TETO - Arquitetura Sustentável

Entrevista de Pedro Rivera com Santiago Calatrava na AU n°. 220 (julho 2012)

 

 

Pedro Rivera:

Você projetou um museu no Rio de Janeiro sobre o amanhã. Como imagina o futuro da arquitetura e da humanidade?

Santiago Calatrava:

A profissão do arquiteto é muito voltada para o futuro, paramos de trabalhar no momento em que o futuro do edifício começa. Somos responsáveis por todo o processo até a construção terminar. É interessante olhar assim, todo esforço é voltado para o momento em que o futuro do edifício se inicia. Isso em nossa cultura ocidental, talvez não em outras culturas. Temos o sentido de firmitas – que significa também perenidade, durabilidade. Veja as obras dos romanos, algumas ainda são utilizadas, com 2000 anos e funcionando. É interessante pensar que os romanos davam aos edifícios um senso de duração de 2.000 anos. Em outras culturas não é o mesmo, veja os japoneses. O zen budismo busca o efêmero, e constroem edifícios que sabem que em 30 anos vão reconstruí-lo. Utilizam materiais que não precisam resistir ao tempo: papel, madeira, palha. É um ponto de vista diferente. Posso resumir que a ideia de futuro em nossa cultura está implícita na própria ideia da profissão do arquiteto.

 

Divulgação
Em construção no Pier Mauá, Museu do Amanhã integra o Projeto Porto Maravilha, de revitalização da zona portuária carioca

 

 
Pedro Rivera:
Você tem fé no futuro da humanidade?

Santiago Calatrava:
Você faz as escadas corretas porque quer que as pessoas andem bem; faz as janelas baixas para que as crianças também possam olhar e não estejam em frente a uma barreira. Em nossa profissão está implícito um enorme senso de amor aos outros porque precisamos acreditar no futuro, porque acreditamos no homem.

“DEZ MANDAMENTOS PARA CRIAR UM JARDIM ECOLÓGICO” – Por Toni Backes

 

Quem planta e cuida do seu canteiro, pátio ou jardim já ajuda ao meio ambiente. Mas pode fazer mais. Pode fazer um jardim 100% correto!

Quem dá as dicas é o agrônomo e paisagista Toni Backes.

 

Olha só a lista dele:

 

DEZ MANDAMENTOS PARA CRIAR UM JARDIM ECOLÓGICO

 

1 — RECRIE O AMBIENTE mais próximo do original (Faça um programa de necessidade da Natureza), mas evite coleta de plantas do ambiente natural;

 PLANTE DIVERSIDADE. Quanto mais plantas diferentes, mais chance de ter jardim atrativo para a fauna. Principalmente plante espécies nativas. Maneje também as plantas espontâneas / invasoras;

— Faça um JARDIM ESTÉTICO, MAS PRODUTIVO. Existem inúmeras espécies rústicas de usos medicinais e alimentares;

 EVITE GRAMADOS e uso de canteiros com FLORES ANUAIS. São os vegetais que mais requerem manutenção e só servem para a contemplação;

— Tenha LOCAL COM ÁGUA (vertente, açude, laguinho, recolhimento de água da chuva, etc.);

 MELHORE MICROCLIMA com uso de vegetação. Reduzindo ventos, altas temperaturas, baixa umidade, geadas, reflexão do sol;

— Tenha no jardim abrigo, água e alimentação para ATRAÇÃO DA FAUNA;

— Faça RECICLAGEM DE MATÉRIA ORGÂNICA, evite trazer terras do ambiente natural. Não tenha solo coberto, use sempre vegetação ou faça “mulches”. Não use agrotóxicos e adubos químicos;

 MIMETIZE E CLIMATIZE AS EDIFICAÇÕES com Telhados Vivos, trepadeiras, etc… Use pisos com SUPERFÍCIES DRENANTES e com materiais de BAIXA PEGADA ECOLÓGICA;

10 — NÃO TENHA PRESSA, o jardim não precisa ser feito todo de uma vez, deixe a natureza agir. Compreenda como funciona a SUCESSÃO NATURAL.

 

“Só se ama aquilo que se conhece a fundo” (Leonardo Da Vinci)”

Sobre o acesso à catedral de brasília

 

 

Acesso à Catedral de Brasília:

 

Quando chegamos à Catedral, nos vemos obrigados a descer uma rampa. É a única maneira de se entrar.

Mesmo que fosse possível acessar em nível, descemos. Passamos por um túnel, escuro, baixo. Não é a sensação mais agradável este pequeno e estranho caminho.

Segundos depois nos damos conta do seu por quê: chegando por baixo, quando entramos de fato na Catedral, nossos olhos buscam imediatamente a luz vinda dos vitrais da cobertura, e se vê os anjos pendurados no teto.

É um momento quase mágico. Nossas pupilas adaptadas à escuridão levam alguns instantes para se regular à inundação de luz, e vemos os anjos meio desfocados, deve ser assim no Céu…

Chega a emocionar ver como uma solução arquitetônica traduz tão bem seu propósito de ser um lugar de fé.

A gente entra e busca o Céu, de onde vem toda a Luz.

 

Analisado em pesquisa da ECA, Movimento Devagar propõe equilíbrio e bom uso do tempo livre

Publicado em Comportamento por Redação em 9 de janeiro de 2012

Paloma Rodrigues / Agência USP

A retomada de consciência individual na busca por uma vida mais feliz, com mais tempo para lazer, trabalho e estudo e melhor uso do tempo livre é a proposta do Movimento Devagar, analisado em pesquisa da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. Surgido na Europa, nos anos 90 do século passado, o movimento possui um conceito comportamental e não temporal. De acordo com a autora do estudo, a publicitária Marilia Barrichello Naigeborin, trabalho e consumo podem gerar um ciclo vicioso. “Quanto mais você consome, mais você precisa do trabalho. A relação fica extremamente mercantil.”, diz.

“Hoje, por inúmeras razões o tempo livre acaba sendo o tempo do consumo, o que empobrece a vida. Não podemos nos esquecer do tempo para a cultura, a família, as coisas simples da vida que não custam dinheiro”, acrescenta a publicitária. A dissertação foi defendida em 2011, depois de uma viagem de oito meses por diversos países, que deu à Marília a oportunidade de conhecer diferentes culturas e organizações sociais. O orientador da pesquisa foi o diretor da ECA, professor Mauro Wilton de Souza.

O Movimento Devagar tem suas bases no Slow Food (“slow” significa “lento” e “food” significa “comida”), associação internacional sem fins lucrativos criada pelo jornalista Carlo Petrini, na Itália, em 1997. Sua criação é tida como uma reação crítica ao avanço do fast food, ao ritmo frenético dos dias atuais e do desaparecimento das tradições culinárias regionais. O Slow Food inspirou uma série de outros projetos. Em 2005, o jornalista canadense Honoré deu o nome de Movimento Devagar ao conjunto de esforços em demonstrar que tudo, ou quase tudo, quando feito devagar traz benefícios ao homem.

O tema contemporâneo se insere no plano das sociedades ávidas pelo consumo, consumo este que nem sempre reflete as necessidades de seus habitantes. “As vezes, você almeja uma vida simples, mas o dinamismo e a pressão do mercado acabam te exigindo outro estilo de vida”, diz Marilia. Segundo ela, o mercado é tão dinâmico que tira das pessoas o tempo necessário para refletir sobre sua realidade. Dessa forma, elas seguem com suas rotinas, sem se darem conta de que não é aquilo que lhes satisfaz. “Poucos conseguem se questionar: eu não mudo porque trabalho demais ou trabalho demais porque não mudo?”.

A filosofia do devagar tem em si uma tensão embutida.“Como ser devagar em um contexto contemporâneo veloz? Obviamente não dá para abrir mão do mundo em que vivemos, por isso precisamos constantemente jogar com isso”, diz. Esse estado transitório, entre o veloz e o devagar, incomoda e é isso que faz a pessoa permanecer consciente daquilo que lhe faz bem e o que não faz.

Tempo

O tempo livre, hoje em dia, incomoda. Depois de um tempo, ele gera angústia. Quando a pessoa se depara com a falta da obrigatoriedade do que fazer, ela fica inquieta e não se sente satisfeita. “Muitas vezes, estamos tão cansados para aproveitar o tempo livre que simplesmente o gastamos na frente da TV”.

Para que o tempo livre seja bem utilizado é preciso se conhecer. “As pessoas anseiam pelas férias, mas quando conseguem, não sabem o que fazer com ela. É preciso materializar o tempo livre, dar um sentido pra ele”, explica Marilia. Essa materialização tem de acontecer segundo o conceito “ócio criativo”, do sociólogo Domenico de Masi, onde lazer, trabalho e estudo se juntam. Essas três áreas favorecem o equilíbrio do ser para que ele possa seguir dialogando entre o veloz e o devagar.

O escape do tempo livre acaba sendo o consumo, porque é uma zona segura. As marcas se aproximam do discurso da vida equilibrada e do mundo com desenvolvimento sustentável. Entretanto, elas apenas repassam esse discurso, mas não desejam verdadeiramente que ele se perpetue. “São propagandas e inciativas bem executadas tecnicamente, mas que podem ser perigosas, pois não são isentas em seu debate. Eu acho que isso deve acontecer no meio acadêmico e nas esferas públicas, não na publicidade”, coloca Marilia.

Aplicação

Segundo a publicitária, ainda é muito difícil dizer se o Movimento Devagar dará certo no Brasil, por ser um país em desenvolvimento. Ela aponta que o movimento é considerado, por muitos, elitista. “Dentro da realidade brasileira ele ainda é mesmo: é muito difícil praticá-lo já que o mercado não incentiva o consumo de produtos orgânicos e que as pessoas trabalhem apenas meio período, por exemplo”, afirma.

Marilia acredita que a ligação entre o tema devagar e o planeta vai ajudar na impulsão do Movimento Devagar. “Para o planeta sobreviver será necessário desacelerar”, explica. Com isso, o Devagar começa a inspirar as pessoas e esse é o segundo passo para que ele vigore no mundo.

E, por fim, partir para políticas públicas: carga horária de trabalho reduzida, licença de trabalho para os pais, produtos orgânicos com preços acessíveis, etc. “A consequência disso será a reconciliação entre o homem e o tempo. Então estaremos finalmente reconectados”, completa.

 

Reforma do escritório

 

FAZENDO A LIÇÃO DE CASA:

 

Para implantar o escritório TETO – Arquitetura Sustentável fez-se necessária uma reforma geral no imóvel, tanto para a renovação das condições gerais, como para atender às novas necessidades de espaço e organização.

Neste artigo, vamos ilustrar como soluções simples e de baixo custo podem minimizar o impacto ambiental das obras de construção civil. E como tais soluções podem melhorar o ambiente em que vivemos.

 

Fachada:

 

fachada antes

 

fachada depois

 

Devido ao baixo orçamento e o intuito de preservar a estrutura original da casa, optou-se por não alterar sua fachada criando platibandas, faixas ou outros volumes cujo único objetivo seria proporcionar uma falsa “modernização” do imóvel. Ao invés disso, a criação do jardim de acesso e o uso de materiais naturais dão as boas vindas aos clientes e amigos.

 

Criação dos jardins:

 

Jardim de acesso recém plantado (10-02-2011)

 

Jardim de acesso recém plantado (10-02-2011)

 

 

Jardim de acesso 2 meses após o plantio (07-04-2011)

 

Jardim de acesso 2 meses após o plantio (07-04-2011)

 

Mais do que embelezar a fachada do imóvel, a criação de pequenos jardins cria micro-climas que atraem pássaros e pequenos animais de volta para o nosso convívio próximo. Quem não gostaria de ser agraciado pelo cantar de pássaros ou de poder observá-los enquanto se banham da janela de onde trabalha? Conseguimos isso com nosso pequeno jardim!

Plantas aquáticas x Dengue: Vale destacar que na bacia de barro onde colocamos as plantas aquáticas e onde os pássaros bebem e se banham, habitam peixes da espécie “tricogaster”. Além da respiração branquial, esses peixes, assim como os “betas”, possuem a capacidade de retirar oxigênio do ar, dispensando o uso de motores para a oxigenação da água. Além de trazer mais vida ao jardim, os peixes contribuem para comer as larvas de mosquitos e pernilongos que eventualmente ali desovem, afastando o risco de o local de cultivo das plantas aquáticas se tornar um criadouro de dengue.

São os jardins, também, que contribuem para a absorção da água das chuvas que, ao caírem naturalmente ou vindas dos condutores dos telhados têm ali um local para percolar no solo, evitando-se assim seu despejo na rede de águas pluviais das cidades e contribuindo para a redução do risco de enchentes. Como sabemos, a impermeabilização da superfície das cidades pelas construções e a canalização das águas pluviais são grandes responsáveis por este problema. Respeitando os códigos de construção ao deixar a “área mínima vegetada” nos terrenos ou mesmo aumentando-as, criando jardins, ganhamos bem mais do que belas plantas.

No quintal da edificação, 30m² de piso impermeável foram removidos para dar lugar a um gramado. Com isso, praticamente toda a água de chuva captada pela cobertura que antes era conduzida a um ralo e então à rede de águas pluviais agora percola na terra. A solução ideal seria captar essa água e armazená-la numa cisterna, para depois ser utilizada na rega das plantas. Pretendemos implantar esta solução num futuro próximo.

Neste gramado plantamos árvores frutíferas e diversos tipos de trepadeiras que futuramente contrastarão seu verde com a pintura amarela do muro, dando o efeito de “muro vivo” que pretendemos.

 

Aumento da área permeável de piso:

 

Quintal antes – piso impermeabilizado

 

Quintal depois – piso permeável com gramado, seixos, árvores frutíferas e trepadeiras

 

Quintal antes – piso impermeabilizado com pedra portuguesa

 

Quintal depois – piso permeável com grama e vegetação


Com a criação destes jardins, a área vegetada do terreno passou de 8% (mínimo exigido) para 20% da área total, somando 50m².

 

A estrutura do toldo da cozinha foi reutlizada e agora serve como suporte por onde cresce um pé de maracujá


Reutilizando a terra:

A criação do relevo através pelos pequenos “morros” no jardim não foi apenas uma solução estética. Quando trocamos as pedras portuguesas da calçada pelos paralelepípedos de arenito vermelho, uma grande quantidade de terra foi retirada, uma vez que os paralelepípedos são peças de maiores dimensões. Toda esta terra seria descartada, mas optamos por utilizá-la no paisagismo, criando então os relevos.

 

Detalhe dos morros criados com a terra proveniente da calçada

 

Faixa de grama na calçada:

Ainda pensando na permeabilidade dos pisos, a solução de se fazer uma moldura com grama na calçada ajuda a captar a água utilizada na lavagem da frente do imóvel. Praticamente toda a água que correria para o meio-fio é captada pelas duas faixas de grama, evitando o desperdício e contribuindo para a rega.

 

Calçada com paralelepípedos de arenito vermelho


 

 

 

Reutilização de entulho:

 

Criação de uma rampa com o entulho gerado na obra

 

 

O entulho gerado na demolição das paredes foi reutilizado para criar uma rampa de acesso ao quintal, no local onde antes havia uma escada.

 

Escolha do tipo de cimento:

 

cimento CP II-E

 

O cimento utilizado na reforma é do tipo CP II-E, que incorpora adições de 35 a 70% de escória de alto-forno (um resíduo da indústria siderúrgica) e até 5% de material cabornático em sua composição.

Estas adições trazem melhorias ao cimento, como maior impermeabilidade e durabilidade, baixo calor de hidratação, alta resistência à expansão devido à reação álcali-agregado, além de deixá-lo mais resistente a sulfatos, podendo ser empregado em contato com líquidos agressivos, esgotos e efluentes industriais.

É considerado o cimento mais ecológico de todos os cimentos produzidos no Brasil, pois além da preservação das jazidas naturais e pelo menor lançamento de CO2 na atmosfera, aproveita o rejeito das siderúrgicas, a escória, evitando o descarte deste material na natureza ou em aterros.

 

Textura da fachada:

 

textura de tinta mineral

 

A antiga fachada com revestimento cerâmico imitando tijolo estava em bom estado. No entanto, ali era a oportunidade para testar a aplicação de um material muito interessante e de ótimo desempenho:

A “tinta mineral”.

Trata-se de um revestimento ecológico e sustentável desenvolvido com pigmentos de terra extraída de jazidas certificadas e à base d’água.

Veja as características apontadas pelo fabricante:

-Não tem em sua composição metais pesados encontrados em pigmentos sintéticos;

-É livre de COV’S– Compostos Orgânicos Voláteis – substâncias poluentes derivadas do petróleo que agridem a camada de ozônio;

-Não possui plastificante, não cria película ou bolhas;

-Atóxica, não causa alergias;

-Inodora;

-Resistente a intempéries;

-Longa durabilidade;

-Cor intensa, não desbota já que o pigmento é mineral;

-Permite a respiração da parede, pois a composição natural sem resina acrílica permite que a umidade interna ao substrato seja trocada com o ambiente externo;

-Gera economia de material, mão de obra e tempo. Em paredes de alvenaria regularizadas dispensa fundo preparador ou massa corrida. A produção da tinta se dá sem o uso de compostos químicos ou processos de transformação, induzindo o uso de energia natural;

 

Além da fachada, utilizamos a “tinta mineral” também na pintura do banheiro.

 

Banheiro:

 

Banheiro antes

 

Banheiro depois

 

Efeito das paredes com reboco sarrafeado e tinta mineral

 

 

Detalhe do reboco

 

Piso e revestimento do banheiro foram todos removidos e substituídos por ardósia. Material natural e de baixa demanda energética é uma pedra muito abundante e resistente, que proporciona grande naturalidade aos ambientes. Nas paredes, apenas a área de banho ganhou revestimento com as pedras, nas demais, foi feito o “reboco sarrafeado”. Esta textura é obtida quando o pedreiro “desempena” a parede com a régua de alumínio e os grãos maiores de areia que não foram peneirados “riscam” o reboco, proporcionando um efeito decorativo e natural.

Normalmente, é assim que se faz o “fundo para azulejo”, ou seja, um tratamento rústico e rápido que será posteriormente coberto com o revestimento das paredes. No entanto, esta textura pode fazer parte do efeito decorativo. Com isso, obtemos um aspecto decorativo e natural e ganhamos tempo e economia na execução das paredes.

 

Detalhe – Espelho Ecológico

 

Este tipo de espelho não utiliza metais pesados (cobre e zinco) em sua produção e na composição da tinta utilizada para o espelhamento, o teor de chumbo é infinitamente menor que nos processos galvânicos. A água utilizada em todo o processo de produção é tratada e reutilizada.

 

Válvula de descarga com duplo acionamento

 

Em reforma de banheiros, uma solução muito simples pode proporcionar a economia de água que os sistemas modernos oferecem, apenas substituindo o acabamento de sua válvula de descarga por um de acionamento duplo. Todos os maiores fabricantes já oferecem essa versão e você mesmo pode fazer a substituição utilizando uma chave de fenda.

 

 

Cozinha:

 

Cozinha antes

 

Cozinha depois = sala de apoio/copa com piso de bambu

 

A cozinha deu lugar a uma sala de apoio, utilizada para conversas informais ou para um café com amigos e clientes. É neste espaço, onde antes havia piso e revestimento cerâmico, que colocamos o piso de bambu, a fim de proporcionar mais aconchego ao ambiente.

A nova cozinha, menor e mais funcional, foi então transferida para onde antes ficava a área de serviço. Recebeu o mesmo tipo de acabamento do banheiro, com pedra ardósia.

 

Área de serviço – antes

 

Área de serviço depois = cozinha

 

Pergolado:

Voltada para a face oeste (sol poente), a cozinha tem grande exposição ao sol da tarde. Para minimizar o calor e a incidência de luz direta, criamos um pergolado (foto acima à direita) que sustenta uma trepadeira Jade-Vermelha. Quando crescida, a planta proporcionará uma visão muito bonita com seus cachos de flores ao mesmo tempo em que “filtrará” os raios de sol, evitando o excesso de calor na cozinha.

Utilizar a vegetação como barreira natural contra os raios solares pode auxiliar muito na diminuição da temperatura interna dos ambientes. Este tipo de recurso, conjuntamente com a criação de gramados e a ventilação cruzada, possibilita diminuir consideravelmente a necessidade do uso de condicionadores de ar.

Tais medidas, aliadas ao uso de equipamentos de baixo consumo energético e a iluminação com lâmpadas frias e LED’s, faz com que a demanda energética do escritório seja de apenas 4 Kwh/m²/ano.

 

Cozinha

 

Ampliação da sala principal:

 


Sala com sua configuração original

 

Sala integrada a um dos dormitórios

 

Comprida e estreita, a antiga sala de estar comportaria bem a grande mesa da sala de projetos, mas a sensação de confinamento e carência de luz natural incomodavam. A solução adotada foi a realização de aberturas nas paredes do dormitório que fazia limites com esta sala, criando uma integração visual e espacial. Com isso, também a luz proveniente da janela deste antigo dormitório agora penetra na sala e sua localização proporciona a ventilação cruzada nestes ambientes.

 

Sinteco Ecológico:

Todo o piso de taco de peroba-rosa foi restaurado, com lixamento e aplicação de Sinteco Ecológico – composto por resina Uréia-Formol, Solvente Orgânico, Plastificante e água.

Além de utilizar materiais menos tóxicos em sua composição, este tipo de Sinteco reduz drasticamente o cheiro incômodo do Sinteco tradicional durante e após a aplicação.

 

Sinteco composto por solventes orgânicos

 

Abertura das paredes e reforço estrutural utilizando madeira de demolição:

 

Abertura das paredes do antigo dormitório – integração com a sala

 

Estrutura com colunas e vigas de madeira

 

Salas integradas:

 

Sala principal

A parede verde ao fundo funciona como lousa para os croquis dos projetos

 

Integração do antigo dormitório à sala principal

Na decoração, a estante de fórmica da década de 1970

 

 

Por que usar madeira?

Depois de feitas as aberturas nas paredes, um reforço estrutural seria necessário. A solução mais imediata seria executar pilares e vigas de concreto, que depois de pintados, passariam despercebidos. No entanto, queríamos criar uma ambientação mais aconchegante e natural. E os batentes de madeira de demolição fizeram bem este papel. Feitas de eucalipto, essas peças que antes sustentavam um antigo galpão em uma serraria foram cortadas nas medidas necessárias sem ser “aparelhadas”, a fim de preservar as marcas provenientes da serra de corte, mantendo seu aspecto rústico e natural.

 

Detalhe dos batentes de madeira

 

 

Nesta reforma a madeira está presente nos usos mais diversos: seja na estrutura, no piso, no mobiliário, no paisagismo:

– A estrutura que reforça os vão abertos no antigo dormitório é de madeira de demolição;
– O piso geral do imóvel em peroba-rosa foi todo restaurado;
– A antiga cozinha recebeu piso de bambu;
– A mesa de trabalho e outra de apoio são peças de redescobrimento, ou seja, estavam abandonadas e foram recuperadas;
– Nos jardins, antigos dormentes ferroviários foram cortados e utilizados como pisadas.

 

Mesa de apoio – eucalipto de redescobrimento

 

Porta “finger joint”


A porta de entrada do escritório é produzida pela união de vários pedacinhos de madeira, retalhos da fabricação de móveis e que normalmente seriam descartados. Com dimensões variadas,  são compostos por diversos tipos de madeira, como Angelim, Eucalipto, Jequitibá e Tauari. Configurando a bonita paleta de cores. Através do processo de emendas finger joint é possível unir essas peças de tamanhos e densidades diferentes, resultando numa porta maciça, de excelente qualidade, preço baixo e com um visual único.

 

Diferentemente do que é disseminado em matérias sensacionalistas, o uso da madeira não caracteriza uma atitude anti-ecológica, pelo contrário. O que deve ser combatido é a exploração ilegal das florestas, bem como o uso de madeiras raras e nativas de difícil renovação.

Madeiras com certificação de manejo sustentável podem e devem ser utilizadas em nossas construções, afinal, este material tão nobre nos proporciona benefícios por toda a sua existência:

 

São as mesmas árvores que quando vivas embelezaram nossas paisagens, purificaram nosso ar, refrescaram nossas cidades, proporcionaram sombra e deram abrigo aos animais que podem continuar nos servindo quando as transformamos em objetos de madeira. Utilizadas como piso, móveis, estrutura, cobertura, decoração, ferramentas, utensílios e toda uma infinidade de serventias ao homem. A madeira não deve ser abolida da construção civil, mas sim explorada responsavelmente, seja através do manejo sustentável, ou a partir da exploração de novos recursos, como o caso do bambu para a construção e decoração, uma planta de rápido crescimento, fácil disseminação, grande consumidora de CO2 e com ótima durabilidade.

Abaixo, um trecho transcrito do livro “A Arquitetura da Felicidade”, do filósofo suíço Alain de Botton, ilustra bem a relação harmoniosa que este material nos proporciona.

“Pisos de madeira oferecem prazeres análogos de harmonia entre forças contrárias quando as tábuas, que um dia tiveram o pulsar da natureza fluindo dentro delas, submetem-se à vontade da serra e, no entanto, ainda guardam em si suficientes sinais de vida para se contraporem à geometria do carpinteiro. Podemos ver redemoinhos, rodopios e imperfeições, como se a madeira fosse um rio turbulento, porém, congelado. Irregularidades permanecem – um nó que não foi aplainado, uma depressão ou empenamento que não foi alisado -, mas ainda assim estas características são graciosas, e não lembranças de ameaçadora complexidade, pois estão cuidadosamente contidas dentro de uma série de calmas linhas paralelas e ângulos retos, fixada por longos pregos de ferro.”

 

 

 

TETO – Arquitetura Sustentável

 

Como vimos, práticas simples e critério na escolha de materiais podem melhorar significativamente a qualidade dos nossos espaços sem comprometer o meio-ambiente. É na construção civil, atividade humana maior geradora de resíduos e consumidora de materiais, onde justamente podemos fazer as maiores economias de recursos, seja com a utilização das novas tecnologias, seja com a racionalização dos processos. O desenvolvimento sustentável da construção não é modismo nem atividade impossível, mas, felizmente, um caminho sem volta.

 

Paulo Trigo

 

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