe um modelo alternativo de “arquitetura verde”. O movimento “arquitetura viva” vai além da legislação vigente: trata-se de como as cidades devem se sentir.

Estas torres de Milão são possíveis por causa de uma nova colaboração entre arquitetos, engenheiros e botânicos. Ao mesmo tempo, este novo movimento é uma recuperação visionária da natureza, que desapareceu de nossas cidades.

Edifício Harmonia 57, São Paulo

O “edifício verde” do momento, no Brasil, é o Harmonia 57, um bloco de escritórios construído há três anos em São Paulo pela Triptyque, quatro arquitetos franco-brasileiros criaram a prática no Brasil. Suas paredes são construídas de concreto poroso, com silos para que as plantas cresçam na superfície, regadas pela neblina coletada em um engenhoso sistema de tubulações. “É um edifício que respira e transpira”, dizem seus criadores.

O herói do movimento para dissolver as fronteiras entre arquitetura e natureza é Edouard François, que montou sua prática em Paris em 1998. Em um projeto inicial, ele encomendou uma “parede verde”, sistema de fixação de plantas em paredes, que se tornou um revestimento de moda para hotéis boutique e centros comerciais.

Joseph Williams, um arquiteto recém-formado, propôs em seu projeto de graduação, um conjunto de habitações no leste de Londres que seriam construídas com uma treliça externa de seis andares. A intenção é filtrar o ar e o ruído, mas também criar um “descolamento psicológico da selva de concreto”.

Vivemos em uma época em que as fronteiras entre ambientes internos e externos, a arquitetura e a natureza estão se dissolvendo. Como o naturalista John Muir escreveu: “Eu só saí para uma caminhada, e finalmente resolvi ficar fora até o pôr do sol, quando sai, eu encontrei o que realmente estava acontecendo”.

Fonte: Blog do Macêdo – Arquitetura e Sustentabilidade | Arquitetos trazem a natureza à cidade por meio de jardins verticais

 

Telhado Verde – perguntas e respostas

 

– Quais as vantagens do teto ecológico?

Além dos aspectos construtivos sustentáveis, a aplicação das Coberturas Verdes Leves – CVL (denominação técnica para o que conhecemos como “teto ecológico”, “telhado verde” ou “teto jardim”), tem por objetivo contribuir com a eficiência energética dos edifícios, melhorando o conforto interno, diminuindo a temperatura através do resfriamento evaporativo e aumentando a umidade do ar em dias quentes de verão, o que representa significativa economia de energia com sistemas de refrigeração.

As plantas também retiram partículas em suspensão no ar, o que torna muito mais agradável o ambiente, como se pode verificar em parques e espaços arborizados. Outro benefício diz respeito à fotossíntese, uma vez que a retirada de gás carbônico do ar ajuda no combate ao aquecimento global. Segundo o engenheiro agrônomo Sérgio Rocha, diretor técnico do Instituto Cidade Jardim, fabricante de telhados verdes com sede em Itu, SP, para cada 10 mil metros quadrados desses elementos instalados é possível sequestrar cerca de 50 toneladas de carbono¹.

A eficiência energética e conforto ambiental, por sua vez, aspectos do Desenvolvimento Sustentável, igualmente contribuem para reduzir problemas de saúde (respiratórios) e para o aumento da produtividade, intelectual ou não, por meio da promoção de condições adequadas no trabalho (escolas, fábricas e escritórios, hospitais e postos de saúde), sobretudo, para edifícios que procurem reduzir os seus custos de operação.

Além disso, provê um hábitat para plantas, insetos e outros pequenos animais; assegura efeito visual e estético aos edifícios, bem como conforto ambiental e saúde aos habitantes.

 

¹Fontes:
-Departamento de Hidráulica e Saneamento da EESC-USP:
http://www.shs.eesc.usp.br/pessoal/docentes/pesquisas/14/tetoverde/materiais_metodos.html
-Ecocasa:
http://www.ecocasa.com.br/


– Essa idéia é aplicada desde quando?

A utilização de telhados verdes não é recente. Ao contrário, há registros de sua presença desde a antiga Mesopotâmia. Quem nunca ouviu falar dos jardins suspensos da Babilônia, criados no século VI a.C.? Considerados uma das sete maravilhas do mundo antigo, eles tinham, antes de beleza paisagística ou contemplativa, o objetivo de atenuar as temperaturas elevadas dessas regiões. Ao longo do tempo, o uso desse sistema foi sendo aperfeiçoado e se propagou pelo mundo, constituindo elemento fundamental da arquitetura de países da Europa Central e da Escandinávia. Nos anos 1960, as pesquisas foram intensificadas na Alemanha e novas tecnologias introduzidas, tais como materiais drenantes, membranas impermeabilizantes, agentes inibidores de raízes, substratos de baixa densidade e espécies adequadas de plantas. Atualmente, a Alemanha tem cerca de 15% do total das construções com telhados verdes.

Exemplo da importância dos telhados verdes é o fato de em algumas regiões dos Estados Unidos ser obrigatória a execução de coberturas com alto índice de refletância. Em Nova York, a municipalidade oferece estímulos para as construtoras que implantarem telhados verdes em pelo menos 50% de suas obras e ainda prevê desconto no imposto predial desses imóveis.

 

 

– O teto ecológico tem aplicação em todos os tipos de imóveis?

Sim. O sistema pode ser aplicado tanto em coberturas planas (lajes), como em estruturas inclinadas, semelhantes às de uma cobertura convencional, desde que seja considerada a sobrecarga do sistema na estrutura, que é equivalente àquela de uma cobertura convencional (até 80kg/m²). Esta solução pode ser utilizada em residências, edifícios comerciais, públicos ou corporativos. Esta vem sendo, inclusive, a solução mais procurada para a cobertura de sedes empresariais em países desenvolvidos, com expressiva aplicação em edifícios públicos em Nova Iorque, Canadá e Alemanha, devido ao caráter do melhoramento da eficiência energética e grande apelo ecológico, bem como de promoção do bem estar às pessoas.

 

 

– O valor é maior?

Não necessariamente. Se considerarmos o valor dos módulos de plantas que serão acrescidos numa laje que seria deixada nua, sem nenhum tipo de tratamento, sim. Mas quando o sistema de CVL é utilizado para substituir uma cobertura convencional com telhas cerâmicas ou de concreto, o valor dos módulos é menor que do madeiramento e telhas, por exemplo.

O metro quadrado para a execução de uma cobertura com madeiramento e telhas de concreto ou cerâmicas, incluindo-se a mão-de-obra, varia entre R$160 e R$200. Já o sistema de cobertura leve comercializado pela Ecocasa custa entre R$60 (somente os módulos vazios) e R$150 (módulo completo com substrato e plantas já cultivadas) por metro quadrado.

 

 

– Ele pode diminuir os gastos com ar condicionado?

Certamente. A título informativo, sabe-se que o sol incidindo ao longo do dia sobre uma laje provoca um aumento crescente da temperatura, transferindo parte desse calor para o interior dos ambientes, que então devem ser resfriados de alguma forma, desde as mais naturais como uso de ventilação cruzada e ventiladores, até as mais dispendiosas, como é o caso do ar-condicionado.

Baseado em tabela de valores gerais de absorbância da Associação Brasileira de Normas Técnicas (2003), estima-se que uma cobertura pintada de branco a absorbância seja de 20%, enquanto na cor preta esse índice alcança 97%. Já na cobertura verde, cerca de 27% da radiação solar incidente é refletida, 60% é absorvida pelas plantas e apenas 13% é transmitida à superfície inferior.

Esses dados ilustram bem a eficiência térmica das coberturas verdes.

 

 

– Quais os cuidados que devem ser adotados por quem faz a opção pelo teto ecológico para a manutenção?

Visto que o sistema utiliza plantas rústicas, resistentes ao vendo e à insolação direta e com baixa demanda por água (sendo praticamente auto-suficiente através dos reservatórios internos), a manutenção necessária se resume na inspeção e retirada de plantas invasoras a cada 6 meses e na adubação de reforço a cada 12 meses.

 

 

– Existe mais de um tipo de teto ecológico? Se sim, quais são os tipos?

Sim, o desenvolvimento das CVL’s trouxe uma grande variedade de sistemas e tipos de coberturas, mas todas seguem o mesmo princípio – são módulos que abrigarão o substrato para as plantas e uma quantidade de água, com espécies diferentes de vida vegetal, dependendo do orçamento, propósito da cobertura, região em que se encontra e objetivos finais do cliente.

Em geral, os diferentes tipos de sistemas variam entre a utilização de plantas forrageiras, suculentas ou gramíneas.

32 ideias e atitudes para uma vida sustentável

 

Texto Marilena Dêgelo (colaborou Julia Benvenuto) Repórter de imagem Nuria Uliana Fotos Marcelo Magnani

A separação do lixo reciclável em casa e o abandono do uso de sacolas plásticas descartáveis no supermercado são as primeiras, mas não as únicas, medidas de consciência ecológica. Existem muitas iniciativas simples, e de baixo custo, na construção, na decoração e no paisagismo, que contribuem para a preservação do meio ambiente

Fotos Marcelo Magnani

Respeito à natureza e ser feliz com o que se tem


Contra o desperdício e o consumo desenfreado, a artista plástica Isabelle Tuchband preserva as peças antigas, herdadas da família e compradas em viagens. “Tenho boas recordações quando olho para elas e isso me faz feliz”, afirma. No jardim de sua casa, a mesa de ferro, dos anos 1950, que sua sogra trouxe de Nova York, está sempre posta para um chá com vasos de flores embaixo da centenária sibipiruna, preservada no terreno. “Esta árvore protege minha casa e dá boas energias”, diz Isabelle. Os assentos das cadeiras de ferro têm almofadas com tecidos naturais, algodão e linho, da Tecelagem Francesa, confeccionadas por Rita Tapeceira. “Restauro e mudo de lugar os móveis, valorizando o que tenho. Ser ecológico é ter esta consciência: fazer o máximo com o que se tem por perto”, afirma ela. Ao fundo, pintura de sua autoria.

1- Há um movimento mundial pelo reuso do que temos em casa ou do que é descartado por empresas ou outras pessoas. Assim, um móvel que não serve mais para os pais pode ser útil na casa do filho. Com um novo olhar sobre os objetos, é possível descobrir outros. Basta uma pintura ou um tecido novo para as peças ganharem destaque na decô.

2 – O improviso é bacana. As caixas de frutas e legumes, jogadas no lixo de entrepostos e supermercados, podem ser empilhadas e virar uma estante para guardar livros. Há anos na Europa, os paletes de madeira, usados para o transporte de máquinas e eletrodomésticos, são aproveitados na produção de mobiliário e pisos. A ideia já tem vários adeptos no Brasil.

3 – Um freio no consumismo. Outro movimento que ganha força entre arquitetos e designers é o low-tech, em oposição ao high-tech. Nada de trocar a geladeira ou outro eletro em uso somente porque lançaram um modelo novo. Se não tem um, vale pegar os aparelhos que estão velhos para outras pessoas, mas ainda funcionam. Mas fique de olho: se for muito antigo, pode consumir energia demais. Melhor usar como armário ou bar na sala. Dá um ar vintage ou retrô ao ambiente.

4 – Reaproveite embalagens. Caixas de papelão, latas de chá e de leite em pó e vidros de geleia esvaziados podem ser muito úteis. Para organizar fotos ou peças de roupa pequenas no quarto, use as caixas forradas com tecido ou papel. No escritório, as latas pintadas ou revestidas servem de porta-lápis ou porta-treco. Os vidros viram vasinhos para decorar as mesas nas festas. Até uma lata grande de tinta tem potencial para ser um banco com assento estofado.

5 – Do tempo da vovó. Nada aquece mais a alma e o corpo do que uma boa manta de patchwork feita com retalhos de tecidos até mesmo aproveitados de roupas em desuso. Além de cobrir o sofá ou a cama, podem ser adaptadas como belas cortinas ou revestir paredes. Vale fazer o mesmo com restos de tapetes. Mesmo de estilos e cores diferentes, rendem um moderno modelo.

 

Fotos Marcelo Magnani

Para jogar pingue-pongue ou fazer as refeições


No mundo contemporâneo, os móveis flexíveis ou com dupla função são as melhores alternativas para as casas e os apartamentos com espaços cada vez mais reduzidos. Nesta casa onde moram três amigos no bairro do Pacaembu, em São Paulo, a metade da mesa de pingue-pongue é usada na sala de jantar. Encostada na parede, tem lugar para as quatro cadeiras compradas em lojas de usados. As de madeira revestida de Formica vermelha e com pés palito são dos anos 1950. As giratórias e estofadas com corino azul- -turquesa e friso dourado têm design dos anos 1970. A outra metade fica na cozinha e é colocada junto desta quando dá vontade de jogar ou para receber mais pessoas em torno da mesa. Garrafas e vaso da loja Teo. Quadro com fotos de Felipe Morozini.

6 – Na falta de móveis herdados de família, recorra a lojas de usados ou entidades beneficentes que recebem doações. Lá dá para comprar peças de época, com design clássico e moderno, a bons preços. Alguns desses locais oferecem o serviço de restauro. Mas também é interessante usar móveis detonados, com a marca do passado e de sua história.

7 – Existe um teste chamado pegada ecológica no site da WWF (www.wwf.org.br) que determina se a pessoa é consciente pela quantidade de metros quadrados que ela utiliza para morar. Leva em conta que se cada um habitar uma grande casa, não haverá lugar para todos no planeta. “De acordo com essa premissa, um espaço multiuso é uma atitude sustentável”, segundo o arquiteto Gustavo Calazans.

8 – Compre a produção local. De modo geral, as verduras e as frutas disponíveis nos supermercados viajam longas distâncias até chegar a seu destino final. Imagine a emissão de gás carbônico decorrente dessas longas travessias. Em relação aos produtos importados, prefira os transportados por navio, que causa cinco vezes menos impacto na emissão de poluentes em comparação ao frete rodoviário. Logo, ir à feira é uma atitude sustentável.

9 – Na reforma de apartamentos, a demolição de paredes para eliminar o excesso de cômodos integra os ambientes. Além da amplitude, isso melhora a circulação de ar, o que deixa o clima mais fresco no verão, e proporciona maior insolação, aquecendo os ambientes no inverno. “Assim não é necessário instalar sistemas de aquecimento ou de ar-condicionado, minimizando o consumo energético”, diz Calazans.

10 – Em grandes cidades, como São Paulo, os centros têm prédios de apartamentos antigos, incríveis e históricos, abandonados por falta de interesse imobiliário. Para um desenvolvimento urbano sustentável, arquitetos defendem a realização do retrofit nesses edifícios para que voltem a ser habitados em vez de se continuar a construir novos prédios. O princípio do retrofit é restaurar as fachadas e adequar os espaços internos às necessidades atuais, como nova instalação elétrica e hidráulica e acesso à internet.

 

Fotos Marcelo Magnani

Bancada de trabalho vira aparador no quarto


Em um canto de seu quarto, o designer de produtos e diretor de arte Ilan Wainstein colocou a bancada de trabalho descartada por um artista plástico. “Está toda manchada de tinta, mas funciona bem aqui”, diz ele sobre o móvel de madeira maciça que mede 1,70 m x 0,75 m x 0,50 m. “Era mais alta. Serrei 20 cm dos pés para ficar na proporção certa”, afirma Ilan. Em cima da bancada, ele expõe os perfumes na bandeja de prata, que herdou da avó. Embaixo, ficam o som e livros. O quadro é uma montagem com a capa de um livro e um porta-retrato antigo. Na parede, IIan pendurou o cabide com camiseta dos anos 1980 comprada em brechó.
Sobras de tapetes orientais resultaram no patchwork, da Século, que cobre tacos. Cadeira de Philippe Starck.

11 – Em reforma, o reaproveitamento de revestimentos evita a geração de entulhos, que precisam de caçamba para ser removidos, encarecendo a obra. Muitas vezes, esses resíduos são lançados em rios e córregos da cidade, o que causa enchentes. Por isso, o ideal é restaurar os tacos, que costumam ser de madeira nobre. É melhor do que comprar um assoalho, cuja origem pode ser de florestas devastadas ilegalmente. No caso dos azulejos e pisos cerâmicos, em vez de removê-los, aplique em cima um novo acabamento.

12 – Os móveis de madeira maciça e nobre estão virando artigos de luxo ou de antiquário. A marcenaria caminha para o uso apenas de matéria-prima feita de compostos madeirados, tipo MDF, na fabricação de mobiliário, que será apenas revestido com folhas das madeiras nobres.

13 – Mesmo o tronco de árvore derrubada por tempestade pode ter melhor aproveitamento do que virar somente a base de uma mesa. “Recortado em pranchas ou ripas, rende muitos móveis, projetados com o dimensionamento mais adequado da madeira”, na opinião dos arquitetos Marcelo Ferraz e Francisco Fanucchi, da Marcenaria Baraúna.

14 – Há uma retomada pelos revestimentos simples, como piso de cimento e de ladrilhos hidráulicos, que são materiais de baixo impacto ambiental. Não consomem energia na produção, porque não são queimados em fornos. “O melhor cimento é o CP III, que emite menos poluentes porque é feito 70% de resíduos de siderúrgicas”, diz a arquiteta Adriana Yazbek. Outras opções sustentáveis são os pisos de bambu e de madeira de origem certificada.

15 – As grandes janelas ou panos de vidro, fechando os vãos entre os pilares da estrutura das construções, garantem a entrada de grande quantidade de luz natural nos interiores, dispensando acender lâmpadas durante o dia. Para iluminar o centro da casa, a solução está nas claraboias.

16 – Para a iluminação artificial, existem as lâmpadas de baixo consumo de energia elétrica, como as fluorescentes. Atualmente, há modelos que emitem luz de tom amarelado, mais aconchegante para salas e quartos. Outra opção é a luz de led, que consome dez vezes menos energia do que, por exemplo, as lâmpadas dicroicas.

 

Fotos Marcelo Magnani

Cores alegres e materiais menos poluentes


O patchwork de ladrilhos hidráulicos e o acabamento de cimento queimado refletem a preocupação com o uso de produtos sustentáveis na reforma do banheiro de casal, feita pela arquiteta Adriana Yazbek para a prima dela, Ana Paula, e o marido, Marcos Santos Mourão. “Eles pediram que fosse bem colorido. Fui à fábrica Dalle Piagge e escolhi entre as sobras de ladrilhos os mais alegres”, diz a arquiteta, que cobriu a bancada com as peças. “Montei o patchwork no chão da fábrica e comprei apenas os ladrilhos que iria usar para não ter desperdício.” Do mesmo local, são as massas de cimento natural, que reveste as paredes, e colorido de azul para o piso. Na aplicação, usou mão de obra da Delta Plan Engenharia. Toalha da Mundo do Enxoval.


17 – A ventilação cruzada
nos ambientes evita o uso de aparelho de ar-condicionado. Para obtê-la, é necessário ter janelas em paredes opostas, de preferência uma em frente à outra. O modelo basculante é útil porque pode ficar aberto mesmo nos dias de chuva.

18 – Nos últimos anos, a produção de placas de captação de energia solar cresceu 19% no Brasil, segundo a Abrava, Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-condicionado, Ventilação
e Aquecimento. Isso levou à redução do preço
do produto. Na Soletrol, um sistema de aquecimento solar para quatro banhos diários custa
R$ 1.400 e representa economia de 2 mil kW/h no consumo de energia elétrica por ano. Estima-se que haja 250 mil aquecedores solares instalados em lares brasileiros.

19 – Quem mora em casa pode instalar um sistema de captação de água de chuva por calhas e tubulações para ser armazenada em caixa com tampa ou cisterna enterrada no terreno. Sem tratamento, o líquido é canalizado para as caixas de descargas no banheiro e para as torneiras da área externa usadas na irrigação do jardim. Há kits pré-montados com reservatório – de 100 a 300 litros de capacidade – à venda nas lojas de material de construção.

20 – Cada um pode contribuir para aumentar as áreas com vegetação na cidade. Na construção ou reforma da casa, o telhado tradicional pode ser substituído pelo teto verde. Empresas especializadas, como a Ecotelhado, fazem a instalação das coberturas com terra, grama, sistemas de irrigação e drenagem em lajes. Além de melhorar o clima na cidade, deixa agradável a temperatura nos ambientes.

21 – Os aparelhos eletrônicos, como TV e carregadores de celulares, não devem ficar o tempo todo plugados nas tomadas porque consomem energia mesmo quando não estão sendo usados. Para economizar eletricidade, dispense os acessórios de cozinha de pouca utilidade no dia a dia, como facas elétricas e processadores de alimentos.

22 – Não precisa morar em casa para cultivar plantas. Em apartamento, dá para ter espécies em um painel na parede, como os criados pela paisagista Gica Mesiara, da Quadro Vivo. “Estudos mostram que áreas de 12 m² com plantas já influenciam no microclima: atraem pássaros, diminuem o calor em até 4ºC, melhoram a oxigenação do ar e reduzem a poluição sonora”, diz ela.

23 – Há diversas tecnologias modernas de adubação e de aplicação de defensivos orgânicos para proteger as plantas, oferecidas por empresas como a EcoJardim. Na irrigação, os equipamentos garantem a utilização racional da água, em benefício da preservação dos recursos naturais do planeta.

24 – As calçadas devem ser drenantes para que a água de chuva retorne aos mananciais. Para isso, deve-se evitar a aplicação de massa de cimento e de cerâmica entre os canteiros do jardim. O melhor caminho é espalhar pedriscos ou pôr pedras sobre uma base de areia diretamente no solo. Outra opção é colocar dormentes, descartados por estradas de ferro, ou cruzetas de postes antigos de eletricidade.

 

Fotos Marcelo Magnani

Humor aplicado em peças do cotidiano renovadas


As instalações, que o fotógrafo e artista plástico Felipe Morozini cria para eventos com peças de lojas de usados, acabam em seu apartamento, no centro de São Paulo. “Dou utilidade a móveis antigos sempre pensando em levar bom humor à decoração”, afirma Morozini, que vende algumas criações na Micasa. “Tenho a questão ecológica como pensamento de vida. Procuro produzir em cima do que existe”, diz. Para um evento de moda, ele pintou a mesa com a estampa pied-de-poule e a máquina de costura com a cor da roupa presa nela. Também customizou o relógio cuco. O cão com flores artificiais é da China. Quadro com cabeças de coração de Yuri Pinheiro.

25 –Escolha os vasos de materiais naturais, como barro, cerâmica e madeira. São mais duráveis e menos ofensivos ao meio ambiente do que os feitos de compostos plásticos.

26 – Prefira espécies nacionais. As plantas nativas já são adaptadas às condições climáticas do país. Além de exigir menos cuidados, cultivá-las contribui para a preservação da flora brasileira. Algumas sugestões de árvores: jatobá, pitangueira, jabuticabeira, ipê, uvaia e cupuaçu.

27 – Não tem coisa melhor do que comer hortaliças e legumes da própria horta. A principal vantagem é que os alimentos ficam livres de agrotóxicos. Para ter uma em casa, siga as instruções: as plantas de raízes são cultivadas em vasos ou canteiros de 20 cm de profundidade. Já as folhas, mais a abobrinha e o tomate precisam apenas de 15 cm.

28 – Assim como o lixo reciclável, os resíduos orgânicos podem ser aproveitados. Com a técnica da compostagem, dá para produzir adubo orgânico em casa para o canteiro de ervas. Separe cascas de frutas e legumes em um recipiente com tampa (não coloque grãos ou restos de comida, que causam mau cheiro e propagam insetos). Por cima, coloque
uma camada fina de serragem. Depois de cheio, deixe apurar por quatro meses, longe de lugares úmidos.

29 – Evite combater as pragas do jardim com fumo, que não é ecológico.
A agrônoma Marília Lima sugere outra receita caseira: bata no liquidificador 100 g de alho e a mesma quantidade de pimenta-do-reino. Ponha a mistura em garrafa escura com 1 litro de álcool e deixe curtir por
sete dias. Dilua 100 ml a cada 10 litros de água com uma colher de chá de detergente neutro. Pulverize na planta.

30 – Mesmo nas metrópoles, é possível receber a visita de pássaros. Para atraí-los, basta colocar um comedouro com frutas frescas, alpiste e sementes de girassol na varanda ou no terraço. Árvores como a amoreira ou a flor de hibisco causam o mesmo efeito. Lembre-se também de trocar a água todos os dias e jamais acrescente açúcar ou mel.

31 – Já existem vários materiais de construção fabricados com lixo reciclado.
O mais conhecido é a telha ondulada da Ecotop. A peça é produzida a partir da moagem e prensagem de tubos de creme dental, que são compostos de alumínio e plástico. São mais duráveis e resistentes do que a de outros materiais, além de reduzirem o volume de detritos lançados em aterros sanitários.

32 – A decoração pode agredir menos a natureza. Há muitas opções de tecidos naturais, como algodão, linho e seda, para confeccionar cortinas e revestir estofados. Na pintura da casa, podem ser usadas as tintas ecológicas à base de terra, como as da marca Solum, que possui uma cartela de 15 cores. Ou, ainda, vale recorrer à velha e boa pintura com cal.

 

Acredito que as atitudes compiladas acima são realmente importantes e aplicáveis. Algumas, como dar preferência para comprar verduras de produtores locais, ou utilizar espécies nativas no paisagismo chegam a ser óbvias, mas muitas vezes nos esquecemos de fazer. Outras, como reutilizar móveis antigos ou peças de demolição, são exemplos de como com criatividade é possível economizar e obter ótimos resultados na decoração. Aqui no escritório várias dessas atitudes foram aplicadas durante a reforma, e mesmo no cotidiano, como a compostagem das folhas e restos de alimentos para utilizar como adubo orgânico, diminuindo a geração de resíduos e cooperando para um paisagismo ainda mais verde!

Arquiteto Paulo Trigo

Artigo original:  http://revistacasaejardim.globo.com/Revista/Common/0,,EMI215524-16940,00.html

Isay Weinfeld fala sobre o envolvimento entre arquiteto e cliente

Apesar da fama e dedicação intensa à profissão, Isay Weinfeld diz que a arquitetura tem importância relativa em sua vida
De tudo, um pouco: sem fórmulas prontas, Isay Weinfeld está sempre em busca de projetos que o desafiem – o que justifica um currículo diversificado com programas que vão de discoteca a hotéis e livrarias, passando pelas residências. Diversidade que também extrapola a arquitetura, e permite que seu talento esteja registrado no cinema, na cenografia e em exposições

Enveredou-se também pela cenografia e assinou exposições na capital paulista. Mas é na arquitetura que hoje se expressa com mais frequência, e busca cotidianamente seus desafios e sua felicidade. Sim, porque como Isay mesmo diz, “estou aqui, momentaneamente nessa vida, como todos nós estamos, para tentar ser feliz”. E é o que tenta fazer com seu trabalho: tirar a sisudez característica de uma arquitetura que se pretende ser importante, e oferecer um pouco de humor e surpresa a quem habita seus projetos. Não um humor sinônimo de sorriso escrachado, “mas o riso que provoca reflexão”, adverte.

 

 

Como é o processo de concepção de projeto em seu escritório? Você está presente em todos os projetos?

Não pego trabalho para outras pessoas fazerem. Aceito o trabalho porque tenho prazer em fazer e porque as pessoas estão querendo que eu faça. Então, nada mais natural do que eu atender essas pessoas. Faço o projeto com minha equipe, evidentemente, mas é assim que começa e segue. Por isso, também, não posso pegar muitos projetos. Esse é o escritório que quero.

É comum haver escolha de clientes? Como unir a arquitetura que se quer fazer com a arquitetura que o cliente quer -principalmente em início de carreira?

Aí são duas coisas diferentes. Você vai se formando. A arquitetura é uma profissão que demora muito para pegar no tranco e a maturidade é muito importante. É uma profissão que você precisa realmente de muito tempo de trabalho – e isso não quer dizer que você vá exercer melhor o seu ofício -, mas irá dominar seus instrumentos de trabalho. Claro que o jeito de lidar com a seleção de clientes é diferente de quando se começa. Mas o escritório já tem um jeito de ver as coisas, e as pessoas que chegam aqui procuram esse jeito de ver. Têm afinidades com essa maneira de ver o mundo e principalmente com meus valores. Acho que isso talvez venha muito antes do gosto ou da capacidade criativa ou de qualquer outra coisa: as afinidades éticas mais do que as estéticas. Assim não há antagonismo entre o que quero fazer e o que cliente quer. A escolha é natural. Pode ser que haja uma seleção de projetos, não tenho porque negar. Mas não é por arrogância ou prepotência. É por honestidade, não tenho dúvidas. Pego um trabalho para que possa ter prazer, e para que possa dar prazer ao cliente. Não tem outro motivo que faça com que eu aceite um trabalho. E, claro, se eu acho que tenho condições de resolver o problema dele. Porque quando acho que não é para mim, que não vou saber fazer, não pego. Há várias razões que me fazem não pegar um trabalho. A primeira é isso: o jeito de ver a vida. Não é uma bobagem, é óbvio.

Até porque é um relacionamento…

De três anos em uma casa. Não é brincadeira. Não há dinheiro no mundo que me pague para fazer isso. Tenho de estar a fim de fazer, procuro aqui o meu prazer diário. Meu, do cliente e da equipe, penso muito em todo mundo, em trazer alguma coisa que dê prazer a todos nós aqui no escritório. Às vezes também é o tema, não gosto de me repetir, de fazer coisas que já fiz. Não tenho vontade. E se não tenho vontade vai ser ruim para o cliente ter um arquiteto por três anos sem vontade de fazer. Não tem sentido. São três anos de vida, isso não é pouca coisa.

Eu quero fazer a casa que tenha a cara do cliente, mas  vista através do meu olhar. Isso está ligado ao respeito que tenho por quem me procura para fazer um trabalho.

 

Veja a entrevista completa no site da AU:

http://www.revistaau.com.br/arquitetura-urbanismo/209/flerte-com-os-prazeres-226526-1.asp

© TETO - Arquitetura Sustentável | Home - Quem Somos - Portfólio - Serviços - Blog - Green News - Contato